Plástico

8 de fevereiro de 2011

Distribuição – Novas mudanças alteram o perfil do mercado varejista de resinas

Mais artigos por »
Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
+(reset)-
Compartilhe esta página

    O mercado distribuidor de resinas avançou em seu processo de consolidação e mudou o rumo para um novo paradigma, distanciado da ação e concorrência direta da segunda geração petroquímica. O novo modelo transfere à distribuição independente a responsabilidade de abastecer a indústria de transformação sem cacife para compra em alta escala. Último resquício do mapa antigo, a Unipar (herdada pela Braskem, do grupo de mesmo nome) foi vendida pela megafabricante de termoplásticos no início de dezembro do ano passado. Poucos meses antes, a Varient (empresa nascida da cisão da unidade de negócios de polímeros da quantiQ, rebatismo da Ipiranga Química, também repassada à Braskem no processo de consolidação) já havia saído debaixo das asas da petroquímica.

    Outro fato marcante de 2010 para a distribuição foi um aumento significativo nas importações das commodities. Os excedentes de resinas no mercado internacional, gerados por conta da recuperação lenta da economia global, o real apreciado, a guerra fiscal entre estados (em particular no Sul) e até o crescimento do país, entre outros fatores, abriram as comportas para as importações de termoplásticos. Favorecida pela estabilidade econômica, a demanda interna cresceu, mas os importados absorveram boa parte desse aumento. Engordaram sobremaneira a sua fatia no mercado e impuseram um freio brusco à expansão dos distribuidores nacionais. O produto estrangeiro entrou com força no país em especial nos polipropilenos e nos polietilenos, e sinalizou intenções de fincar raízes.

    Não que em anos anteriores o varejo nacional tenha tido total soberania na casa dos transformadores. A resina importada frequentava esses ambientes, sim. O fato relevante é que, no ano passado, entraram com muito mais vigor e tomaram parcela significativa do mercado distribuidor.

    A disposição estrangeira foi tamanha que chegou a provocar um desarranjo no setor. “Mexeu muito e a distribuição oficial teve dificuldades para crescer”, relata o diretor da Fortymil, Ricardo Mason. “Mas a tendência é de que haja uma acomodação, um ajuste do mercado de importados e a convivência entre os produtos nacionais e uma parcela de importados”, opina o diretor da Piramidal, Wilson Donizetti Cataldi. Para ele, haverá uma depuração: a “peneira” reterá apenas quem souber operar, ser eficiente, formar preços e não deixar problemas fiscais para os pequenos e micro transformadores.

    O diretor da Fortymil pensa de modo semelhante. Nesse rol de novos importadores, Mason acredita haver empresas que têm mesmo um perfil de distribuidor e que tendem a se consolidar no setor. “Então, naturalmente, o mercado se acomodará.”

    Plástico Moderno, Daniela Dias Janota Antunes Guerini, Diretora da Mais Polímeros, Distribuição - Novas mudanças alteram o perfil do mercado varejista de resinas

    Planos de Daniela contemplam expansão em outros estados

    Mas não foram apenas os distribuidores que enfrentaram forte assédio dos produtos estrangeiros. O mesmo problema afetou a indústria de transformação, prejudicada com a entrada desenfreada de peças plásticas acabadas. Cataldi critica a situação sustentada pelo real sobrevalorizado e portos incentivados: “Criou um grave desequilíbrio na indústria do plástico; tira empregos e impostos”, lamenta. E acrescente ainda: “Dificulta o crescimento da demanda doméstica de resinas, visto que, com produção menor, o transformador compra menos.”

    Nesse cenário adverso, o diretor da Piramidal se empenhou para manter o seu market share. Conseguiu, mas sacrificou margens, que ficaram espremidas e, por vezes, até negativas. Diretora da Mais Polímeros, Daniela Dias Janota Antunes Guerini também precisou estreitar margens para enfrentar a forte concorrência dos importados. “Tivemos um ano difícil, de muita incerteza, com a maior escalada de entrada de resinas importadas, mas o novo modelo de distribuição brasileira também incorpora esses produtos”, aceita.

    O redesenho do setor insere ainda outra tendência: a da distribuição com abrangência nacional. Não à toa, Daniela planeja capilarizar os seus negócios em outros estados e sustentar um crescimento projetado da ordem de 35% a 40% neste ano.

    Inaugurada recentemente no Centro-Oeste do país, uma nova unidade da empresa já está em operação. As duas mais antigas situam-se em São Paulo e Paraná. Somadas, as três armazenam até 85 mil toneladas anuais. Ainda em 2011, Daniela pretende abrir uma quarta filial. Mas prefere não divulgar o local escolhido.

    Plástico Moderno, Paulo Cavalcanti, Distribuição - Novas mudanças alteram o perfil do mercado varejista de resinas

    Investimento rendeu a Cavalcanti escala maior e logística melhor

    A Mais Polímeros atua com as bandeiras da Quattor (polietilenos, polipropileno e EVA) e da Unigel. Conquistada recentemente, esta última adicionou ao portfólio a linha de poliestireno. A logística da distribuidora é mista em todas as unidades: possui transporte próprio, para entregas rápidas, e um parceiro forte instalado dentro da empresa, para o restante.

    A forte pressão dos importados também atingiu a Sasil. No primeiro trimestre do ano a empresa até se beneficiou de alta considerável nos volumes e aumento de preços – dobradinha que possibilitou um bom desempenho nos negócios. Mas, a partir de então, sentiu o reflexo do aumento expressivo nas importações e a correção de preços para baixo. “No terceiro e quarto trimestres do ano sentimos um equilíbrio nos ajustes de preços, mas os produtos importados e os benefícios fiscais estaduais, principalmente em Santa Catarina, ainda prejudicaram muito as nossas margens”, informa o presidente do grupo, Paulo Cavalcanti.

    Na opinião do gerente geral da Entec/Ravago, Osvaldo Cruz, a entrada de fato de insumos importados em volumes regulares e significativos denota várias deformações macroeconômicas e falta de infraestrutura no país. “Trabalhamos muito para fugirmos da tentação de simplificar toda uma atividade econômica, que é a distribuição, em um único tópico: o menor preço ofertado é o vencedor”, comenta. A sua estratégia consistiu em conhecer os produtos importados, os serviços oferecidos e explorar aspectos que permitissem à empresa manter a competitividade. “E o fizemos com um razoável sucesso.”


    Página 1 de 41234

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *