Embalagens

28 de julho de 2011

Embalagem para cosméticos – Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores

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Publicado por: Renata Pachione
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    Plástico Moderno, Embalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores - Foto: Cuca Jorge

    O mercado de cosméticos avança de forma vertiginosa. Em faturamento e diversidade de produtos, a curva é ascendente. Dinâmica, a indústria de embalagens plásticas tenta seguir a mesma toada e investe em aumento de portfólio e capacidade produtiva. Todas as tendências apontam para o crescimento do consumo, seja com o surgimento de categorias de produtos de beleza ou de novos públicos. Atentos a esse movimento, os transformadores nacionais buscam assegurar a preferência do consumidor com desenvolvimentos inovadores, mas sobretudo de qualidade.

    Os dados do setor justificam esse interesse. Segundo o Euromonitor, o mercado brasileiro de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, no ano passado, era o terceiro maior do mundo, e se depender das estimativas de especialistas da área, não demorará muito para alcançar a vice-liderança. E não seria exagero. Em dez anos, seu faturamento cresceu de R$ 7,5 bilhões para R$ 27,5 bilhões (valor Ex-Factory, que representa o montante saído de fábrica, sem adição de impostos sobre vendas), como diagnostica a Associação Brasileira da Indústria da Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

    A entidade projeta para este ano faturamento de R$ 31,12 bilhões, o equivalente a um crescimento de 13,2% comparado a 2010. O potencial do setor sustenta a previsão. De acordo com a consultoria Euromonitor, em 2013, o consumo per capita do brasileiro de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos deve ser de 178 dólares. No ano passado, a soma era de 146,6 dólares. Nessa onda de expansão, a indústria de embalagens não fica atrás. Levantamento da Associação Brasileira de Embalagem (Abre) mostra aumento da sua produção física de 10,13% em 2010, e estima que os fabricantes nacionais deverão obter receitas próximas a R$ 44 bilhões, superando os R$ 41,1 bilhões do ano passado, dos quais as embalagens plásticas (rígidas e flexíveis) corresponderam a pouco mais de R$ 12 bilhões.

    Na rota dos investimentos – Mas juntos, os mercados da beleza e o de embalagens vão além desses números. “Temos nível internacional tanto na tecnologia quanto no design”, argumenta o coordenador acadêmico de pós-graduação do núcleo de estudos da embalagem da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Fábio Mestriner. Isso quer dizer que a indústria nacional de embalagens plásticas destinadas ao setor está em linha com outros países, em relação à qualidade e à diversidade de produtos? Ainda não. Pelo menos segundo alguns transformadores. “O país está completamente fora do mercado em se tratando de diversidade; em outros países é mais fácil encontrar uma embalagem standard para um projeto”, comenta Ricardo Dornelas, diretor da Vepakum, empresa fornecedora de embalagens para cosméticos. Para ele, o cliente brasileiro prioriza o custo, o que compromete os investimentos em inovação.

    Plástico Moderno, Embalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores

    Dispensador airless feito só com poliolefinas recebe prêmio

    Essa não é uma opinião isolada; é partilhada com Maurício Carini, gerente da Aptar Beauty + Home, subdivisão do grupo multinacional Aptar, líder em design e na fabricação de sistemas dispensadores. “Às vezes, um projeto fica só na prancheta, por causa do custo. Tem cliente meu que quer economizar centavos”, critica.

    Ultrapassada essa barreira financeira, produtos diferenciados não faltarão. A própria Aptar venceu a 23ª edição do DuPont Awards for Packaging Innovation, anunciada recentemente, com um dispensador airless voltado para o mercado de cosméticos. Trata-se do primeiro sistema a ser feito apenas de poliolefinas. Não há nenhum anel de vedação nem mola de metal, o que permite a reciclagem da embalagem por inteiro. Além disso, o redesenho da válvula garante que todo o conteúdo do frasco seja utilizado, eliminando o desperdício.

    O principal benefício, no entanto, segundo Carini, fica por conta do próprio conceito airless. O seu conteúdo não precisa de conservantes, pois o produto não tem contato com o oxigênio. Ele também ressalta que a embalagem se constitui de duas peças apenas, a fim de reduzir os custos de montagem e transporte. Esse sistema foi desenvolvido na França e é produzido tanto lá quanto na China. Por aqui, o primeiro cliente a adotá-lo foi O Boticário, em sua linha de produtos para barbear.

    Apesar de considerar as limitações da indústria brasileira, Carini também vê avanços. “Temos muitos clientes nacionais fazendo coisas interessantes. No Brasil há muito o que desenvolver, mas já melhoramos muito nos últimos dez anos”, argumenta. Esse tipo de abertura do mercado instiga os fabricantes a apostarem suas fichas no potencial do país. A 16ª edição da FCE Cosmetique – Exposição Internacional de Tecnologia para a Indústria de Cosméticos, que aconteceu de 24 a 26 de maio, no Transamerica Expo Center, em São Paulo, provou isso.

    A feira reuniu muitos expositores do mercado do plástico que apontaram como tendência as embalagens funcionais; no caso, aquelas capazes de aliar uma aparência diferenciada à praticidade e ainda a conceitos de sustentabilidade. Trata-se de um desafio e tanto, e talvez ainda longe da realidade dos fabricantes, mas, sem dúvida nenhuma, como anuncia Mestriner: “Uma combinação poderosa.” E quem acertar essa fórmula tem muito a ganhar, sobretudo porque, em alguns casos, o custo da embalagem para um produto cosmético pode representar 70% do seu total.


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