Plástico

9 de fevereiro de 2011

Exportação – Burocracia, juros altos, dólar desvalorizado e matéria-prima cara atrapalham as vendas

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Custo Brasil. Na opinião dos estudiosos no tema, esse é o “calcanhar de aquiles” responsável pelo desempenho negativo da balança comercial do setor de manufaturados plásticos. “Começa na matéria-prima, passa pela carga tributária, pelos juros/spread bancário. Enfrentamos a burocracia, o custo de energia. Também há a oneração da folha de pagamento e o setor plástico é intensivo em mão de obra. Entre outros problemas”, resume José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast. No quesito “outros problemas”, encontra-se o real valorizado. A cotação da moeda provoca a perda de competitividade de produtos nacionais.

    Plástico Moderno, José Ricardo Roriz Coelho, Presidente da Abiplast, Exportação - Burocracia, juros altos, dólar desvalorizado e matéria-prima cara atrapalham as vendas

    Coelho: “custo Brasil” impede maior volume de exportações

    Apesar das dificuldades, no ano de 2010 houve crescimento no volume das vendas realizadas pelas empresas nacionais do setor para outros países. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), a exportação de manufaturados de plástico no ano passado girou em torno de US$ 1,47 bilhão, contra US$ 1,18 bilhão em 2009. A evolução foi de 24,24%. Em termos de volume, o crescimento foi menor, na casa dos 10,59%. Em 2010 foram comercializadas para o exterior 309 mil toneladas de produtos, contra 280 mil no exercício anterior. O valor agregado das peças plásticas exportadas subiu 12,34%, de US$ 4.236,79 por tonelada em 2009 para US$ 4.759,68 no ano passado.

    As regiões para as quais os fabricantes brasileiros mais exportaram foram as do Mercosul (35%), Aladi menos Mercosul (23%), União Europeia (20%) e Estados Unidos (9%). Entre os países, o principal comprador foi a Argentina (US$ 275 milhões), seguida pela Holanda (US$ 156 milhões),

    Estados Unidos (US$ 85 milhões), Chile (US$ 72 milhões) e Paraguai (US$ 55 milhões). Os fabricantes de chapas e laminados são os principais exportadores (37%), seguidos pelos de tubos (23%), embalagens (18%) e utilidades domésticas (4%).

    O desempenho não foi suficiente para melhorar os números da balança comercial do segmento. Longe disso. Os produtos internacionais chegaram ao Brasil em 2010 de forma acentuada. Foram importados US$ 2,8 bilhões, contra US$ 2,1 bilhões em 2009, crescimento de 34,55%. Em volume, o total foi de 616 mil toneladas, contra 469 mil toneladas no período anterior, com evolução de 31,24%. O valor médio da tonelada importada ficou na casa dos US$ 4,6 mil, 2,52% a mais do que os US$ 4,4 mil de 2009. O déficit da balança comercial ficou na casa dos US$ 1,3 bilhão, contra US$ 918 milhões em 2009, com crescimento de 47,86%.

    Plástico Moderno, Paulo Dacolina , Presidente do INP, Exportação - Burocracia, juros altos, dólar desvalorizado e matéria-prima cara atrapalham as vendas

    Dacolina: participantes do programa exportam mais

    As regiões de onde mais importamos foram: Ásia (32%), União Europeia (26%), Estados Unidos (17%) e Mercosul (16%). Os Estados Unidos foram os maiores vendedores de manufaturados para o Brasil (US$ 395 milhões), seguidos por China (US$ 358 milhões), Argentina (US$ 194 milhões) e Alemanha (US$ 191 milhões). Entre os produtos adquiridos, destaque para as chapas e lâminas (42%), embalagens (17%), tubos (10%) e utilidades domésticas (3%).

    “Mãozinha” providencial – Na hora das dificuldades, uma ajuda sempre é bem-vinda. Pensando nisso, o Instituto Nacional do Plástico (INP) criou, no início de 2004, o programa Export Plastic, cujo objetivo é o de incentivar e apoiar os transformadores interessados em comercializar seus produtos em outros países. “O programa é uma iniciativa pioneira em nível mundial”, garante Paulo Dacolina, presidente do INP. Para desenvolvê-lo, houve a colaboração da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), órgão do governo brasileiro voltado para o apoio às exportações, e de grandes fabricantes nacionais de resinas, casos da Braskem e Quattor. “Garantimos a participação de toda a cadeia produtiva no processo”, diz. O programa gera serviços e ações direcionadas para empresas interessadas em começar a participar do mercado internacional e também para tradicionais exportadores. Os resultados têm sido positivos. Segundo Dacolina, as exportações dos participantes do projeto vêm crescendo em um ritmo maior do que as das empresas não associadas.

    Plástico Moderno, Marco Wydra, Gerente executivo do Export Plastic, Exportação - Burocracia, juros altos, dólar desvalorizado e matéria-prima cara atrapalham as vendas

    Wydra: Export Plastic ajuda os transformadores em várias frentes

    Marco Wydra, gerente executivo do Export Plastic, explica que o projeto se baseia em quatro pilares. O primeiro é o da sensibilização. “Procuramos arregimentar empresas nacionais com potencial para fazer parte do programa, mostrar aos transformadores os benefícios obtidos com a exportação”, revela. Hoje, estão associadas 71 empresas de doze diferentes estados brasileiros. O potencial de crescimento dos associados é enorme, o gerente acredita que esse número possa chegar a quatrocentos em um prazo não muito largo. No total, o Brasil conta com 11 mil fabricantes de manufaturados plásticos.

    Outra etapa é a da capacitação. “Organizamos palestras para os associados com informações valiosas sobre o mercado exterior”, diz. O programa divulga os regulamentos adotados por outros países, as barreiras técnicas e tarifárias. São dadas noções sobre os preços adequados aos produtos e às operações de crédito, seguro e fretes. A terceira preocupação é com a inteligência e estratégia competitiva. “Nós compramos pesquisas, bancos de dados e estudos sobre o mercado externo e os disseminamos para os exportadores. Dessa forma, eles podem fazer análises competitivas e atualizar tendências internacionais”, conta.


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