Ferramentaria Moderna

1 de agosto de 2012

Ferramentaria moderna – Fabricantes nacionais de moldes para tampas buscam parceiros tecnológicos para elevar produtividade

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Publicado por: Antonio Carlos Santomauro
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    Anunciada no final de 2010, a elevação das alíquotas de importação de moldes para injeção – naquela ocasião, majoradas de 14% para 30% –, ao menos até agora, parece não ter revertido a busca por fornecedores internacionais de moldes para tampas plásticas. Afinal, justificam os fabricantes dessas tampas, persistem diferenças sensíveis de qualidade entre os moldes oriundos da Europa e da América do Norte, e aqueles produzidos no mercado interno.

    No Brasil, especifica Gustavo Alvarez, presidente da America Tampas – empresa do grupo Petropar anteriormente denominada Crown –, até há uma oferta competitiva de moldes menores, com o máximo de dezesseis cavidades; o problema é que as tampas muitas vezes exigem moldes maiores, e destinados a produtividades muito elevadas.

    Resultado: “Hoje, importamos a maioria de nossos moldes”, diz Alvarez. A maioria desses moldes vem da Europa, pois lá

    Plástico, Vlamir Gorgati, sócio-diretor da Quattro,  Ferramentaria moderna - Fabricantes nacionais de moldes para tampas buscam parceiros tecnológicos para elevar produtividade

    Vlamir Gorgati: molde nacional tem mais fontes de financiamento

    está sediada a GCS (Global Closure Systems), empresa multinacional do setor de tampas com a qual a America Tampas mantém acordos; e dona de uma área própria de ferramentaria. Mas a empresa traz também, ressalta Alvarez, moldes dos Estados Unidos e da Ásia.

    Segundo ele, a America Tampas já teve experiências anteriores com moldes brasileiros, mas considerou-as insatisfatórias: “Os nacionais podem até custar menos, mas no preço final do produto acabam pesando mais, pois exigem contínuos ajustes”, afirma o presidente da empresa.

    Mas sequer no quesito preço há vantagens para os produtos nacionais, afirma Vlamir Gorgati, sócio-diretor da Quattro, empresa produtora de tampas e ombros plásticos para tubos laminados e extrusados, fornecidos para clientes como Unilever, Albéa e Dixie-Toga. “É possível encontrar preços bastante competitivos em tradicionais centros produtores de moldes da Europa e da América de Norte”, ele diz. “A diferença marcante, favorável aos produtos nacionais, está na disponibilidade de fontes de financiamento”, acrescenta.

    Plástico, Paulo Lima, sócio-diretor do grupo PHN, Ferramentaria moderna - Fabricantes nacionais de moldes para tampas buscam parceiros tecnológicos para elevar produtividade

    Paulo Lima: agregar serviços para os clientes eleva competitividade

    Na opinião de Gorgati, a principal dificuldade da indústria local na confecção de moldes maiores, destinados a desempenho muito elevado, não recai na execução, e sim no quesito projetos: “O grande diferencial dos moldes importados está na possibilidade de acesso às melhores soluções técnicas e de projeto, que afetam sensivelmente a performance e a durabilidade dos equipamentos”, compara o diretor da Quattro. Por isso, ele conta, os principais fabricantes de tampas instalados no Brasil têm incentivado os produtores locais de moldes a buscar, na Europa, parcerias na área de projetos com outras ferramentarias, ou com profissionais especializados.

    Know-how e tradição – Esse conselho de cooperação com parceiros do exterior parece estar sendo seguido pela Btomec, produtora de moldes com fábrica localizada no município catarinense de Joinville. Lá, diz o sócio-diretor Wiland Tiergarten, há uma crescente busca por parcerias internacionais, principalmente na área de projetos (e especialmente parceiros europeus). “Os clientes hoje procuram moldes mais produtivos, e isso exige todo um conjunto, desde projetos muito bem desenhados até matérias-primas diferenciadas”, justifica Tiergarten.

    A Btomec, ele conta, tem hoje cerca de sessenta funcionários, e com moldes para tampas atua intensamente nos segmentos de produção de alimentos e de cosméticos, embora tenha presença também na produção de bebidas e de produtos de limpeza. E, na opinião de Tiergarten, “a Europa realmente tem know-how muito mais tradicional na produção de moldes, mas creio sermos hoje competitivos com os fornecedores de lá”.

    Paulo Lima, sócio-diretor do grupo PHN – que na área da ferramentaria mantém uma unidade na qual atuam doze profissionais –, reconhece a expertise mais tradicional dos fornecedores de outros países. “Além disso, os europeus hoje

    Plástico, Molde com múltiplas cavidades para tampas fabricado pela PHN

    Molde com múltiplas cavidades para tampas fabricado pela PHN

    conseguem oferecer soluções que, além do molde, incluem também, entre outros itens, a máquina de injeção e os robôs que fazem a embalagem. E muitas vezes oferecem, para esse conjunto, condições de financiamento aqui inexistentes”, ele observa.

    Nessa conjuntura, afirma Lima, sua empresa, posicionada no mercado dos moldes para tampas de maneira mais incisiva no segmento dos cosméticos, hoje foca mais decididamente o mercado composto pelos clientes de médio ou pequeno porte, pois os produtores de grandes volumes são geralmente abastecidos no exterior.

