Embalagens

9 de julho de 2008

Embalagem – Indústria vence resistência dos varejistas e das donas-de-casa e prevê crescimento do pouch

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    A quantidade de plástico exposto em gôndolas de supermercados é crescente. O consumidor brasileiro parece finalmente ceder ao apelo dos stand up pouches. Alimentos tradicionalmente comercializados em vidro ou lata, rígidos, estão aderindo às embalagens plásticas flexíveis auto-sustentáveis. O mercado parece se direcionar para uma configuração que privilegia embalagens primárias feitas com plásticos flexíveis, secundárias de papel-cartão, e terciárias de caixas corrugadas. Até a chegada a esse estágio de competição com os sucedâneos, muitos desenvolvimentos em resinas, máquinas e estruturas de filmes foram necessários para diminuir custos e conferir às concorrentes plásticas propriedades que permitissem a substituição.

    Uma das características mais relevantes para o mercado de alimentos é a capacidade de barreira, como é chamado o poder da embalagem de reduzir a entrada ou a fuga de substâncias que alterem o produto embalado. Agentes ambientais, como a umidade e o oxigênio, afetam severamente a qualidade e a estabilidade dos alimentos.

    Desejado versus non grata – Para a indústria alimentícia, então, é essencial que as embalagens possuam a capacidade de evitar o contato de seus conteúdos com umidade, alguns gases, e luz, ou de impedir que percam aromas e substâncias, como gorduras.

    Alimentos secos, com baixo teor natural de umidade, ou desidratados, com baixo teor induzido, demandam embalagem com barreira ao vapor d’água, caso das bolachas, do café solúvel, do leite em pó, do amendoim, das nozes e da castanha. A permeação da umidade provoca a perda da crocância. Em outros produtos, como nas carnes frescas e industrializadas, nos derivados de tomate e nos produtos gordurosos, como a maionese, o grande vilão é o oxigênio, cuja ação faz surgir o ranço. Muitos alimentos, como a castanha-do-pará, são sensíveis a ambos os agentes, e necessitam de embalagens que confiram os dois tipos de barreira.

    A luz também pode ser um problema. Sendo uma energia radiante, ela acelera reações, principalmente as de oxidação. Pior: ela não só acelera um processo que já é prejudicial ao alimento, como, muitas vezes, induz, adicionalmente, processos de fotodegradação. O pigmento do presunto responsável pela sua cor rósea se torna facilmente acinzentado pela ação da luz. Outro agravante: em muitos casos, a transparência da embalagem é uma característica desejada, porque o consumidor, o brasileiro em particular, gosta de ver o produto embalado. O pior comprimento de onda para os alimentos, no entanto, é o da luz ultravioleta, graças à energia elevada, que degrada certas vitaminas e pigmentos e catalisa as reações de oxidação e formação de ranço.

    Outro efeito que pode ser necessário é a barreira ao aroma. Essa propriedade se diferencia do que a indústria chama de barreira a gases; pois, nesse caso, em geral, está se referindo ao impedimento da permeação do oxigênio. Na perda de aroma, a preocupação é com o escape de substâncias como o delimoneno, responsável pelo odor dos sucos de laranja. Além disso, parte dos aromas sofre oxidação e também se perde, tornando comum a combinação com barreira ao oxigênio. Um bom exemplo é o café, cuja exposição ao gás degrada o aroma característico, com perda de sua intensidade e o desenvolvimento do sabor de ranço. Centenas de compostos químicos contribuem para a formação do odor característico, e a perda de parte deles já desequilibra o aroma do produto. O cuidado também é justificado porque o olfato está muito ligado ao paladar, de modo que a perda de aroma é quase sinônimo da perda de sabor.

    No segmento de ração animal, é comum a barreira à gordura proveniente do alimento. Caso ocorra a permeação, a embalagem se torna pegajosa. Em muitas delas, a gordura age como solvente sobre as tintas de impressão e também pode causar a delaminação dos filmes plásticos.

    Co-extrusão, metalização e laminação – Para atender a essas necessidades por barreira, manter a qualidade e estender a vida útil dos alimentos, a indústria de plásticos fornece diversos filmes co-extrudados, combinando diferentes tipos de resinas, bem como filmes laminados com folhas de alumínio ou revestidos a vácuo com o metal (filmes metalizados), e combinações dessas possibilidades. Segundo a engenheira e pesquisadora científica do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Claire Sarantópoulos, na manufatura de embalagens com barreira ao oxigênio, são muito utilizados os filmes metalizados de polipropileno biorientado (BOPP), de poliéster orientado e de poliamida orientada (PA, ainda pouco utilizada no Brasil) e as resinas EVOH e PVDC. As poliolefinas, em geral, só conferem a barreira a gases quando metalizadas. Além da tecnologia convencional de barreira ao oxigênio proporcionada por resinas com essa característica, é possível combiná-la a uma modalidade de barreira denominada ativa, inserindo-se um absorvedor de oxigênio na estrutura do filme. Essa tentativa de melhorar o desempenho se iniciou com a adição de sachês contendo o absorvedor no interior da embalagem. Mas como esse item nem sempre é comercializado pelo fornecedor da embalagem, os produtores perceberam a oportunidade para agregar essa característica – bem como as margens dos produtores dos sachês. Com isso, foram desenvolvidas estruturas multicamadas contendo náilon e poliésteres oxidáveis, que aprisionam o oxigênio durante sua oxidação. A resina absorvedora, dependendo da concepção da embalagem, ajuda a suprimir o gás que já está presente no interior do invólucro, conferindo um desempenho que vai além da simples melhoria da barreira passiva.


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      Um Comentário


      1. Agnaldo Alves de Souza

        Olá, Veronica .

        Você que está no mercado de PVDC, saberia me dizer se é possivel reciclar o PVDC ?? eu gostaria muito e creio que isso colaboraria e muito para empresas como a sua, que fabrica este produto.

        Muito obrigado,
        Att
        Agnaldo Alves de Souza – 11 9 9996 2007



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