Máquinas e Equipamentos

28 de julho de 2011

Equipamentos para reciclagem – Exigências ambientais favorecem a expansão de máquinas modernas

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Plástico Moderno, Equipamentos para reciclagem - Exigências ambientais favorecem a expansão de máquinas modernas

    Sistemas integrados elevam produtividade e economizam energia

    Bons ventos sopram a favor do crescimento brasileiro da reciclagem de plásticos e, no seu rastro, o impulso à demanda de equipamentos e sistemas voltados à sua revalorização. A equação é simples: apelos ambientais cada vez mais fortes + programa nacional de resíduos sólidos (PNRS) em vigor = valorização de produtos manufaturados com resinas recicladas. Para agregar mais valor à peça, maior será a exigência de qualidade do polímero reprocessado. O cumprimento das regras estabelecidas no PNRS é um desafio e demandará um tempo até que elas sejam digeridas, mas o mercado brasileiro tem tudo para se sair bem nessa empreitada.

    Embora defasados, os estudos da reciclagem de plástico no país apontam índices alentadores de expansão. Divulgado pelo Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos – Plastivida, o último oferece dados de 2007, quando 962 mil toneladas de resinas reprocessadas moldaram uma grande gama de peças. As indústrias automotivas, de construção civil e moveleira, entre outras, beneficiaram-se com os produtos. A taxa de crescimento anual aferida nessa pesquisa beira dois dígitos: 9,2%. O senão fica por conta do grande volume de material pós-consumo, da ordem de 58%, equivalente a 556 mil toneladas, no referido ano.

    Além de pouco, o resíduo industrial, disputado por dez entre dez recicladores (é isento de contaminações e assegura propriedades muito próximas às da resina virgem), tende a encolher ainda mais, afinal, a redução de desperdícios na produção e o reaproveitamento pelo transformador das aparas geradas em seu processo somam pontos como uma postura ambientalmente correta. Atitudes, portanto, de previsível crescimento nas empresas.

    A propensão para a disponibilidade de matéria-prima ficar cada vez mais restrita aos plásticos de origem pós-consumo e de os moldadores buscarem resinas reprocessadas de melhor qualidade deve exigir dos processadores de resíduos plásticos equipamentos mais eficientes, capacitados a oferecer no final do processo resinas com perdas mínimas de propriedades.

    “Reciclagem é um negócio profissional e muito técnico, não está para amadores e exige máquinas de qualidade, alta produtividade e de baixo consumo energético de quem quer ser competitivo”, opina Paolo De Filippis, diretor da Wortex, empresa especializada em sistemas de extrusão e reciclagem, de Campinas-SP.

    Enxergar no produto reciclado não uma opção mais barata, mas sim sustentável, passou a ser a diretriz de muitos no mercado, na percepção de Walner R. Cavallieri, diretor da BGM, de Taboão da Serra-SP, de negócios voltados para periféricos de extrusão, equipamentos e projetos especiais. O aumento da concorrência, na opinião dele, pressionou os recicladores, que passaram a se preocupar com a qualidade de seu produto e a investir em equipamentos. Segundo o diretor, a sua empresa desenha equipamentos para que os recicladores obtenham produtos com qualidade similar à dos materiais virgens há muito tempo. E exemplifica: “Nossa peneira seletiva foi desenvolvida especialmente para termoplásticos, deixando de lado os equipamentos obsoletos que existiam no mercado, uma adaptação da peneira de arroz usada na agricultura.”

    A incorporação de mais qualidade nas resinas recicladas propicia ainda um efeito bastante positivo para o setor: o de penetrar em nichos que até então eram privilégio de polímeros virgens, como a injeção de peças que exigem materiais compostos. “É uma maneira de valorizar o produto reciclado, que atualmente tem os preços achatados por conta dos preços das resinas virgens”, comenta Evandro Bondesan Didone, diretor da Kie, de Louveira-SP, dedicada à fabricação de equipamentos e linhas para reciclagem de plástico.

    No entender dele, a crescente procura por reciclados de melhor qualidade impacta diretamente a necessidade de investimentos em linhas de produção com equipamentos mais complexos. Aumentam também os cuidados com a eficiência energética dessas máquinas. “São exigências como melhor filtragem do material, menor incidência de odores residuais nos reciclados pós-consumo, padronização de cores e viscosidade, entre outros”, exemplifica Didone.

    Se a indústria persegue consumos cada vez menores de energia elétrica no processamento de resinas virgens, tanto maior a preocupação nos casos de sistemas de revalorização do plástico, sobretudo considerando o apelo ambiental do produto. “É um fator preponderante na reciclagem”, enfatiza Filippis. O diretor da Wortex ensina ao empresário do setor a fórmula para calcular sua rentabilidade: o resultado da relação quilos hora/ampere.

    Outro motivo de apreensão do setor lembrado por Filippis fica por conta da lavagem. Ele comenta que se estudam meios de baixar os custos dessa etapa do processo. É bom lembrar: a limpeza dos resíduos plásticos consome água – outro item precioso e escasso, atrelado ao conceito de sustentabilidade e preservação do meio ambiente.

    Plástico degrada – Embora não seja o mais recomendável, na opinião de Filippis, o uso de aglutinadores em empresas recicladoras ainda é comum, em particular nas de pequeno porte. “Não oferecem nem segurança, nem rentabilidade”, julga. Empregados para densificar o material reciclado e permitir a sua extrusão, os aglutinadores são acusados de alguns pecados capitais: alto consumo energético, baixa produtividade, falta de segurança aos usuários e alto custo de manutenção.


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