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10 de fevereiro de 2016

Distribuição de resinas: Câmbio favorece produto nacional, mas demanda dá sinais de enfraquecimento

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Publicado por: Antonio Carlos Santomauro
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    Plástico Moderno, Distribuição de resinas: Câmbio favorece produto nacional, mas demanda dá sinais de enfraquecimento

    O mercado nacional, sabem todos, segue difícil – especialmente para a atividade industrial – os indicadores econômicos permanecem muito ruins, o dólar subiu rápida e intensamente, e não se sabe qual será, ou se haverá, um patamar de estabilidade, as questões políticas parecem emperrar qualquer possibilidade de medidas mais incisivas. E no horizonte ainda não se nota nenhum sinal de melhora. Há um possível alento causado pela redução da concorrência de produtos prontos importados, desfavorecidos pelas atuais taxas cambiais, e pelo incremento das exportações: alternativas, porém, insuficientes para contrabalançar as enormes dificuldades citadas.

    Tal conjuntura também afeta os negócios dos distribuidores de resinas, hoje impactados não apenas pela queda no ritmo de atividade de vários de seus clientes, mas também pela disparada do dólar, moeda que precifica os vários componentes importados integrantes de seus portfolios e é parâmetro relevante na formação dos preços cobrados pelos fornecedores nacionais. Natural, então, que os desempenhos relatados por eles não sejam nada satisfatórios, especialmente quando apresentados em termos de volumes comercializados (nos faturamentos em reais as quedas foram menos drásticas, pois o dólar alto também significou preços mais altos na moeda brasileira).

    Plástico Moderno, Gonçalves: agronegócios e cosméticos seguem comprando

    Gonçalves: agronegócios e cosméticos seguem comprando

    Na Activas, por exemplo, o volume comercializado no decorrer deste ano deve ser aproximadamente 20% inferior ao atingido em 2014, conta Laércio Gonçalves, diretor-geral dessa distribuidora e presidente da Adirplast (Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins). “No faturamento em reais podemos ter até um leve aumento”, acrescenta.

    Os clientes da Activas, prossegue Gonçalves, relatam quedas de até 50% de em seus faturamentos; mostram-se, portanto, pouco interessados em investir em matérias-primas (ou então, sequer têm capacidade de investimento). “Creio que nas demais distribuidoras a situação não deve ser muito diferente da nossa”, pondera o presidente da Adirplast.

    Essa generalização das dificuldades do setor é referendada pelas palavras e Marcos Prando, diretor da Replas (distribuidora cujo portfólio inclui PS e PSAI da Videolar /Innova, BOPP da Videolar e resinas importadas de PP,PE,ABS,PVC). “Em volume, nossas vendas caíram cerca 25%”, aponta. “Trabalharemos para, em 2016, manter o mesmo volume de vendas deste ano”, ressalta Prando.

    Menos importação – O câmbio é apenas um dos influenciadores dos preços das resinas no mercado brasileiro. Há outros, como sua cotação internacional. Há alguns meses ela registrava queda e aliviava um pouco os efeitos da alta do dólar, mas ao menos momentaneamente a movimentação desses preços internacionais parece ter ingressado, se não em trajetória ascendente, ao menos em um patamar de maior constância.

    A cotação do PE, por exemplo, caiu durante a primeira metade deste ano, mas agora parece ter se estabilizado na faixa de US$ 1,2 mil por tonelada, conta James Tavares, diretor da operação brasileira da SM Resinas, distribuidora sediada na Espanha que aqui comercializa, entre outros produtos, PE e especialidades da Dow, e PE para fios e cabos da Borealis (nesses dois casos, produtos importados, porém adquiridos também de operações locais dessas empresas).

    Tavares prevê: em decorrência da desvalorização da moeda brasileira, neste mês de outubro será novamente reajustado o preço do PE no mercado nacional. Na atual conjuntura, ele reconhece, não é possível repassar de uma única vez a valorização do dólar frente o real – que neste ano, até setembro último, já chegava a cerca de 50% – para os preços em reais das resinas. Resultado: “confirmada essa dificuldade de repasse, vemos uma redução dos volumes de resinas importadas e o crescimento da participação no mercado da matéria-prima produzida localmente”, pondera Tavares. Ele estima em cerca de 34% o peso da resina importada na demanda brasileira por PE.

    Sidnei Costa, gerente comercial da Fortymil, também fala em queda da participação do PE importado no mercado nacional, mas não porque os produtos fornecidos pelas petroquímicas brasileiras fiquem imunes ao câmbio. Como explicou, essas petroquímicas têm muito de seus insumos atrelados à moeda norte-americana, cujo encarecimento significa elevação também dos preços de seus produtos. “Mas com os fornecedores nacionais pode-se estabelecer uma política de preços que perdura um pouco mais – talvez um mês –, enquanto nas resinas importadas o impacto do câmbio é imediato”, argumenta.

    De acordo com Costa, a Fortmyl – cujo portfolio é composto por PE e PP da Braskem –, trabalha para obter este ano um volume de vendas que perfaça pelo menos 90% do volume de vendas realizado em 2014. “Não será fácil atingir essa meta”, reconhece.


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