Máquinas e Equipamentos

19 de outubro de 2016

Extrusoras: Fabricantes atualizaram equipamentos para atender a recuperação do mercado

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Um sopro de esperança surgiu em julho: os fornecedores de máquinas extrusoras apontam tímida recuperação na consulta por orçamentos nas últimas semanas. A torcida é para que este movimento se traduza no fechamento de alguns negócios nos próximos meses. Essa, por enquanto, é a única boa nova. Os resultados das vendas de janeiro até agora lembram uma frase do Barão de Itararé, personagem criado pelo jornalista Aparício Torelly, que no século passado fez sucesso com seu humor ácido: “De onde menos se espera é que não sai nada”.

    Os motivos do desempenho desanimador são para lá de conhecidos. O imbróglio político pelo qual passa o país gerou um clima recessivo que afeta todos os setores da economia. Entre eles, o da indústria do plástico. As vendas em baixa geram capacidade ociosa nas linhas de produção dos transformadores. Isso não ajuda em nada a procura por equipamentos. Ao cenário se somam problemas como aumento da dificuldade de se obter empréstimos no BNDES, resultante da política fiscal rigorosa adotada pelo governo federal. Sem falar nas velhas questões relativas ao custo Brasil, que envolvem temas como juros e impostos elevados, falta de infraestrutura e demais queixas de empresários há décadas.

    Nos primeiros meses do ano, os reflexos da crise política levaram o dólar a ser cotado em patamar próximo dos R$ 3,80. Com a valorização da moeda norte-americana, os preços das máquinas brasileiras ficaram competitivos e a exportação de extrusoras passou a ser vista como válvula de escape para o mercado interno fraco. Como isso aconteceu depois de longo período de real sobrevalorizado, as empresas nacionais iniciaram os trabalhos para recuperar mercados perdidos nos últimos anos. Hoje, com o dólar na casa dos R$ 3,25, tal competitividade não é mais a mesma. De qualquer forma, tem sido intensificado esse trabalho, em especial junto aos países da América do Sul. Os resultados da estratégia serão conhecidos de acordo com a flutuação do valor das moedas.

    Os problemas, é lógico, tiraram o fôlego dos fabricantes de extrusoras. As empresas se esforçam para aperfeiçoar seus equipamentos, mas não vivemos período de muitos lançamentos em termos de tecnologia. Existem, no entanto, novidades a serem conferidas. Vale lembrar: em 2015 houve uma edição da Feiplastic e as empresas do setor fizeram lançamentos e aperfeiçoaram as máquinas oferecidas ao mercado antes do evento e estão praticamente em dia com os recursos demandados pelo mercado.

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    Pra valer – “A crise, dessa vez, pegou pra valer”. As palavras são de Enrico Miotto, presidente da Miotto, mais antiga fabricante nacional de extrusoras para tubos, perfis, chapas, fios e cabos. A empresa está no mercado desde 1961 e o dirigente diz não se lembrar de, em todos esses anos, viver período tão difícil. Ele explica que nos últimos dois meses as vendas para o mercado interno chegaram a um nível que beira a tragédia. “Em junho não chegamos nem a 20% do normal. Pela primeira vez está faltando trabalho”.

    Em julho, começaram a surgir algumas solicitações de orçamentos, nada muito entusiasmante. “Esse ano, os negócios estão abaixo de 50% de nossas previsões, não estão cobrindo nossas despesas”. A possibilidade de incrementar as exportações não chega a animar. “Hoje estamos com preço, mas o câmbio já foi mais favorável no início do ano. Exportar pode ajudar, mas não atende a nossa capacidade”.

    Além da instabilidade da cotação do real, que se valorizou nas últimas semanas, outro problema é a reconquista de mercados abandonados, como o da América do Sul. “Há mais de dez anos não atuávamos no exterior por falta de competitividade”. O presidente tem a esperança de uma ligeira melhora neste segundo semestre. “Acho que mudança mais positiva somente no ano que vem”.

    Os bons resultados obtidos no ano de 2015, em especial no primeiro semestre, resultado das vendas de cinco linhas de grande capacidade para o segmento de fios e cabos, tem ajudado a empresa a enfrentar as dificuldades. Mesmo assim, alguns ajustes precisaram ser feitos. Um deles foi o encerramento das atividades da Universaloi, empresa que fabricava roscas e cilindros para as extrusoras. A atividade agora está restrita a uma unidade da Miotto.

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    Entre os modelos oferecidos, o dirigente ressalta a constante preocupação em oferecer modelos cada vez mais produtivos, feitos a partir de processos capazes de reduzir custos. “Nossos equipamentos têm nível de qualidade europeu”, orgulha-se. Entre as novidades, destaque para a máquina de dupla rosca EM-2R. Com capacidade de produção de até 2 mil kg/h com PVC flexível, ela conta com painel de controles via CLP, cilindro duplo 30D com sistema de degasagem por bomba de vácuo e by-pass, roscas nitretadas 30D com refrigeração interna lacrada, funil alimentador motorizado e velocidade controlada, redutor para dupla rosca para suportar as cargas exigidas no processo de extrusão e motor de 200 HP com inversor de frequência, proporcionando as rotações das roscas de 5 a 45 rpm.


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