Plástico

3 de julho de 2007

Distribuição – Rearranjo petroquímico força mudanças no varejo que enfrenta margens pífas excessiva concorrência

Mais artigos por »
Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
+(reset)-
Compartilhe esta página
    Plástico Moderno, Roberto Cuschnir, diretor da Ruttino, Distribuição - Rearranjo petroquímico força mudanças no varejo que enfrenta margens pífas excessiva concorrência

    Para Cuschnir, os conceitos da distribuição serão revistos

    O mercado brasileiro de distribuição termina o primeiro semestre do ano com maior demanda, porém prejudicado pelo forte assédio de resinas importadas, favorecidas pela valorização da moeda nacional; e pela alta competição, resultado do excessivo número de empresas na distribuição e revenda. Por conta desse quadro, as margens caíram tanto que beiram o insustentável nos negócios das commodities. Caso à parte, as resinas de engenharia ainda conseguiram algum fôlego, graças a novas aplicações e ao bom desempenho, em particular, da indústria automotiva, e constituíram um alento aos distribuidores desse ramo.

    Problema antigo do setor, a distribuição ainda sofre com o excesso de concorrência e a freqüente abertura de novas pequenas empresas. Além disso, o câmbio favoreceu a atuação mais agressiva de fortes competidores internacionais.

    “Cresceu muito o número de distribuidores e as importações começam a incomodar. A concorrência e a oferta aos clientes são grandes”, lamenta Roberto Cuschnir, diretor da Ruttino, de Barueri-SP. Na opinião dele, o quadro deve se manter no segundo semestre. “As margens estão muito pequenas e as vendas estáveis.”

    Para assegurar a boa saúde, a empresa investe em profissionais qualificados, treinamentos e tem projetos com relação a novos produtos, que o diretor prefere, por ora, manter em sigilo. Hoje, a Ruttino é distribuidora oficial dos polietilenos e polipropilenos da Braskem, do poliestireno da Dow, do ABS da Lanxess, do SAN da Bayer e do acrílico da Unigel.

    Plástico Moderno, Carlos Belli, diretor-comercial da SPP Resinas, Distribuição - Rearranjo petroquímico força mudanças no varejo que enfrenta margens pífas excessiva concorrência

    Belli: a concentração será um fluxo natural dos negócios

    Outras competidoras renomadas também sofreram as agruras da excessiva concorrência e das margens pífias. O diretor-comercial da SPP Resinas, Carlos Belli, queixou-se da forte penetração de resinas importadas, polipropileno em particular, e a conseqüente queda da margem bruta.

    “Continua muito ruim a lucratividade das operações no mercado de polietileno, que, na nossa visão, tende a se manter até o fim deste ano.” Demanda aquém das expectativas, queda de vendas no primeiro semestre, margens muito baixas e aumento desenfreado da inadimplência marcaram o primeiro semestre da Clion, de São Paulo, empresa do grupo Suzano.

    “O nível atual de rentabilidade não suporta manter o negócio viável”, informa Alexandre Couto, gerente-comercial. “O número de jogadores é elevado demais para o tamanho do mercado, fazendo com que a distribuição sofra com margens muito pequenas”, avalia Wilson Donizetti Cataldi, diretor da Piramidal, de Barueri-SP, e também presidente da recém-criada Associação de Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast).

    Plástico Moderno, Wilson Donizetti Cataldi, diretor da Piramidal, Distribuição - Rearranjo petroquímico força mudanças no varejo que enfrenta margens pífas excessiva concorrência

    Cataldi prevê distribuição menor, mais forte e profissional

    O cerco se fechou mais nos últimos anos e restringiu a atuação dos distribuidores para cerca de 20% da resina produzida, contra 50% há cerca de cinco anos. O lado perverso da nova situação fica por conta de uma fatia menor de mercado a ser disputada por um número muito alto de distribuidores.

    Além de menor, a fatia também perdeu “gordura”: a parcela dos transformadores de médio porte, que representava melhores volumes de negócios, está nas mãos das petroquímicas.

    “A distribuição perdeu o foco atendendo transformadores de médio porte, trocando de identidade com a petroquímica, que acabou retomando esse mercado. A distribuição ficou sem esses clientes e tendo que dividir os pequenos transformadores com número excessivo de concorrentes”, lamenta Daniela Dias Janota Antunes Guerini, diretora-comercial da Mais Polímeros, de Cajamar-SP. Na opinião dela, a petroquímica deve reorganizar a sua distribuição e criar uma política para ela.

    A fim de superar o momento de crise, a Clion optou por complementar o portfólio com polietileno importado do mercado spot, em condições de maior rentabilidade, porém sem choque com os produtos de seus parceiros. Em paralelo, adotou medidas para manter a saúde financeira. “Para suportar esse período, a Clion controla a questão de limite de crédito dos clientes, bem como acompanha os pagamentos em seus vencimentos”, relata Couto.

    No ano passado, a empresa implantou nova filial em Curitiba-PR e expandiu o portfólio de produtos, com as resinas da Petroquímica Triunfo (PEBD, PEMD e EVA). O investimento em 2007 se voltou para o pessoal. “Estamos aumentando nosso quadro comercial para melhor atender os nossos clientes”, destaca o gerente.

    Também do grupo Suzano, a SPP concentrou esforços para promover mudanças internas e na comunicação com o mercado. “Cada dia é maior a necessidade de possuirmos profissionais que estejam sempre preparados para as oportunidades de mercado”, diz Belli. Quanto a produtos, a distribuidora está priorizando linhas de maior valor agregado e procurou estabelecer alianças com fabricantes locais e internacionais de especialidades.

    Na Mais Polímeros, as recentes injeções de recursos também beneficiaram a comunicação. “Investimos em novo sistema on-line com todos os nossos representantes, permitindo acesso às informações em tempo real”, diz Daniela. A empresa atende a Riopol e a Suzano.

    Novo ciclo – O projeto para a criação de uma entidade representativa do setor, amadurecido por anos, concretizou-se há poucos meses e em excelente hora. O início das atividades da Adirplast coincide com um momento de transição e mais mudanças a caminho no mercado varejista. Por anos a fio o setor lutou para se profissionalizar, se organizar, e se firmar como braço comercial das petroquímicas.


    Página 1 de 41234

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *