Plástico

10 de novembro de 2011

Década de 80 – Em meio a vários planos econômicos, os polímeros buscam espaço para crescer e substituem outros materiais em diversas aplicações

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico Moderno, Década de 80 - Em meio a vários planos econômicos, os polímeros buscam espaço para crescer e substituem outros materiais em diversas aplicaçõesOs anos 80 foram ricos em acontecimentos para o povo brasileiro. Uma campanha pelas eleições diretas para a escolha do presidente agitou a primeira metade da década. A pressão não funcionou, o Congresso vetou a proposta. O regime militar, no entanto, chegou ao fim. Tancredo Neves, representando a oposição, ganhou a eleição no Colégio Eleitoral e encerrou a sucessão de presidentes saídos dos quartéis. Não chegou a assumir. Adoeceu na véspera da transição e José Sarney, seu vice, tomou posse. A eleição direta só aconteceu em 1989, no final da década. Foi vencida por Fernando Collor de Mello.

    Na economia, muitas dificuldades. Períodos de crescimento se alternaram com outros de recessão. A inflação foi o pior problema. Ela não deu trégua aos brasileiros e recrudesceu na segunda metade da década. Vários projetos econômicos tentaram sem sucesso aplacar o problema. O mais famoso foi o Plano Cruzado, que em 1986 congelou preços e salários. No início, o pacote causou euforia. Depois, decepção. A mistura do aquecimento das vendas com preços tabelados provocou desabastecimento e o início de uma crise aguda.

    Para a indústria do plástico, o cenário foi marcado pela alternância dos momentos de expansão e contração da economia nacional. O cenário difícil foi amenizado pelo avanço da tecnologia. Quesitos como dimensões precisas, resistência mecânica, elétrica e térmica foram alcançados. Resinas substituíram com vantagens metais, madeira e vidro numa série de aplicações.

    Todos os métodos de transformação evoluíram. A injeção ganhou espaço na fabricação de peças antes inimagináveis, como para-choques ou painéis de automóveis. Filmes multicamadas fizeram sucesso na indústria de embalagens. O sopro passou a ser aproveitado na produção de peças técnicas, como tanques de combustíveis, por exemplo. Outros processos, como vacuum forming e rotomoldagem, também se aprimoraram. Foi um período rico em novidades, registrado pelas páginas da Plástico Moderno.

    Resinas – Uma ideia de como o sucesso do plástico em novas aplicações resultou no avanço do setor pode ser dado pela matéria publicada em setembro de 1987, onde foi destacado o cenário do mercado de resinas. Os números eram incrivelmente superiores aos do início dos anos 70. “O setor petroquímico nacional possui hoje capacidade para produzir 1,83 milhão de t/ano das principais resinas termoplásticas – PEAD, PEBD, PP, PS e PVC”, dizia o texto.

    As previsões, naquele momento, eram otimistas. “Até 1995, esse volume poderá sofrer acréscimo de 1,33 milhão de t/ano, caso seja cumprido à risca o Programa Nacional de Petroquímica (PNP), aprovado pelo governo federal no último dia 3 de agosto.”

    A necessidade de investimentos se justificava. “Para dimensionar melhor o volume da expansão prevista, é preciso considerar o consumo aparente de termoplásticos, em torno de 1,4 milhão de toneladas em 1986, 27,2% superior ao 1,1 milhão de toneladas consumidas em 1985. O mercado deverá ser capaz de assimilar essa expansão.” O plano previa um investimento global de US$ 4,8 bilhões, que seriam utilizados na criação de novas plantas nos polos de Camaçari e Triunfo, além de outros projetos. “Entre os termoplásticos de maior consumo, o PNP projeta maior incremento na produção de PVC, PEBD e PP, respectivamente.”

    Vale lembrar alguns nomes de empresas importantes na época. Os fabricantes de PEAD eram Eletro Cloro, Polialden e Polisul. Os de PEBD, Union Carbide, Poliolefinas, Politeno e Triunfo. Polibrasil, Polipropileno e PPH dividiam o mercado de polipropileno.Plástico Moderno, Década de 80 - Em meio a vários planos econômicos, os polímeros buscam espaço para crescer e substituem outros materiais em diversas aplicações

    Enfim, só – Em agosto de 1976, a Editora QD, sucessora da Abril na publicação das revistas Química & Derivados e Plásticos & Embalagem, deu início às publicações conjuntas dos dois títulos. Depois de anos de reclamações dos leitores, em novembro de 1982, época da inauguração do Polo Petroquímico de Triunfo (RS), elas voltaram a circular de forma independente. De quebra, a especializada em plásticos mudou de nome.

    “No mês de inauguração do complexo petroquímico do Sul, apesar dos estoques abarrotados de resinas em Camaçari e Capuava, resolvemos nos aventurar também e lançamos esta Plástico Moderno com o indisfarçável propósito de equiparação às melhores publicações do gênero. A saída da embalagem do logotipo foi compensada pela volta das borrachas às páginas internas da revista, equilibrando melhor a pauta. E, para não jogar fora dezessete anos de tradição no setor, preferimos sair com o número 124, da sequência normal, em lugar do inexpressivo número um”, dizia trecho do editorial.

    O número inaugural com o novo nome trouxe na capa reportagem sobre o uso do plástico no campo. A matéria destacava a oportunidade de negócios representada pelo uso crescente de resinas na atividade agrícola. Uma ótima notícia, ainda mais no momento em que a indústria apresentava desaceleração. O mercado se mostrava promissor. Apenas para o polietileno de baixa densidade estimava-se potencial de consumo de 300 mil toneladas por ano. Boas perspectivas também para o uso crescente do polietileno de alta densidade, polipropileno, PVC e plástico reforçado com fibra de vidro, matérias-primas já utilizadas em diversas aplicações.

    Polo de Triunfo – Com a entrada em funcionamento, no final de 1982, do polo petroquímico de Triunfo, a capacidade instalada para a fabricação nacional de termoplásticos se ampliava em 225 mil toneladas por ano. Os produtos a serem oferecidos eram os seguintes: 60 mil toneladas de polietileno de alta densidade, fabricados pela Polisul; 115 mil toneladas de polietileno de baixa densidade, da Poliolefinas; e 50 mil toneladas de polipropileno, da PPH.


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