Plástico

10 de novembro de 2011

Década de 70 – Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionaisOs militares estavam no poder nos anos 70. No início da década, a economia vivia o período batizado de “milagre econômico”. Com a ajuda de fortes investimentos do Estado na indústria de base, o país atingia índices de crescimento significativos. O setor petroquímico foi um dos beneficiados pelo cenário. Seu desempenho proporcionou importante impulso para a indústria do plástico, ajudada pela nacionalização da produção de resinas. Em 1973, a crise internacional do petróleo começou a gerar problemas para a economia do país. Dificuldades para o setor, ligado à petroquímica. Em 1979, outra crise internacional do petróleo agravou a situação. Crises à parte, os transformadores foram beneficiados pelo fato de o plástico ganhar terreno em novas aplicações.

    Na época do lançamento da revista, o brasileiro consumia em torno de 2 kg de plástico por ano. O número de empresas transformadoras era estimado em 1,2 mil. A primeira edição fez um resumo da história da transformação do plástico no Brasil. A reportagem explicava que o início de tudo ocorreu no começo da década de 40. As únicas matérias-primas disponíveis naqueles dias eram as resinas celulósicas e formólicas, o PVC, e o poliestireno produzido com monômeros importados. Na década de 50, ocorreram indícios mais fortes de desenvolvimento, com a importação e a incipiente produção nacional de novos materiais. Alguns segmentos industriais passaram a usar o plástico em maior escala, garantindo ao setor de transformação nacional o mercado necessário para sua expansão.

    “Apesar dos trinta anos de existência, a indústria nacional de plásticos só começou a apresentar indícios de desenvolvimento a partir de 1955. Até então, as únicas matérias-primas disponíveis no mercado brasileiro eram as resinas celulósicas e formólicas, PVC e poliestireno produzido com monômero importado.” O texto foi extraído da edição número 1 da Plásticos & Borracha. A reportagem adiantava o impulso que o setor, ainda com peso tímido na economia brasileira, teria com o desenvolvimento previsto para a indústria petroquímica.Plástico Moderno, Década de 70 - Indústria do plástico deslancha com a nacionalização de resinas, mas enfrenta a disparada nos preços do petróleo em duas crises internacionais

    “Em 1954, o Conselho Nacional de Petróleo estabeleceu as normas para a indústria petroquímica e teve início a fabricação de estireno, polietileno, metanol, formol e negro de fumo. Multiplicou-se também a produção de resinas e já por volta de 1965 o panorama do setor era promissor”, dizia a matéria. Na época, a demanda nacional de polietileno de baixa densidade era de 15 mil t/ano, das quais quatro mil eram supridas pela importação e 11 mil pela Union Carbide, cuja fábrica em Cubatão tinha capacidade para 19,5 mil t/ano. A demanda do polietileno de alta densidade era de 4,8 mil t/ano e a única fabricante, a Eletroteno, podia produzir até 5,5 mil t/ ano. O poliestireno ocupava lugar de destaque no mercado – a Idrongal (900 t/ano), a Bakol (5,4 mil t/ano) e a Koppers (9 mil t/ano) produziam na época mais do que o mercado podia absorver. A demanda era de 14 mil t/ano. O consumo de PVC era de 32 mil t/ano. Os balanços das outras matérias-primas também foram citados na edição.

    A pequena produção nacional de matérias-primas causava prejuízos para a indústria da transformação. Em 1970, o polietileno de baixa densidade importado da Alemanha ou do Japão chegava ensacado no porto de Santos a US$ 0,11 o quilo, valor que já contava com as taxas de seguro e frete incluídas. Na mesma época, a resina nacional custava de 10% a 20% mais. Em 1965, o problema era mais grave. O mesmo material produzido no Brasil custava US$ 0,62 o quilo.

    Também no número inaugural da revista foi publicada a discussão ocorrida em uma mesa-redonda organizada pela Editora Abril, que contou com a presença de grandes nomes da indústria nacional do plástico na época. O tema do debate era bem sugestivo: “Quando teremos polietileno de qualidade, em quantidade e a preços internacionais?” Entre os debatedores, marcaram presença os dirigentes das indústrias de brinquedos Atma, Estrela e Trol, além de representantes dos fabricantes de utensílios Hévea e Itap. Lamentou-se a ausência de um representante da Union Carbide, na época, único fabricante nacional de polietileno de baixa densidade. César Solari, gerente técnico da Poliolefinas, empresa que meses depois seria concorrente da Union Carbide, marcou presença em nome dos produtores de resinas.

    As discussões foram acaloradas. Os transformadores, é lógico, reclamaram muito do preço da matéria-prima. Cauteloso, Solari preferiu não discutir a fundo o assunto, mas garantiu que a capacidade instalada, com a entrada da Poliolefinas no mercado, saltaria para 124 mil t/ano, número que deveria superar a demanda do mercado em 1972, prevista em 104 mil toneladas.

    Nova era – O ano de 1972 ficou marcado pela chegada de uma nova era para a indústria do plástico no Brasil. Em maio, uma reportagem especial anunciava na capa da revista “O mundo colorido das matérias-primas”. A matéria falava sobre o início, em breve, das operações da Petroquímica União, com a fabricação de 930 mil t/ano de produtos químicos de base. As novidades provocariam reviravolta no panorama nacional das matérias-primas para o setor.


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