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9 de janeiro de 2011

Evento debate práticas sustentáveis

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Falar sobre a importância do tema meio ambiente hoje em dia é desnecessário. Também não se discute a imagem negativa do plástico como elemento poluidor. A cada dia, ambientalistas lembram com maior ênfase do enorme tempo necessário para que o plástico se degrade na natureza. Para debater o tema e apresentar as iniciativas tomadas por algumas das principais empresas do ramo, a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) promoveu em São Paulo, em dezembro do ano passado, o evento Sustentabilidade na Indústria do Plástico.

    Plástico Moderno, Júlio Harada, Gerente para América Latina de especialidades plásticas da Basf, Evento debate práticas sustentáveis

    Harada: o plástico biodegradável e o verde são tendências irreversíveis

    Entre os palestrantes, estiveram presentes representantes de multinacionais fabricantes de matérias-primas. Júlio Harada, gerente para a América Latina de especialidades plásticas da Basf, fez um rápido panorama dos problemas oferecidos pelo lixo. Em uma população de 6,5 bilhões de pessoas, dá para se ter uma ideia do enorme efeito que a quantidade de resíduos gerados proporciona. Ele lembrou que só os Estados Unidos produzem 607 mil toneladas de lixo por dia. O Brasil, 230 mil toneladas. Do total, 35% são materiais que podem ser reciclados. Nesse universo, a indústria do plástico pode representar um papel para lá de importante na redução do problema.

    Entre as formas de enfrentar a questão, Harada lembrou que a indústria química tem investido cada vez mais na produção de plásticos verdes e biodegradáveis. Isso não significa a completa substituição dos plásticos convencionais, derivados do petróleo. Mas é uma tendência irreversível. O técnico diferenciou os verdes dos biodegradáveis. Os verdes são produzidos com materiais de fonte renovável, enquanto os biodegradáveis se degradam na natureza com rapidez quando expostos à umidade e aos micro-organismos presentes na terra. “Os verdes podem ou não ser biodegradáveis e os biodegradáveis podem ou não ser verdes”, ressaltou. Ele também citou as rigorosas normas existentes em todo o mundo voltadas para a produção dos biodegradáveis.

    Neste cenário, falou sobre alguns produtos produzidos pela Basf. Um deles é o Ecoflex, copoliéster cuja estrutura molecular é algo parecido com a do PET acrescida de oxigênio. Lançado há três anos, é biodegradável e indicado para a produção de filmes para a agricultura, embalagens e sacolas plásticas. “Lá fora ele já foi aprovado pela FDA e atende às normas europeias. No Brasil, está em fase de aprovação pela Anvisa”, explicou. A multinacional também comercializa a blenda Ecovio, produto biodegradável formado pela união do Ecoflex com o PLA. É recomendada para sacolas plásticas, envelopes institucionais, embalagens semirrígidas, copos e outras aplicações. Outra matéria-prima, a Ecobras, foi desenvolvida pela empresa no Brasil. Com fórmula que prevê a adição de amidos ao Ecoflex, tem como um dos principais mercados o invólucro para mudas de plantas. Um exemplo: o Brasil é líder mundial em plantação de eucaliptos para celulose e a adoção da matéria-prima poderia facilitar muito o processo de plantação.

    Augusto Dornelles Filho, gerente de contas estratégicas, vendas e desenvolvimento de plásticos de engenharia da DuPont, exaltou sem qualquer falsa modéstia os esforços feitos pela multinacional para desenvolver soluções de proteção ao meio ambiente. “Nos últimos vinte anos, nossas fábricas reduziram em 72% a emissão de gases geradores do efeito estufa”, informou. A preocupação também está presente no desenvolvimento de novas fórmulas para a indústria do plástico. “O faturamento da empresa com a venda de matérias-primas é de US$ 30 bilhões por ano em todo o mundo. Até 2015 esperamos comercializar US$ 1 bilhão em produtos de fonte renovável.”

    A DuPont já comercializa três linhas de produtos com características adequadas para o desenvolvimento sustentável. O Sorona é um termoplástico equivalente ao PBT voltado para peças moldadas, tapetes, carpetes e tecidos. Sua fórmula contém 37% de conteúdo renovável. O Hytrel RS, termoplástico com até 35% de conteúdo renovável é indicado para operações de injeção e extrusão e tem características similares ao Hytel comum, comercializado pela empresa há mais tempo. O Zytel com mais de 60% de conteúdo renovável é similar às poliamidas convencionais. Pode ser usado em operações de injeção e extrusão.

    A Sabic, outra multinacional de renome, atua em três frentes, quando o assunto é plásticos para uma economia sustentável. Uma delas é na melhora do desempenho de produtos reciclados. “A reciclagem de alguns plásticos apresenta bons resultados, mas é comum os produtos recuperados apresentarem entre 20% e 30% de perda de propriedades. Desenvolvemos o processo químico reverso, que permite o retorno ao monômero inicial”, garantiu Paulo Santos, gerente de produtos e mercado. Outra frente é a do aproveitamento de fibras vegetais como reforços para plásticos. “Elas são de fontes renováveis, biodegradáveis e recicláveis”, explicou. Um dos materiais pesquisados mais promissores é a fibra de Curauá, cultivada no Pará e usada por indígenas na confecção de redes e arcos. O material é mais leve que a fibra de vidro e apresenta uma série de vantagens e também de desafios a serem superados. Desenvolver uma linha de polímeros biodegradáveis é outro objetivo. Vários estudos estão em curso.


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