Compósitos

15 de agosto de 2010

Compósitos – Demanda aquecida põe setor na rota da sustentabilidade

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Publicado por: Renata Pachione
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    O circo está armado para o compósito brilhar como protagonista e não mais como coadjuvante no universo do plástico. O setor entendeu ser esse o momento certo para, de forma madura, acompanhar sua evolução há tempos anunciada e, ao que parece, inevitável. Os projetos governamentais em infraestrutura e a facilidade de crédito, somados aos esforços das companhias em melhorar sua qualificação e se inserir no hall da sustentabilidade, configuram o cenário ideal para o material deixar de ser visto como substituto e passar a ser uma das primeiras opções da indústria nacional.

    Reação – A demanda está aquecida e, após amargar índices pífios no ano passado, o mercado de compósitos volta a projetar incrementos de volume. Para este ano, a Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco) prevê crescimento de 10% e consumo do compósito de 210 mil toneladas – em 2009, foram transformadas 182 mil toneladas. Na opinião de Luiz Orro, diretor da Composites Brasil, essas previsões têm bases sólidas, pois os setores de lazer, náutico, energia, construção e automotivo estão em alta. Apesar do bom momento, a história recente revela certa nebulosidade. O setor brasileiro de compósitos faturou R$ 2,24 bilhões em 2009, o equivalente a um incremento de menos de 1% em relação ao faturamento do ano anterior, além disso, essa indústria iniciou 2009 com produção 30% abaixo da média de 2008. José Luiz Calvo Filho, diretor-comercial da Reichhold, endossa que o cenário é simplesmente um reflexo da crise mundial iniciada no final de 2008 e aposta em novos investimentos. “Nesses seis primeiros meses de 2010, percebemos uma considerável recuperação da indústria em geral”, afirma. A exceção ficou por conta do segmento de corrosão, pois os grandes projetos foram prorrogados em mais de 24 meses.

    O principal mérito dessa retomada, sem dúvida, é dos investimentos em infraestrutura. A ampla oferta de crédito e o programa governamental “Minha casa, Minha vida”, além dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, justificam esse vigor. “O país vive uma revolução no segmento de infraestrutura, somente ocorrida em poucos momentos de grandeza econômica”, ratifica Orro. Vale lembrar que a construção civil e os transportes são os principais segmentos consumidores do setor de compósitos.

    Plástico Moderno, Edoardo Daelli, Diretor-comercial da Royal Polímeros, Compósitos - Demanda aquecida põe setor na rota da sustentabilidade

    Para Daelli, programa de reciclagem é ousado

    Além dos números – Os fabricantes de matéria-prima e os transformadores sabem, no entanto, que crescer significa ir além dos números. Por isso, assumir um comprometimento ambiental tem sido uma das bandeiras da Abmaco. “A sustentabilidade não vai ser mais apenas um discurso, pois ganhará a concorrência o material mais sustentável”, antevê Gilmar Lima, presidente da associação. Prova dessa postura se vê nos avanços do Programa Nacional Abmaco de Reciclagem, hoje às voltas com o tratamento dos resíduos, e no seu quinto mês de execução. O cronograma prevê vinte meses.

    A ideia é garantir o crescimento sustentável do mercado de compósitos, por meio do desenvolvimento de uma solução para os resíduos termofixos, promovendo sua reintrodução no próprio sistema produtivo (ver PM nº 413). Em linhas gerais, o material moído será empregado na formulação dos compósitos (carga em produtos reciclados ou substituição parcial de carga em novos compósitos). Vale lembrar que peças moldadas com termofixos, sob altas temperaturas, não se fundem, por conta de sua estrutura molecular interligada.

    Esse projeto da Abmaco, em conjunto com o IPT, data de 2007, e é uma “proposta ousada”, segundo Edoardo Daelli, diretor-comercial da Royal Polímeros. Os trabalhos incluem a reciclagem e o reaproveitamento do rejeito e uma análise exploratória de novos usos desse material triturado. As soluções tecnológicas para a reciclagem são várias, porém a escolha da Abmaco, neste momento, se voltou para a moagem dos descartes industriais. Segundo os estudos, esta abordagem é flexível e abrangente, pois pode ser adotada por diferentes processos e sobretudo por empresas de pequeno porte.

    Muitas vezes considerada a ferida do mercado, a reciclagem começa a ganhar contornos mais práticos nas reuniões da associação, também por conta do seu aspecto econômico. Segundo estimativas da Abmaco, o setor brasileiro de compósitos gera cerca de 18 mil toneladas de resíduos por ano, o que corresponde a uma despesa de R$ 120 milhões com o descarte em aterros sanitários Classe 2. Na opinião de Daelli, num primeiro momento, o principal beneficiado é o transformador, no entanto, é preciso ir além e vislumbrar os ganhos de imagem do compósito e até mesmo o aspecto financeiro. “Se o transformador evita o desperdício, terá mais aporte para investir”, afirma.

    Livro encerra trilogia

    A Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco) encerra a trilogia de livros “Compósitos”, em novembro. A ideia da direção da Abmaco é tornar a publicação um guia, com o qual os transformadores terão mais subsídios para convencer seus potenciais clientes sobre a flexibilidade e o desempenho do material. As duas primeiras publicações focaram as descrições das matérias-primas e dos processos. Este terceiro livro trará uma abordagem mais mercadológica e apresentará um minidicionário contendo os principais termos usados pelo setor, bem como dimensionamentos dos mercados brasileiro, norte-americano, europeu e asiático, além de divulgar um estudo relacionado à sustentabilidade.


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