Embalagens

22 de fevereiro de 2009

Embalagens para cosméticos – Sofisticação e requinte ditam as regras do setor e impulsionam desenvolvimentos de alto nível

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Publicado por: Renata Pachione
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    O mercado de embalagens investe alto em inovações, para acompanhar de perto o dinamismo da indústria de cosméticos, higiene pessoal e perfumaria. Os transformadores apostam em tecnologias diferenciadas e oferecem ao setor ferramentas capazes de garantir muito mais do que a proteção dos produtos, tornando-os mais atraentes e funcionais. Os termoplásticos reinam nessa função, por assegurar flexibilidade aos designers e apresentar desempenho superior a outros materiais. Até mesmo em aplicações pouco convencionais, como a de perfumes de luxo, as resinas têm boa penetração, graças aos novos desenvolvimentos da indústria.

    As embalagens evoluíram muito em resposta aos cosméticos cada vez mais requintados e de altíssima qualidade disponíveis no mercado. E não se trata somente do aspecto visual. Além de seguir as mudanças na aparência dos produtos, as embalagens acompanham os avanços tecnológicos das formulações. Leda Coltro, coordenadora de um grupo de trabalho sobre embalagens para cosméticos do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea)/ Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), relata um exemplo: as composições para tratamento anti-idade requerem propriedades de barreira a gases para evitar a oxidação dos princípios ativos e para manter sua integridade na prateleira. “As embalagens mais sofisticadas são utilizadas para acondicionar produtos também sofisticados”, confirma. De forma geral, é preciso contemplar requisitos de proteção ao produto, ou seja, se o conteúdo for sensível à umidade, exigirá proteção ao vapor d´água, ou se frágil, solicitará resistência mecânica, e assim por diante. “Além disso, a praticidade de uso, a conveniência e o apelo visual estão sempre presentes no projeto das embalagens para cosméticos”, completa Leda.

    Os aspectos intrínsecos às formulações do conteúdo a ser embalado também são determinantes em um projeto. Deve-se observar, entre outros, a viscosidade e o comportamento reológico, antes de se decidir por um pote ou frasco, ou entre o frasco e a bisnaga. As características físico-químicas do produto estão relacionadas com possíveis interações da fórmula com o material da embalagem. Exemplos ficam por conta dos sachês para cremes de tratamento de choque para cabelo, nos quais há a necessidade de estruturas laminadas com alta resistência química e barreira ao oxigênio, em virtude da alta reatividade desse tipo de formulação, o que é conseguido com estruturas à base de filme de poliéster, polietileno e alumínio.

    Se a embalagem não for apropriada, pode estragar o seu conteúdo, por isso, a importância da barreira contra a contaminação em produtos cosméticos funcionais. Um exemplo fica por conta da embalagem de um creme anti-idade da L´Oréal, o Revitalift, composta de um duplo frasco que permite associar duas fórmulas exclusivas e complementares para o rosto e para o pescoço. “É um ácido retinóico com um veículo que só podem se misturar no ato da aplicação”, comenta Assunta Napolitano Camilo, responsável pelo Instituto de Embalagem e pela consultoria FuturePack – Estratégia e Inovação. Nesse caso, a embalagem de polipropileno (PP) clarificado é separada em duas partes, a fim de se evitar a união prévia do conteúdo.

    De acordo com Leda, quanto aos aspectos reológicos, deve-se considerar tanto a etapa de enchimento (quanto mais viscoso o produto, mais difícil do mesmo fluir na máquina e encher a embalagem) como a etapa de consumo. “Não pode ser difícil de remover o produto da embalagem durante o uso, além de que um mínimo de produto deve restar na embalagem, quando o conteúdo for removido”, explica. Seguindo essa linha de raciocínio, estão as válvulas utilizadas em bisnagas plásticas para condicionadores de cabelo que permitem a inversão da embalagem sem que haja perda do conteúdo e cortam o fluxo do produto quando a bisnaga não está sendo comprimida.

    A alma do produto – O projeto de embalagem para cosmético não admite muitas falhas. É uma forte estratégia de marketing, ou seja, mais do que algo para proteger o produto, funciona como uma ferramenta de comunicação. “A embalagem traduz a alma do produto”, afirma Assunta. Para Roberto Ribeiro, gerente de vendas – Plásticos Especiais e de Engenharia, da Eastman Chemical, a máxima “nenhum produto ruim é embalado em embalagens sofisticadas” ainda se faz notar no mercado. E quando a pessoa decide comprar um produto para resolver um “problema” estético, esta ideia se torna ainda mais verdadeira. “Digamos que se trate de algo para o rosto, alguém arriscaria comprar um produtinho qualquer para passar no rosto? Não, por isso digo: a embalagem também vende confiabilidade”, explica.

    Também existem algumas tendências mundiais a serem consideradas num projeto de embalagem. A conveniência é uma delas. Um exemplo prático fica por conta de uma pulseira de polietileno (PE) para embalar protetor solar. O modelo é um desenvolvimento internacional que ainda não chegou ao Brasil, mas representa uma boa oportunidade para esse segmento, comenta Assunta.

    “No cosmético, você não compra só o que precisa, e sim o que quer”, explica Assunta. Por isso, a embalagem assume um papel ainda mais determinante. Os profissionais da área são unânimes ao dizer que aspectos psicológicos estão associados a este tipo de consumo. Ou seja, nem sempre a pessoa opta por um produto em detrimento de outro somente por causa de sua função ou de uma necessidade. Muitas vezes, o status, a sensação de prazer imediato ou simplesmente a atração visual são decisivos.

    Plástico Moderno, Assunta Napolitano Camilo, responsável pelo Instituto de Embalagem e pela consultoria FuturePack – Estratégia e Inovação, Embalagens para cosméticos - Sofisticação e requinte ditam as regras do setor e impulsionam desenvolvimentos de alto nível

    Assunta aposta em embalagens funcionais, práticas e dotadas de um design inovador


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