Ferramentaria Moderna

17 de dezembro de 2013

Ferramentaria Moderna: Entidade cria núcleo de apoio para as empresas

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Ser competitivo se transformou em questão de vida ou morte para as ferramentarias nacionais nos últimos anos. Não se trata de tarefa simples. Para atingir esse objetivo, as empresas do ramo precisam, por exemplo, entregar as encomendas em prazos mais curtos e com preços reduzidos. As dificuldades são maiores se levarmos em consideração a necessidade de tecnologia de ponta cobrada pelo mercado e as dificuldades para se encontrar mão de obra especializada, obstáculos presentes na realidade brasileira.

    Muitos líderes do setor concordam: ainda é notória a carência de inovação tecnológica da ferramentaria no Brasil. As empresas do ramo encontram dificuldades e empecilhos na elaboração de projetos que atendam à demanda da indústria nacional, sofrendo com a falta de competitividade em detrimento da produção realizada em outros países. Para se ter uma ideia da dificuldade, calcula-se que entre 2007 e 2012 o setor tenha enfrentado déficit de R$ 1,24 bilhão na balança comercial do país.

    Para alterar esse cenário, foi criado, no último dia 31 de outubro, na região do ABC, em São Paulo, o Núcleo de Apoio à Inovação Setorial (Nais). O órgão, voltado para a prestação de serviços e educação de profissionais, será estruturado até o final do ano e deve entrar em operação a partir do início de 2014.

    A iniciativa tem a assinatura da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, associação privada sem fins lucrativos cujo objetivo é promover a economia regional, e do Arranjo Produtivo Local do Setor de Ferramentaria do Grande ABCD (APL), criado em 2010 para defender a indústria de matrizes local e que tem a participação das prefeituras da região, de empresas, sindicatos de trabalhadores e instituições do Sistema S. Também participam do projeto a Universidade Federal do ABC (UFABC) e o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). O projeto conta com verba inicial estimada em aproximadamente R$ 6,5 milhões, obtida por meio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTi) e de órgãos financiadores de inovação e pesquisas, como o Finep.

    “Com o Nais, queremos enfrentar gargalos do setor de ferramentaria, que nos últimos anos vem sofrendo com a concorrência dos moldes importados”, revela Paulo Sérgio Furlan Braga, coordenador do APL, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer) e vice-presidente da Câmara Setorial de Ferramentaria e Modelações da Abimaq. Braga enfatiza que se trata da primeira iniciativa do gênero a ser lançada no território da América do Sul. “A ideia começou a ganhar formato há um ano e meio, quando surgiu a ideia de criar um bureau de engenharia voltado para o setor.” A meta é deixar o segmento da ferramentaria melhor preparado em curto prazo. “Em três anos o Brasil estará mais competitivo”, calcula.

    O Nais será instalado no campus do Instituto Mauá. Entre as suas atribuições, uma das mais significativas será a oferta de realização de projetos para moldes em prazos e custos mais competitivos. Hoje, essa operação é feita internamente ou nas empresas de engenharia especializadas, contratadas pelos fabricantes de moldes. A prestação de serviços se inicia já no próximo ano. “Os prazos e preços praticados aqui não conseguem concorrer com os chineses.” O coordenador do APL lembra que hoje, em média, um projeto leva de noventa a 180 dias para ser realizado por aqui. “Queremos que daqui a três anos tal desenvolvimento seja feito no prazo médio de trinta dias.” Isso a um preço mais razoável. “Nosso objetivo é reduzir o custo de 20% a 25%.”

    Como conseguir tais resultados? A receita passa pela montagem de uma equipe profissional de qualidade. A meta é, até o final do ano, buscar no mercado doze profissionais com grande experiência, que vão atuar com a ajuda de quinze estagiários. “Vamos contar com um time de elevado gabarito“, garante. Esses colaboradores vão trabalhar com tecnologia de última geração.

    Entre os equipamentos a serem adquiridos, destaque para um supercomputador com programação voltada para criar projetos de moldes adequados à produção de peças com as mais variadas características. “Esse supercomputador é igual ou melhor do que os usados nos países com excelência no setor.” Só ele está orçado em cerca de R$ 800 mil. Valor ainda maior será empregado para a aquisição de sofisticados softwares, pouco menos de R$ 2,4 milhões. Com tal estrutura, será possível realizar operações variadas, caso de modelagens e simulação. “Hoje, no Brasil, são usados muitos softwares não legalizados, o que com frequência causa problemas para as empresas do setor“, ressalta o dirigente.

    Ensino – Além da prestação de serviços, o Nais ajudará na formação de mão de obra especializada, outro problema enfrentado pelas empresas do ramo no país. “Não estamos renovando o nosso time de profissionais, 90% dos especialistas hoje no mercado têm cabelos brancos“, avalia Braga. Por isso, o núcleo vai oferecer cursos para interessados em se tornar especialistas, mestres e doutores em ferramentas. “A primeira turma de especialistas vai se formar em 2016. No ano seguinte, devem se formar os primeiros mestres. Em 2018, está prevista a formação dos primeiros doutores”, explica Braga.

    Todas as vagas serão oferecidas para engenheiros. No caso dos especialistas, o curso pretende atender os alunos com menos conhecimento sobre o tema. O curso para mestres está voltado para engenheiros que já tenham feito algum tipo de dissertação sobre o tema. O de doutorandos pode ser frequentado por quem já tenha mestrado ou apresente algum tipo de projeto ímpar, considerado diferenciado pela equipe de especialistas responsável pela seleção. “Com a formação de novos profissionais, as empresas do setor terão a oportunidade de contar com funcionários capazes de prestar melhores serviços.”

    Em uma primeira etapa, os serviços do Nais serão prestados em caráter nacional. O objetivo, no futuro, é criar novos núcleos em regiões onde os serviços de ferramentaria são importantes para a economia. São os casos, por exemplo, de cidades localizadas no estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “A disseminação dessa iniciativa atende aos interesses da Abinfer”, explica.



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