Plástico

22 de novembro de 2012

Extrusoras – Com o parque renovado, moldador adia projetos de expansão perante o baixo crescimento econômico

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Adeus ano velho, feliz ano novo. Os versos da canção, tantas vezes repetidos nas festas de réveillon, de certa forma representam bem o sentimento dos fornecedores de extrusoras. O ano em curso está terminando e não vai deixar saudades para a maioria dos representantes do setor. Os negócios melhoraram no segundo semestre, mas os primeiros seis meses foram um dos piores. A perspectiva para 2013 é de otimismo moderado e lembra outro verso da música: que tudo se realize no ano que vai nascer.

    Plástico, Com o parque renovado, Moldador adia projetos de expansão perante o baixo crescimento econômico

    Extrusora da SML

    A explicação para os resultados de 2012 se baseia em alguns aspectos. No biênio 2010/11, as vendas foram excelentes e a indústria de transformação se capacitou para atender à demanda do mercado brasileiro de peças extrudadas. Este ano o crescimento da economia deixou a desejar e, com a capacidade ociosa, muitos clientes engavetaram os projetos de ampliação. Os fortes rumores da crise internacional também atrapalharam. Some-se a esse cenário os velhos problemas resultantes do chamado “custo Brasil”.

    Um fato colaborou para a recuperação no último quadrimestre. O Programa de Sustentação do Investimento (PSI), criado pelo governo federal em 2009, é uma ação do BNDES destinada a financiar a aquisição de bens de capital, entre outros itens. Algumas condições especiais desse programa, previstas para acabar em 31/08 passado, foram prorrogadas até o final do ano. Também foram criadas novas linhas de crédito, com redução de juros de 5,5% para 2,5% ao ano para financiamentos voltados para a aquisição de equipamentos nacionais.

    O resultado da medida tem contribuído para o aumento no número de pedidos e consultas de setembro para cá. Uma boa parte das encomendas fechadas ou a caminho até o final do ano deve reduzir a capacidade ociosa das empresas de bens de capital nos próximos meses. Pelo menos no primeiro semestre do próximo ano, as fábricas vão trabalhar para atender às encomendas atuais.

    Em paralelo, há torcida para o crescimento mais vigoroso da economia, o que forçará os transformadores a investir na ampliação de suas linhas de produção. A redução da taxa de juros Selic, ocorrida nos últimos meses, aparece como o principal fator de esperança para a concretização dessa expectativa. Também o arrefecimento dos rumores sobre a crise internacional melhorou o humor dos compradores. O cenário parece melhor para as empresas brasileiras, como Carnevalli, Rulli-Standard, Miotto, Bausano e Extrusão Brasil, e para os importadores, como KraussMaffei, Ematec e BY Engenharia.

    A batalha entre os fabricantes nacionais e os chineses no caso das extrusoras ainda não atingiu o mesmo patamar dos fabricantes de injetoras, em que a competição é para lá de acirrada. De acordo com os representantes brasileiros do ramo, a qualidade das máquinas chinesas deixa muito a desejar. Isso afasta a clientela, apesar dos preços oferecidos pelos fabricantes de “olhos puxados” serem bastante reduzidos. Caso a indústria asiática evolua em termos de tecnologia, a situação pode se agravar muito para a brasileira nos próximos anos.

    No curto prazo, preocupa mais a competição das extrusoras norte-americanas e europeias, presentes no mercado dos modelos mais sofisticados. A crise econômica vivida por esses países, em especial pelos europeus, fez com que eles passassem a prestar atenção no desempenho positivo da economia brasileira nos últimos anos. O dólar desvalorizado facilita esse processo. Muitos equipamentos com tecnologia de ponta passaram a ser oferecidos por aqui com preços convidativos.

    Os compradores procuram, a cada dia mais, equipamentos mais produtivos. É cobrada da indústria a oferta de extrusoras capazes de transformar maior quantidade de resinas por hora. Em paralelo, os equipamentos precisam ser duradouros e economizar energia elétrica. Além disso, há a eterna cobrança por preços “camaradas”.

    Para atender aos pedidos, os fornecedores de equipamentos investem de forma constante no aperfeiçoamento de seus modelos. Eles prometem lançar muitas novidades na próxima Feira Internacional do Plástico, a Feiplastic (novo nome da Brasilplast), principal evento do setor no Hemisfério Sul, que será realizado no próximo ano, em São Paulo. Detalhes sobre os novos modelos ainda são guardados a sete chaves.

