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15 de janeiro de 2012

Notícias – Empresas europeias investem no mercado de plásticos reciclados

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Publicado por: Plastico Moderno
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    Apesar de perder a liderança na produção mundial de plásticos para a China, a busca constante por soluções sustentáveis e iniciativas como selos ambientais e um banco de dados sobre materiais reciclados ainda fazem do Velho Continente um dos protagonistas do setor.

    O ano de 2011 representou um verdadeiro marco no que se refere à construção de um futuro sustentável. Apesar da recessão econômica, mais do que nunca as indústrias não pouparam esforços para intensificar seus investimentos em químicos renováveis e incentivar as cadeias de remanufatura e de reciclagem.

    A chamada “revolução verde” certamente caminha de mãos dadas com uma gestão eficaz dos processos de produção e consumo, principalmente em um mercado onipresente como o da química, indispensável em diversas atividades humanas.

    Por esse motivo, a recuperação dos resíduos, a reciclagem de materiais e o seu reaproveitamento energético continuam sendo uma prioridade para os países europeus.

    Geralmente, os plásticos manufaturados chegam ao final de sua vida útil sem grandes alterações em suas características físico-químicas e graças aos programas de coleta seletiva podem ser reciclados.

    Investir em uma unidade de reciclagem eficiente, porém, requer organização. As diversas propriedades dos diferentes polímeros, como densidade, condutividade térmica ou temperatura de amolecimento, por exemplo, exigem que cada um deles seja separado. Para obter resultados qualitativamente aceitáveis, é impossível pensar em um único e genérico processo de reciclagem de plásticos.

    Atualmente, já existem tecnologias que permitem o uso simultâneo de diferentes resíduos plásticos, sem a ocorrência de incompatibilidade entre eles e a perda de resistência e qualidade, mas pelo menos por enquanto essa ainda representa uma alternativa menos viável do ponto de vista econômico.

    Não por acaso, na escolha entre benefícios ambientais a médio e longo prazo e altos custos da separação e limpeza desses materiais para a reciclagem mecânica – em que os plásticos são moídos e moldados novamente após seu emprego inicial – quase sempre quem leva a melhor é o menor preço. Somente nos territórios nos quais medidas a favor da

    Supermercado vende artigo feito com resina recuperada

    sustentabilidade são impostas por legislações complexas a demanda pela matéria-prima ecológica é consistente.

    A Europa é o exemplo mais emblemático dessa situação. Segundo os dados divulgados pelo relatório “Plastics – the facts 2011” – documento eleborado anualmente pelas associações PlasticsEurope, EuPR e EPRO –, dos 24,7 milhões de toneladas de resíduos gerados no Velho Continente em 2010, mais de 14,3 toneladas foram recuperadas. Em termos práticos, isso significa que o volume de materiais reciclados aumentou significativamente em cerca de 8,7%, e que o percentual de materiais destinados ao reaproveitamento energético também foi incrementado em 9,8%.

    Os números são eloquentes e demonstram que uma fileira industrial eficiente pode contribuir com a compatibilidade ambiental dos produtos químicos, principalmente no setor de embalagens, o maior mercado da indústria transformadora europeia de plásticos.

    Resinas recicladas – Seguindo uma tendência mundial, as famílias poliméricas mais utilizadas na Europa são as chamadas big five, representadas pelo polietileno (PE), polipropileno (PP), policloreto de vinila (PVC), poliestireno (PS) e PET. Juntas, elas representam 75% do consumo de polímeros no Velho Continente e, por serem tão difundidas, os seus produtores possuem uma grande responsabilidade no que se refere à sustentabilidade ambiental.

    De acordo com a associação PlasticsEurope, as poliolefinas (PP, PEAD, PEBD e PELBD) são responsáveis por 48% do consumo anual de plásticos na Europa Ocidental, pois são utilizadas em uma vasta gama de aplicações que vão desde embalagens e equipamentos automotivos até artigos para a construção civil.

    Segundo os dados da PlasticsEurope, cerca de 57% das poliolefinas rígidas foram recuperadas e recicladas por países como Alemanha, França, Reino Unido, Polônia e Espanha em 2009, apesar dos desempenhos nacionais de reciclagem oscilarem significativamente. Essa taxa atingiu, por exemplo, 32% na Alemanha e menos de 10% na Polônia.

    Na opinião de Jan-Erik Johansson, um dos diretores da associação, a “Europa possui um grande potencial para aumentar a sua eficiência na reciclagem de poliolefinas e para isso a transferência de know-how entre os diferentes países é fundamental”. Segundo Johansson, para alcançar uma alta taxa de reciclagem é preciso restringir a deposição em aterro, criar programas mais amplos de coleta de embalagens rígidas e otimizar o sistema de recuperação energética.

    Em determinados países, algumas iniciativas privadas tentam demonstrar que a recuperação de poliolefinas já é uma realidade consolidada. Na indústria italiana, são cada vez mais frequentes os exemplos de aplicações de resinas termoplásticas recicladas.

