Plástico

1 de agosto de 2012

Distribuição de resinas – Setor recupera capacidade de competir com o fim das importações incentivadas e a valorização do dólar

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Algumas mudanças positivas marcaram o mercado varejista de resinas termoplásticas no primeiro semestre deste ano, alentando o distribuidor perante uma demanda espremida, margens apertadas e outros efeitos deletérios da crise econômica globalizada, aliados a problemas viscerais do setor. Uma das mais comemoradas, o decreto nº 897, de 26 de março de 2012, revogou os tratamentos tributários diferenciados e pôs fim à farra das importações de resinas com fartura de incentivos fiscais em Santa Catarina. Também a valorização do dólar conferiu ao distribuidor brasileiro maior competitividade com o concorrente estrangeiro. Além disso, o setor vislumbra solução para uma pendenga antiga: o combate à concorrência predatória, caracterizada pela atuação agressiva de revendedores, muitos deles abastecidos por transformadores travestidos de canais de revenda.

    Competição saudável– A queda nos incentivos fiscais em Santa Catarina devolve à distribuição a capacidade de competir; e por isso foi comemorada de modo especial. Não à toa. Por suas vias marítimas, entrava mais de 70% do volume de resina importada, procedente principalmente da África do Sul, Coreia e Estados Unidos, segundo informa Laércio Gonçalves, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas e Bobinas Plásticas de BOPP e BOPET (Adirplast), também diretor da Activas. O volume, apurado em 2011, comprova, nas palavras do executivo, “a evidente discrepância dos incentivos fiscais daquele estado”.

    Plástico, Laércio Gonçalves, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas e Bobinas Plásticas de BOPP e BOPET (Adirplast), também diretor da Activas, Distribuição de resinas - Setor recupera capacidade de competir com o fim das importações incentivadas e a valorização do dólar

    Laércio Gonçalves:mais de 70% das importações de resinas usavam os portos catarinenses

    Na opinião dele, o fim desses benefícios e o dólar mais caro tornam menos competitivas as resinas importadas, reduzindo o interesse dos importadores oportunistas em manter o negócio no setor. “A tendência é a de que os aventureiros parem de importar, mantendo-se no mercado somente as empresas profissionais”, acredita.

    Isac Assis Nunes, gerente comercial da Replas, e Osvaldo Cruz, gerente-geral da Entec, assinam embaixo. No entender do primeiro, a mudança deve afastar do setor empresas predadoras, que se aproveitam do incentivo fiscal para importar sem comprometimentos qualquer tipo de mercadoria. “Sem a expertise necessária no segmento de resinas e sem a visão estratégica de abastecer o mercado de forma regular e com os mesmos grades, mantendo estoques locais e fazendo um trabalho efetivo de distribuição.”

    Cruz também acusa esses agentes de atuar sem qualquer compromisso com o negócio da distribuição de resinas plásticas e atribui a eles essa situação de desordem no setor. Para ele, a nova legislação resgata a concorrência saudável. “A competição é salutar, a importação é necessária e os incentivos são parte do jogo, porém, o que vinha ocorrendo em Santa Catarina era uma deformação”, desabafa.

    Diretor da Fortymil, Ricardo Mason engrossa as críticas, ressaltando que os últimos três meses concentraram maior pressão desses players. “Janelas de incentivos de impostos e dólar baixo favoreceram a entrada de uma enxurrada de especuladores”, denuncia.

    “A concorrência será mais justa”, endossa a diretora da Mais Polímeros, Daniela Dias Guerini, preocupada ainda com outro sério problema da cadeia, o mesmo que inquieta o diretor da Piramidal, Wilson Donizetti Cataldi, e ainda o presidente da Adirplast: a nova legislação em vigor no estado de Santa Catarina não interfere nas importações incentivadas de transformados plásticos. Só, como diz Cataldi, pega em cheio o importador de resinas plásticas, mas não interfere no incentivo às compras de transformados plásticos fabricados no exterior. “A importação de produtos acabados continua com benefícios em todo o país”, lastima.

    Por conta dessa situação, principal foco de um processo de desindustrialização que assola a terceira geração petroquímica, Gonçalves se indaga até quando a indústria de transformação nacional comprará resina, com os transformados importados mais competitivos que os produtos plásticos moldados no país.

    Com sua produção encolhida, o transformador brasileiro perde o poder de investir, compra menos resina e despede funcionários; e ainda convive com uma elevada carga tributária e dificuldades para obter crédito. Esse cenário tem induzido muitos empresários a simplesmente desligar as máquinas e importar as peças prontas.

    “O meu cliente sofre muito com a entrada de produtos acabados, que chegam com incentivos dos portos, criando muitos problemas; isso tem que ser tratado”, testemunha o diretor da Piramidal, que vivencia um quadro de inadimplência e de aumento nos pedidos de prorrogações de pagamento.


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