    Feliz ano velho – A Carnevalli, um dos mais tradicionais nomes do mercado no nicho de filmes, é exceção entre as empresas do ramo. “Conseguimos atingir nossas metas, nossa previsão é de crescimento de 30% a 40% em relação a 2011”, informa o diretor comercial Wilson Carnevalli Filho. A evolução das vendas acompanhou o desempenho do setor. O ano começou em ritmo normal, mas a procura enfraqueceu e o primeiro semestre não foi dos melhores.

    A recuperação superou a média. No segundo semestre, as vendas atingiram níveis excelentes. “Com a redução das taxas de juros, o

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    Carnevalli Filho: redução dos juros favoreceu o segundo semestre

    resultado foi imediato, houve investimentos de fábricas pequenas, médias e grandes. Grandes projetos foram colocados em prática”, comemora. Para ele, o maior efeito da medida governamental foi o aumento da competitividade dos equipamentos brasileiros perante os europeus e norte-americanos. “Muitas vezes os importados se destacam pelo financiamento internacional a juros baixos; e pela primeira vez houve esta mudança no Brasil.”
    Em relação à concorrência dos asiáticos, o diretor não demonstra muita preocupação. Ele sabe que, com o câmbio desvalorizado, os preços praticados pelos chineses são imbatíveis. Mesmo assim, lembra que a procura não é correspondente.

    “Os importados vindos da Ásia têm preços mais interessantes, mas não agregam qualidade e as taxas de importação nos protegem”, diz. As perspectivas para o próximo ano são otimistas. “Com as vendas do final de 2012 já teremos produção para boa parte do primeiro semestre. Acreditamos que será um ano de grandes investimentos e de retomada de consumo.”

    O carro-chefe da Carnevalli é a linha de extrusoras monocamada Polaris Plus 65, com rosca de diâmetro de 65 mm. Ela produz até 240 kg/h de filmes de alta ou baixa densidade e baixa densidade linear de até 1.800 mm. “O equipamento proporciona baixo consumo de energia e excelente plastificação”, afirma. Entre as máquinas de coextrusão, o destaque fica por conta do modelo de três camadas Polaris Plus 2500. “A linha conta com um dos mais avançados sistemas de automação do mundo, como dosadores gravimétricos e controladores de espessura integrados.” Em agosto, a empresa lançou a linha E 40, máquina de 40 mm voltada para os mercados de filmes estreitos e de sacos do tipo fundo estrela, muito usados nos supermercados.

    Para Carnevalli Filho, o mercado vem procurando cada vez mais novas tecnologias, como controles de espessura, geometrias de roscas avançadas e novos sistemas eletrônicos; além de redução do consumo de energia, facilidade de operação pela automatização e assistência técnica. “Tudo para garantir produtividade, menor variação de espessura e maior qualidade dos filmes”, resume.

    Nem tanto – Para a Rulli-Standard, outra empresa nacional bastante conhecida, o ano não deixará saudades. A empresa fabrica equipamentos de extrusão para filmes rígidos e flexíveis, com roscas de diâmetros entre 50 mm e 150 mm. “Foi um dos piores anos para a venda de equipamentos. O simples fato de se falar em crise faz com que os empresários pisem fundo no freio e cancelem todos os investimentos programados”, avalia o diretor comercial Paulo Leal.

    Para o executivo, o desempenho dá sequência a um período difícil. “O ano de 2011 começou bem, reflexo dos equipamentos adquiridos em 2010. Mas as vendas do ano passado também foram abaixo das expectativas”, conta. Os resultados das medidas de incentivo tomadas pelo governo federal são vistos com cautela. “O volume de consultas vem crescendo, isso é um bom sinal.” A expectativa para o próximo ano é de otimismo moderado. “Vamos torcer por resultados positivos, para que a indústria nacional possa ser alavancada a patamares anteriores”, diz.

    Leal reclama da concorrência dos importados. Para ele, os equipamentos chineses incomodam: “A importação atrapalha bastante. O principal fornecedor é a China, que oferece equipamentos com qualidade bem aquém dos produzidos no Brasil.” Ele pensa que se o governo brasileiro não coibir a chegada dos chineses, as empresas brasileiras tradicionais vão sofrer com os preços “desleais” nos próximos tempos.