    E o grupo PHN busca hoje diferenciar-se no mercado da ferramentaria, no qual está presente há duas décadas, ampliando sua oferta: há cinco anos, começou a oferecer também, além da produção dos moldes, serviços como criação, desenvolvimento e prototipagem de tampas. “Agregar mais serviços à nossa oferta é uma forma de nos posicionarmos melhor na disputa com os importados”, argumenta Lima.

    Mas os produtores nacionais precisam atualmente contar com a presença mais direta, no mercado local, de pelo menos um grande provedor internacional desse mercado: a empresa de origem austríaca KTW, cujos produtos eram anteriormente aqui comercializados via representantes, mas que no ano passado foi adquirida pela Husky (empresa presente no Brasil desde 1993, e que hoje mantém uma fábrica e um centro de serviços e de tecnologia no município paulista de Jundiaí). “Assim como já oferecíamos sistemas integrados – máquinas, moldes e periféricos – para o mercado de PET, com essa aquisição passamos a ter oferta integrada também para tampas”, destaca Paulo Carmo, gerente da área de produtos para embalagens e artigos médicos da Husky.

    A KTW, ele detalha, é especializada em moldes para tampas e controla três fábricas (na Áustria, na República Tcheca e na Alemanha), nas quais trabalham cerca de 400 funcionários, mais de 70% deles dedicados à engenharia e à produção. Tem know-how bastante reconhecido na área de moldes (por enquanto, trazidos ao Brasil do exterior). “Sua aquisição pela Husky foi muito bem recebida pelo mercado, e cumprimos desde então nossas expectativas: temos já várias tampas produzidas no Brasil com esses moldes, especialmente nos segmentos de higiene, limpeza e alimentos”, diz Carmo.

    Ainda sem chineses – Além de recorrer aos principais players mundiais desse mercado para ampliar seus conhecimentos, os fabricantes brasileiros de moldes para tampas devem também se aproximar mais de seus clientes: “Eles precisam estabelecer mais parcerias com os usuários dos moldes, não terão sucesso se olharem para os fabricantes de tampas apenas como convertedores de plástico”, recomenda Gustavo Alvarez, da America Tampas.

    Para ele, deve também haver medidas governamentais para estimular o acesso, por parte desses fabricantes, a melhores tecnologias e a uma matéria-prima de melhor qualidade. Mas tais pedidos não podem significar protecionismo: “Quando aumentou a alíquota de importação de moldes, o governo basicamente elevou nossos custos, pois continuamos precisando importar”, enfatiza Alvarez.

    Essa opinião é compartilhada por Vlamir Gorgati: “A Quattro Industrial já importou moldes, e muito provavelmente voltará a fazê-lo”, ele diz. Mas, afirma, no segmento de moldes para tampas ainda não é possível observar a concorrência, já mais intensa em outros gêneros de moldes, de produtos oriundos da China e da Índia.

    Segundo ele, na China já se produz também moldes de qualidade, mas a distância de lá para o Brasil dificulta a assistência técnica, fundamental nesse setor. “Atualmente, traz-se moldes da China basicamente para produtos de vida mais curta, e moldes para tampas precisam durar muito tempo”, acrescenta.

    O grupo PHN, diz Paulo Lima, recorre a uma parceria na China para produzir moldes para determinados produtos, como brinquedos. “Mas tampas são peças técnicas, e os moldes para elas nós produzimos em nossa própria unidade, localizada no município paulista de Taboão da Serra”, ele destaca.

    E de acordo com Tiergarten, da Btomec, embora um ou outro cliente adquira um produto chinês ou indiano atraído apenas pelo preço, as grandes empresas produtoras de tampas preferem recorrer a outros mercados, nos quais tenham certeza de encontrar qualidade.

    Este ano, ele diz, o mercado de moldes para tampas se mantém relativamente estagnado, e nele a Btomec não registrará crescimento (relativamente a 2011). “O segmento hoje mais dinâmico desse mercado é a indústria de cosméticos”, ele especifica.

    Bruno Chagas, gerente da engenharia da Moltec, também fala em maior atividade no setor dos cosméticos, e relativa estabilidade nos demais segmentos da indústria de tampas, responsável por metade dos negócios de sua empresa (o restante provém de áreas como moldes para pré-formas de PET, sopro por extrusão, e sopro PET para frascos, entre outras). Mas ainda há, considera Chagas, bom potencial de negócios no mercado nacional de moldes para tampas: “Com o desenvolvimento de tecnologia para moldes no Brasil, podemos dividir um mercado hoje dominado pelo exterior”, ele avalia.


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      3 Comentários


      1. DANIEL RODRIGUES NETO

        Olá Sou Ferramenteiro e queria saber como posso mandar um curriculo para empresa, obrigado


      2. Favor nos enviar um telefone para contato direto.
        Precisamos de um molde para injeção de um tipo de dominó em plástico


      3. preciso molde de tampas flip top 38 ou se possível me indiquem alguma empresa no brasil que fabrique essas tampas,

        Atenciosamente,

        Jakson



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