Plástico

10 de novembro de 2011

Década de 2000 – Crises e problemas continuam, mas o setor se fortalece

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico Moderno, Década de 2000 - Crises e problemas continuam, mas o setor se fortaleceO início do século foi dos mais conturbados no cenário internacional. O fato mais marcante foi o atentado às torres gêmeas, em Nova York, ocorrido em setembro de 2001. O terrorismo gerou clima de incerteza com reflexos na economia de todo o mundo. A forte crise vivida pela vizinha Argentina causou influência por aqui. Fatores internos não ajudaram. O fato do ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva liderar as pesquisas para a eleição da presidência da república em 2002 causava arrepios em boa parte do empresariado. O receio levou o dólar às alturas às vésperas do pleito e a inflação mostrou suas garras. Os juros alcançaram índices estratosféricos.

    Lula ganhou a eleição e tratou de acalmar os ânimos. Adotou para a economia receita bem mais ortodoxa do que imaginavam os seus críticos. Ao longo da década, o cenário internacional passou por momentos de calmaria e o novo governo investiu na melhora das condições econômicas da população mais carente. O avanço do mercado interno sustentou índice de crescimento superior ao das décadas anteriores.

    A profunda crise internacional provocada no segundo semestre de 2008 pelo apuro de instituições financeiras norte-americanas atrapalhou o desempenho do ano de 2009. Apesar do susto, o Brasil conseguiu superar as dificuldades com estragos menores do que os verificados em outros países.

    O desempenho da indústria do plástico sofreu com os problemas da economia no início do século, mas se recuperou. No ano 2000, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o consumo aparente (volume da produção interna + importações – exportações) das resinas termoplásticas estava na casa dos 3,8 milhões de toneladas, com consumo per capita de 22,6 kg. Depois de altos e baixos, em 2010 ficou na casa dos 5,9 milhões de toneladas, com consumo per capita de 30,5 kg. Em 2009, esses números foram de 4,9 milhões de toneladas e 26 kg. Em 2008, antes da crise mundial, 5,2 milhões de toneladas e 27,5 kg.

    Nasce um gigante – A Braskem foi formada em agosto de 2002, quando os grupos Odebrecht e Mariani integraram seus ativos petroquímicos, que controlavam desde 2001, à Copene Petroquímica do Nordeste S.A., antiga central de matérias-primas petroquímicas do polo de Camaçari, na Bahia. Ao se unirem, os dois grupos passaram a ser a primeira empresa do ramo integrada do país, com linhas de produção combinadas da primeira e da segunda geração da cadeia produtiva do plástico. A primeira geração é responsável pelo ciclo de negócios ligados à produção de matérias-primas básicas como eteno, propeno e cloro, fundamentais para a segunda geração, que cuida das resinas termoplásticas. Por estar integrada na cadeia produtiva, a Braskem tem grandes vantagens competitivas, como escalas de produção e eficiência operacional.Plástico Moderno, Década de 2000 - Crises e problemas continuam, mas o setor se fortalece

    Outros fatos foram marcantes para a história da empresa. Em novembro de 2007, a Braskem anunciou acordo com a Petrobras para integrar os ativos da Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), Ipiranga Química, Ipiranga Petroquímica e Petroquímica Paulínia. Em troca, a Petrobras e sua subsidiária Petroquisa passaram a deter 30% do capital votante e 25% do capital total da empresa.

    Em maio de 2009, a Braskem incorporou a Petroquímica Triunfo, localizada no Rio Grande do Sul, integrando uma planta com capacidade de produção de 160 mil toneladas/ano de polietileno de baixa densidade, copolímero de etileno e acetato de vinila (EVA). No início de 2010, anunciou as aquisições da brasileira Quattor e dos negócios de polipropileno da americana Sunoco Chemicals, criando a Braskem America.

    Veja texto de notícia publicada na edição de janeiro de 2010: “A consolidação da indústria petroquímica brasileira, iniciada com o leilão da antiga Copene, a central de matérias-primas petroquímicas de Camaçari-BA, em 2001, chegou a seu ato final. Por cerca de R$ 700 milhões, a Braskem concluiu a negociação para a aquisição da rival Quattor, tornando-se a única produtora nacional de commodities petroquímicas, com ativos avaliados em R$ 33,5 bilhões e capacidade de processamento de 5,5 milhões de toneladas anuais de resinas termoplásticas.”

    Na matéria, Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, reputou o fato à consolidação da indústria petroquímica do Brasil. O negócio, de acordo com o executivo, buscou a criação de uma empresa global, com porte adequado e escala suficiente para brigar no mercado internacional com maior capacidade de investimento. Ao final da operação, a Petrobras passou a deter 40% do capital votante da Braskem.

    Bernardo Gradin, então presidente da Braskem, disse que o temor de monopólio provocado pela forte concentração de mercado não se justificava: esse mercado é globalizado e os consumidores de resinas locais têm a opção de importar matérias-primas. Ao todo, hoje a Braskem conta com 35 unidades industriais, sendo 28 no Brasil (em Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul), além de cinco nos Estados Unidos e duas na Alemanha. Possui o maior e mais moderno complexo de pesquisa do setor na América Latina, o Centro de Tecnologia e Inovação Braskem, e também tem Centro de Tecnologia e Inovação no território norte-americano. A intenção da empresa é se tornar a quinta maior do ramo no mundo em 2020.


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