Plástico

10 de novembro de 2011

Década de 90 – Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico Moderno, Década de 90 - Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimentoA década de 90 começou com a posse do primeiro presidente da república eleito por voto direto depois de muitos anos, Fernando Collor de Mello, que assumiu o governo com a inflação nas alturas, superior a 80% ao mês. Logo em seus primeiros dias de mandato, lançou o Plano Collor, acompanhado de gigantesco confisco monetário. Foi um choque. Depois do susto, a inflação até recuou. Mas não demorou a recrudescer. O país entrou em um dos maiores períodos recessivos de sua história. Para piorar, o presidente se envolveu em casos de corrupção e depois de forte manifestação nas ruas deixou o governo no final de 1992.

    Itamar Franco, vice de Collor de Mello, assumiu o comando do país. Depois de algumas tentativas de debelar a inflação, promulgou o Plano Real, em meados de 1994. Bem-sucedido, o pacote trouxe de volta ao país a tão sonhada estabilidade econômica. O ministro da fazenda de Itamar, Fernando Henrique Cardoso, tornou-se popular com o sucesso do real e foi eleito presidente da república nas eleições do final de 1994. Com a aprovação da reeleição pelo Congresso Nacional, voltou a ser o vencedor nas urnas em 1998.

    O setor do plástico não ficou imune à crise resultante do Plano Collor. A indústria de transformação sentiu o choque na pele. A edição sobre a Brasilplast de 1991 trouxe dados esclarecedores sobre as perdas sofridas. Um exemplo: o nível de empregos do setor caiu de 236 mil vagas em 1989 para 210 mil no primeiro trimestre daquele ano.

    Depois da forte estagnação dos primeiros anos da década, a economia começou a se recuperar com a estabilização da moeda. Os índices de crescimento até o final do século, no entanto, não chegaram a empolgar. Para a cadeia dos plásticos, a evolução tecnológica continuou a colaborar, com as conquistas de novos mercados e o surgimento de aplicações nas quais os polímeros substituíram outros materiais. A informática tornou os equipamentos mais velozes e precisos. A automação, obtida com o auxílio de periféricos sofisticados, beneficiou os resultados nas linhas de produção, tornando a matéria-prima cada vez mais competitiva.

    Estragos – Os estragos causados pelo Plano Collor puderam ser conferidos já em 1990, ano da edição do pacote. Notícia publicada em dezembro informava que no período haviam sido transformadas 1,35 milhão de toneladas de resinas, redução de 3,6% em relação a 1989. A capacidade total dos produtores de commodities era de 2,2 milhões, mas apenas foram fabricadas 1,9 milhão de toneladas.Plástico Moderno, Década de 90 - Recessão gerada pelo plano Collor encolhe a indústria do plástico, que se sustenta nas conquistas tecnológicas para retomar o crescimento

    A estabilidade da moeda, com o lançamento do Plano Real, marcou o momento de recuperação. Confira os números publicados na edição de maio de 1996, data em que a Plástico Moderno completou um quarto de século. “Nos últimos 25 anos, o brasileiro sextuplicou o seu consumo anual de plástico, chegando aos 14,1 kg”, dizia o texto. O avanço não significou a aproximação do consumo brasileiro dos índices atingidos pelos países desenvolvidos, na época na casa dos 80 kg/ano.

    A reportagem fez a análise da desastrosa primeira metade da década. “Os ventos mudaram em 1990. O Plano Collor atingiu duramente a demanda e permitiu a abertura das fronteiras para países amigos e produtores concorrentes, ávidos por novos mercados nos quais pudessem colocar excedentes, até pela prática do dumping.” A ineficiência do setor público em administrar suas empresas piorava a situação. “Custos administrativos elevados, conjugados com a ilogicidade dos preços da nafta, óleos combustíveis, energia elétrica e fretes, compunham um quadro assustador.”

    A esperança, no entanto, mostrava o rosto com o início do programa de desestatização adotado pelo governo federal. No setor petroquímico, o processo começou pelo polo gaúcho, onde apenas a Petroquímica Triunfo manteve sua composição, aguardando decisão judicial sobre a disputa entre os acionistas. Com a iniciativa, os investimentos voltaram a dar o ar da graça. A oferta de resinas poderia quase dobrar de tamanho, passando das 2,6 milhões de toneladas produzidas em 1995 para 4,6 milhões de toneladas em futuro próximo. “Todos esses movimentos ressaltam o promissor mercado potencial para plásticos no Brasil, ainda dependente de políticas de distribuição de renda, alterações tributárias e de comércio exterior.”

    Em tempo: um fenômeno também influenciou bastante a indústria do plástico nos anos 90. Uma das iniciativas de Collor de Mello no período em que permaneceu no poder foi abrir a economia brasileira, até então muito protegida. Em paralelo, se fortalecia o fenômeno da globalização. Nos primeiros anos do governo FHC, o real se valorizou perante outras moedas. A importação de produtos começou a atrapalhar a indústria nacional.

    Boa notícia – Em meio à crise econômica do início da década, uma boa notícia para o setor de plásticos. O Brasil entrava no clube dos produtores de polietileno linear. Matéria de capa de dezembro de 1981 comemorava o fato. “Os produtores nacionais de polietileno preparam as taças de champanha para brindar o início da fabricação do tipo linear de baixa densidade molecular (PEL), até então disponível apenas por meio de importação. O evento é digno de comemoração, pois afinal o PEL faz parte da rotina europeia e norte-americana há mais de quinze anos. A Politeno e a Poliolefinas, instaladas em Camaçari-BA, saem na frente e prometem para abril e maio próximos, respectivamente, a inauguração das novas fábricas. A Politeno desembolsou US$ 135 milhões no empreendimento, enquanto a Poliolefinas investiu perto de US$ 152 milhões”, dizia o primeiro parágrafo da reportagem.


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