    Recentemente, a Industrie Generali Spa, tradicional fabricante e distribuidora de polímeros como polipropileno (PP), polietileno de alta e de baixa densidade, resinas de PVC, plastificantes ftalatos e adípicos, filmes de polipropileno biorientado (Bopp) e especialidades químicas para uso medicinal, anunciou o lançamento de um aditivo de resina de poliolefina nova derivada de plásticos pós-consumo, selecionados e regenerados.

    O produto chamado Polyecolene é obtido por meio de um complexo processo de reciclagem que prevê a identificação e a separação dos materiais plásticos e, em seguida, a sua lavagem e descontaminação. No passo sucessivo, o material é desfiado e extrudado até a obtenção de um granulado que poderá ser enriquecido com cargas inorgânicas, minerais ou de reforço como carbonato de cálcio, talco, esferas de vidro e sulfato de bário, por exemplo.

    A direção da empresa italiana explica que no final do processo uma percentagem de polipropileno virgem também é adicionada ao Polyecolene e que o resultado final são grânulos semelhantes a uma resina virgem, mas com custos inferiores, pois é derivada de plásticos regenerados.

    Os representantes da Industrie Generali Spa garantem que “o Polyecolene possui excelentes propriedades mecânicas, térmicas e químicas, além de não ter cheiro, ser resistente à luz e ser fabricado em diversas cores”. De acordo com a empresa, a nova resina pode substituir até 30% de material virgem e representa uma alternativa para reduzir o consumo de produtos derivados do petróleo e diminuir a emissão de CO2, o chamado carbon footprint defendido por muitas empresas.

    O Polyecolene pode ser empregado em diferentes setores, principalmente aqueles que produzem componentes de alto valor agregado, e já está sendo utilizado em algumas peças de scooter e produtos para a indústria automotiva, em eletrodomésticos e em persianas pintadas.

    Supermercados também colaboram – E se para o cidadão comum os benefícios da reciclagem parecem algo intangível, basta pensar que, em 2011, uma das maiores redes de supermercados da Itália, o grupo Ipercoop, começou a comercializar diversos utensílios domésticos de largo consumo produzidos graças à coleta seletiva realizada diariamente pelos habitantes da região Toscana.

    Trata-se da linha de artigos “Utilgreen”, que oferece diversos produtos como vasos, cestas, vassouras, entre outros, vendidos a preços altamente competitivos e totalmente fabricados com plástico misto reciclado pós-consumo. “Essa iniciativa é uma maneira de oferecer aos cidadãos a chance de apoiar a campanha de defesa ecológica que levamos adiante e de ver de perto os resultados de uma fileira que começa em casa, com a coleta seletiva”, acredita Massimo Lenzi, diretor comercial do grupo Unicoop Tirreno.

    Na mesma região italiana, as prefeituras e entidades públicas locais também poderão obter um financiamento de até 40% para adquirir bens ou produtos fabricados com plásticos reciclados e que possuam o selo “Plastica seconda Vita”, certificado pelo Istituto per la Promozione delle Plastiche da Riciclo (IPPR).

    Em 2011, as inovações certificadas pelo IPPR que mais atraíram a atenção da mídia italiana foram a RadioBag, sacos de lixo fabricados com polietileno reciclado e uma etiqueta RFID. Fabricado pela Sfregola Materie Plastiche (SMP), o objetivo do produto público é monitorar de longe a coleta seletiva e, eventualmente, premiar os cidadãos que realizam corretamente esse processo. Tudo isso graças ao microchip presente em cada saco plástico que, com a radiofrequência, comunica o seu próprio código a um sistema externo de processamento de informações.

    A segunda grande novidade é a certificação “Plastica Seconda Vita Food Contact”, concedida à empresa Isap Packaging, localizada em Verona, no norte da Itália. O grande diferencial de sua linha de embalagens “clamshell” para produtos hortifrutigranjeiros é o fato de eles serem fabricados com PET reciclado e, mesmo assim, terem autorização para entrar em contato com produtos alimentares, respeitando todos os requisitos dos regulamentos europeus CE n. 10/2011 e CE n. 282/2008.

    Para as empresas e profissionais do setor de plásticos, outra iniciativa italiana que merece destaque é Matrec – Material Recycling (http://www.matrec.it), o primeiro banco de dados italiano sobre materiais e produtos reciclados.

    Atualizado constantemente, o objetivo dessa ferramenta criada pelo arquiteto e designer Marco Capellini é monitorar o emprego de material reciclado em substituição parcial ou total do material virgem utilizado.

    O site está dividido em diversas seções e apresenta informações sobre produtos, suas principais características e implicações para a sua reciclagem em áreas como as de embalagens, eletrodomésticos, veículos, pneus e construção. Entre as surpresas do site, existem materiais como aquele chamado “Yoghurt”, painéis realizados exclusivamente com resíduos de embalagens de iogurte, ou “100%”, material termoplástico inteiramente fabricado com embalagens de PEAD recicladas. Um excelente ponto de partida para explorar um mundo em constante evolução.



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