Plástico

16 de fevereiro de 2008

Distribuição de resinas – Rearranjo petroquímico força também o varejo a promover fusões e ganhar musculatura para competir

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Publicado por: Simone Ferro
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    As recentes mudanças ocorridas no setor petroquímico nacional certamente vão alterar o cenário da distribuição brasileira de resinas. Basta saber como as operações dos dois fornecedores, a Braskem e a empresa provisoriamente chamada de Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS), refletirão no varejo a médio e longo prazo. A primeira alteração será a redução no número de distribuidores, arriscam os especialistas do setor, para os quais algumas fusões ocorridas desde o ano passado já esboçam o novo desenho da distribuição.

    Em outubro, a SPP Resinas e a Clion uniram forças a fim de reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e aperfeiçoar o atendimento ao mercado transformador. Em janeiro, Piramidal, Ruttino e Polimarketing deram origem à nova Piramidal, cujas operações vão movimentar mais de 100 mil toneladas de resinas por ano.

    Plástico Moderno, Distribuição de resinas - Rearranjo petroquímico força também o varejo a promover fusões e ganhar musculatura para competir

    Estima-se ainda que a nova Piramidal terá 19% de participação no mercado brasileiro de distribuição e 24% nos volumes do sul e sudeste do país, conforme informações divulgadas no site da empresa. Os números garantem o título de maior distribuidora da América Latina.

    No fechamento desta edição, a família Antunes, que detinha 33% de participação na Mais Polímeros, anunciou a compra do restante das ações e assumiu o controle total da empresa.

    A Muehlstein Internacional, há pouco, anunciou as últimas ações para consolidar sua integração com o grupo Ravago, realizada no primeiro semestre de 2007. A fusão criou o maior grupo de distribuição e fornecimento de compostos do mundo, com vendas anuais de 3,6 milhões de toneladas e faturamento acima de US$ 5,5 bilhões em 2007. A participação da América Latina ficou em torno de 500 mil toneladas, com faturamento de US$ 840 milhões.

    Entre as ações anunciadas está o alinhamento de todas as companhias do grupo, nos vários países em que atua, em virtude dos negócios existentes e do novo portfólio de produtos e serviços a serem oferecidos. Com isso, a distribuição de resinas nas Américas estará sob a marca Entec, e a Muehlstein passa a se chamar Ravago do Brasil. As mudanças ocorreram a partir de fevereiro.

    Juntas, SPP e Clion movimentaram, no ano passado, 53 mil toneladas de resinas, entre commodities e especialidades. “Houve um crescimento de 10% em volumes em relação a 2006”, afirma Carlos Belli, diretor-comercial, da SPP Resinas.

    A SPP, aliás, se mantém como a principal distribuidora da ex-Suzano Petroquímica, atual Nova Petroquímica, mudança ocorrida após a aquisição da Suzano pela Petrobras. “A tendência em qualquer setor da economia é buscar eficiência, baixar custos e aumentar escala. Portanto, considero natural a diminuição do número de distribuidores nos próximos anos. Apenas as empresas com forte presença na América do Sul deverão cumprir o papel de distribuidor petroquímico.”

    Na avaliação de Belli, o setor está preparado para mudar de patamar, não só na eficiência e escala, mas sobretudo na gestão. “Está acabando a época dos donos de revenda e distribuidores que, de forma amadora, conquistam mercados e clientes. Entendo que as operações deverão ser muito mais profissionalizadas e focadas na eficiência, ética, lucratividade e transparência, conferindo segurança para quem compra e para quem vende.”

    Dessa opinião compartilha o diretor da Fortymil, Ricardo Mason, que também aposta no redimensionamento do número de distribuidoras por bandeira. “A petroquímica vai buscar um modelo mais eficiente de distribuição de seus produtos. Um número muito grande de distribuidores conflita com o modelo de gestão das próprias companhias.” Mason defende, ainda, que a reestruturação da petroquímica reforça a tendência de uniformidade nos preços e no abastecimento para o setor de distribuição.

    O gerente-comercial da área de polímeros da Unipar Comercial, Jaime Utrera, acredita que a reestruturação do setor petroquímico vai forçar a readequação de algumas revendas e distribuidores. “Quem ficar de fora da distribuição oficial vai buscar outras alternativas e nichos que sustentem a sua operação. Essa é a nova realidade do mercado nacional.”

    Mercado abastecido – A garantia de fornecimento de resinas termoplásticas é outro ponto bastante debatido. O aumento da escala de produção das duas companhias sustentará o aquecimento da economia nacional e evitará problemas em virtude das paradas programadas de três centrais de matérias-primas, de acordo com as previsões do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp). “A reestruturação da petroquímica nacional acompanha o cenário internacional de mercado. Estamos
    ingressando em uma nova era, com a operação de dois gigantescos produtores de polipropileno e polietileno”, declara a gerente-comercial da Mais Polímeros, Simone Bittar Daher.

    Na avaliação de Simone, a ampliação da escala vai contribuir para aumentar a competitividade do setor. “Trabalhamos lado a lado com a petroquímica, buscando maior participação de mercado e nos preparando para as paradas, a fim de atender a todos os clientes”, afirma. “A petroquímica brasileira se fortaleceu muito com a reestruturação e se tornou competitiva globalmente”, opina o diretor-comercial da Apta Resinas, Marcelo Berghahn.

    O resultado, na avaliação do executivo, será a maior estabilidade no abastecimento do mercado nacional, tanto diretamente quanto por meio dos distribuidores. “Esperamos também o nivelamento dos preços, pois internamente as resinas commodities ainda são mais caras em relação à cotação internacional.”


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