Plástico

22 de novembro de 2011

Eletrodomésticos – Novos produtos e avanços tecnológicos das resinas tiram o metal de grande fatia da ex-linha branca

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Publicado por: Nelson Valencio
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    Os plásticos estão ganhando tanto terreno na área de eletrodomésticos que uma recente publicação da Lanxess pontuou que o uso de metais já pode ser classificado como retrô nos aparelhos que povoam nossas casas. O que o fabricante de matérias-primas avançadas, principalmente plásticos de engenharia, defendeu é o avanço dos novos materiais. Esse mesmo ponto de vista pode ser observado entre os produtores de aparelhos como geladeiras e lavadoras de louça. É o caso da Mabe, dona de marcas como General Electric e Continental. “O uso de plásticos cresceu praticamente em todas as áreas. E grande parte disso decorre dos novos materiais e das novas tecnologias para moldá-los, além de necessidades de design e engenharia”, detalha Leonardo Romeu, coordenador de design do fabricante.

    No caso dos eletrodomésticos, o especialista acrescenta que os plásticos cresceram por melhorar três características: funções, formas e acabamentos. Segundo ele, em geral, o plástico agrega desde facilidades de produção e montagem até designs inovadores, passando por melhores condições técnicas. O executivo lembra que o material pode reduzir custos sem alterar as configurações do produto. “No caso do design, o plástico gera novos conceitos de produtos para atender consumidores cada vez mais exigentes.”

    Um exemplo da flexibilidade do material é a possibilidade de atender à demanda por novos acabamentos e texturas. Para dar conta dessa tendência, identificada em seu público consumidor, a Mabe aposta no uso de plásticos “inteligentes”, que mudam de cor com a temperatura, e na adoção da nanotecnologia em materiais bactericidas, o que aumenta o uso do produto em refrigeradores, evitando a propagação de bactérias nos alimentos.

    O design, que já foi mapeado há tempos como apelo de vendas, pode ser retrabalhado com o incremento de materiais plásticos, segundo o executivo. No caso da Mabe, Romeu cita os refrigeradores, em particular, o GE In.Genius e o Continental Massima. Ambos possuem puxadores de ABS, com pintura metalizada. No caso do Glass Cooktop Continental, outro produto da marca, os manípulos ou botões possuem duas peças (ABS e PBT), sendo uma injetada na cor e outra de ABS com pintura metalizada e textura escovada.

    Nos fogões Continental Innovazione, o botão do forno é o destaque. “Criamos, em conjunto com nossos fornecedores, um acabamento de inox radial na peça central do botão feita de ABS, com textura e pintura metalizada”, explica o executivo. “Em todos os exemplos, o plástico foi de suma importância nos detalhes, gerando produtos modernos e mais competitivos”, completa.

    Apesar de usar resinas em praticamente toda a linha de produtos, a Mabe mapeia os aparelhos que mais reivindicam o plástico: as lavadoras de roupa e os refrigeradores. No caso dos fogões, a empresa adianta que existem restrições em virtude das altas temperaturas, mas os exemplos já citados indicam que peças como botões, puxadores, interruptores e pés de plástico fazem parte dos insumos.

    Singularmente, os fogões aparecem com destaque entre os plásticos de engenharia. “Tivemos um caso em que duas peças, uma travessa de aço carbono e um pé plástico, foram transformadas em uma única peça plástica feita de PP, reduzindo custos de fabricação, montagem e adicionando melhor qualidade”, informa Romeu. O coordenador de design destaca ainda a linha de fogões Continental Innovazione pela utilização de pés estruturais plásticos de PP, em conjunto com uma capa de acabamento fabricada de ABS branco ou metalizado.

    De forma genérica, os maiores consumos de matéria-prima no caso da Mabe incluem: ABS, PBT, náilon, PS cristal, poliestireno alto impacto (PSAI), PP, PP randômico, policarbonato (painéis eletrônicos e decorativos) e o PVC. O fabricante também sabe onde os materiais não devem avançar. É o caso de peças que exigem grande resistência à temperatura e à abrasão. Um exemplo de substituição ainda difícil é a do vidro. “Ele continua insubstituível quanto à qualidade de limpeza, resistência à temperatura e nobreza de acabamento”, argumenta Romeu.

    O tema substituição, aliás, está na agenda da Sabic Innovative Plastics. Para Ricardo Knetch, presidente da Sabic Innovative Plastics do Brasil, os plásticos são materiais muito versáteis e podem ser usados nas mais adversas condições. “No contexto dos plásticos de engenharia, que são nossa especialidade, é comum a substituição de materiais convencionais, caso dos metais, cerâmicos e até da madeira”, avalia.

    “Isso acontece principalmente quando os substituídos implicam aumento de peso e dificuldades de processamento, afetando a otimização de produtos tanto do ponto de vista técnico quanto financeiro”, completa. O executivo lembra que o mercado de eletrodomésticos tem parâmetros de fabricação que favorecem o plástico, caso do aspecto estético e da liberdade de design.

    Os dois ganhos citados por ele não são os únicos. A avaliação da Sabic inclui como principais vantagens a redução de peso, resistência à corrosão, produtividade, simplificação de processos com eliminação de operações secundárias e a integração de peça. “Outras vantagens podem ser destacadas, se incluirmos a diferença entre plásticos convencionais e plásticos de engenharia. Estes últimos oferecem ainda resistências diferenciadas tanto às intempéries como também resistências térmica e mecânica singulares”, diz Knetch.


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