Ferramentaria Moderna

1 de dezembro de 2014

Ferramentaria moderna: Fabricantes de moldes adaptam-se ao mercado e esperam novos projetos

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico Moderno, Moldes de sopro têm defesa natural contra importados baratos

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    Mensurar com exatidão como avança 2014 para o setor representado pelos fabricantes de moldes de injeção de termoplásticos é tarefa difícil. Trata-se de um mercado extremamente pulverizado e carente de informações confiáveis. A palavra de líderes do setor hoje é a arma disponível para se chegar a uma conclusão mais próxima da realidade sobre o desempenho das ferramentarias.

    “O ano foi razoável, um pouco melhor do que o ano passado”, avalia Paulo Braga, hoje vice-presidente e que em dezembro assumirá a presidência da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações (CSFM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e é presidente da APL Ferramentaria do Grande ABC, órgão cujo objetivo é estimular o desenvolvimento da indústria de moldes e estampos. Braga acredita que o pior já passou. “Acho que a tendência do mercado é de aquecimento, o ano que vem será melhor”. O otimismo moderado se deve ao fato de o próximo ano não apresentar nenhum evento extraordinário, como ocorreu em 2014 com a realização da Copa do Mundo e das eleições.

    Como o número de empresas do ramo é elevado e seu perfil é heterogêneo, as entrevistadas apresentam resultados diferenciados. Algumas comemoram bom faturamento, outras permaneceram estáveis e existem as que se encontram em dificuldades. Depende, entre outros fatores, dos tipos de moldes por elas fabricados e se os seus clientes pertencem a algum segmento econômico em bom momento, ou não.

    Um exemplo: a indústria de cosméticos, consumidora de moldes para embalagens, vive melhor fase do que a automobilística, importante cliente de quem fornece matrizes. Por falar nas montadoras, o Inovar-Auto, programa lançado pelo governo federal para estimular os lançamentos de automóveis com projetos brasileiros, ainda não “pegou” como o esperado, sofre com a falta de regulamentação. Para quem produz ferramentas, o ideal seria se o projeto decolasse.

    Entre os problemas que atingem a todos, o mais grave é o atual momento da economia. O crescimento do PIB nesse ano será irrisório e a indústria é a maior responsável pelo desempenho pífio. O cenário reprime os empresários do setor, eles não se sentem seguros para investir no lançamento de novos produtos, o grande motor do desenvolvimento do segmento de moldes.

    Em paralelo, as importações feitas dos países asiáticos, em especial no caso da transformação por injeção, continuam a representar concorrência para lá de incômoda. Os moldes de “olhos puxados” chegam aqui a preços muito baixos, mesmo tendo o governo tomado algumas medidas de proteção à indústria nacional.

    O casamento da ausência de novos projetos com a competitividade dos importados provoca forte queda na rentabilidade dos serviços contratados. Quando surgem as encomendas, os compradores estão dispostos a “espremer” os preços ao máximo. Com tal quadro, fica difícil para as empresas investir em equipamentos de usinagem modernos, capazes de melhorar a produtividade.

    Para completar o cenário não muito risonho, velhos questionamentos sempre apontados pelos empresários de todos os setores – não só os de moldes – são motivos de reclamações. São os casos dos elevados impostos cobrados por aqui, da infraestrutura ineficiente do país, dos juros cobrados pelas instituições financeiras e de outros tópicos que podem ser resumidos pela expressão “custo Brasil”.

    Plástico Moderno, Concorrência internacional é maior nos moldes para injeção

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    Milagre e santos – A análise individual de algumas ferramentarias que trabalham para o segmento de injeção ajuda a entender o quadro atual desse mercado. A paulistana Moltec, de porte médio, é fabricante de matrizes para injeção e também de sopro normal e de PET. Seus carros-chefes são os mercados de embalagens para bebidas, de produtos para higiene e limpeza e outros.

    A empresa não se queixa do desempenho alcançado em 2014. O fato de termos tido um ano atípico por causa da realização da Copa do Mundo e das eleições, não atrapalhou muito. “O primeiro trimestre foi bom e no segundo registramos queda por causa da Copa. A partir do terceiro houve a retomada e estamos trabalhando em ritmo normal. Eu acredito que vamos fechar o ano com crescimento entre 5% e 10%”, informa Eduardo Cunha, diretor executivo.

    Cunha não consegue precisar com clareza como é dividido o faturamento da empresa entre moldes de injeção e sopro. “Esse percentual varia de acordo com as encomendas e o fato de também fazermos moldes para máquinas integradas de injeção e sopro dificulta o cálculo”. Ele reconhece, no entanto, que o desempenho positivo da empresa se deve à boa aceitação no mercado dos moldes de injeção. “Não é que o número de encomendas de moldes para injeção cresceu, o importante foi termos conseguido nos manter competitivos nesse nicho de mercado”.


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