    A cobrança constante dos compradores por preço aborrece o diretor da Rulli-Standard: “Infelizmente o cliente sempre faz reivindicações, compara nossos produtos aos importados.” Outra demanda comum, esta vista com naturalidade, situa-se nos campos da produtividade e da segurança dos equipamentos. Entre os itens solicitados, ele cita a redução do custo por kg de matéria-prima extrudada e facilidade de set-up.

    Entre os destaques da empresa, Leal aponta a extrusora 2 ½, voltada para o segmento flexível. “É um equipamento versátil e de fácil manuseio, com custo de energia baixo e preço acessível”, garante. No nicho dos rígidos, ele cita a extrusora 130 x 2 ½. “Permite grande volume de produção em inúmeras aplicações.”

    Jogando pelo empate – Uma das principais empresas fabricantes nacionais de extrusoras voltadas para os segmentos de tubos, perfis e chapas, a Miotto se dará por satisfeita se conseguir repetir os resultados obtidos no ano passado. A meta não será atingida com facilidade. Depois do carnaval, as vendas se estagnaram por um longo período e a situação ficou delicada.

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    Modelo Miotto para laboratório produz grânulos, tubetes e fitas

    As coisas começaram a melhorar com as medidas do governo. “Com a redução dos juros houve uma melhora, mas o ano está sendo muito difícil”, analisa o presidente da empresa, Enrico Miotto. Ele lembra que nos tempos de vacas gordas vende cem linhas por ano. Neste, esse número caiu para entre quarenta e cinquenta.

    Para ele, a importação de máquinas atrapalha, mas não foi o principal fator do fraco desempenho. Ele credita o momento negativo ao freio dos investimentos por parte das empresas transformadoras. “Para os importadores, o mercado também não está bom, os clientes deixaram de comprar extrusoras. Acho que eles estão com capacidade ociosa”, ressalta.

    Entre os países concorrentes, os que mais preocupam são os europeus. Para o dirigente, a crise econômica vivida no velho continente fez os fabricantes de lá embarcarem para o mercado nacional de forma agressiva. “As extrusoras oferecidas por eles contam com ótima tecnologia e estão chegando aqui com preços 30% inferiores aos cobrados há algum tempo”, compara.

    Em relação aos chineses, a qualidade dos equipamentos ajuda os fornecedores brasileiros. “O preço deles é menos da metade do nosso, mas nem assim fazem muito sucesso.” Para exemplificar, Miotto lembra um pedido curioso feito por um amigo. “Um cliente nosso disse que não tinha dinheiro para comprar uma máquina nossa e que iria adquirir uma chinesa e perguntou se eu poderia ajudá-lo a fazer o equipamento funcionar”, conta. Ele tem receio sobre o futuro. Cita o caso das injetoras, mercado no qual os brasileiros vêm sofrendo muito com os produtos asiáticos. “No começo as injetoras chinesas eram muito ruins, mas com o tempo melhoraram e hoje são muito competitivas.”

    Para fazer frente a essa realidade, a Miotto tem investido bastante na redução de custos realizada em paralelo com a melhoria do desempenho das máquinas. “Temos feito constantes reuniões de nosso departamento de engenharia para conseguir esse objetivo. Na primeira, conseguimos reunir oitenta sugestões de alterações, das quais muitas foram adotadas”, garante.

    Graças a esse esforço, a empresa não pratica reajustes de preços há três anos. O presidente admite, no entanto, que suas máquinas não se encontram entre as mais baratas do mercado. Mas ressalta a excelente relação custo/benefício. Um dos diferenciais se encontra no constante aperfeiçoamento das roscas e cilindros, oferecidos em versões bimetálicas ou nitretadas. “A geometria das roscas, em especial, garante melhor plastificação, maior produtividade e produto final de qualidade.”

    A linha de máquinas da empresa é bastante completa. Entre as mais vendidas estão as de monorrosca ou dupla rosca para PVC e as de granulação de dupla rosca, com capacidades de até 2,5 mil quilogramas por hora. “Um mercado no qual somos muito fortes é o de máquinas para isolamento de fios e cabos elétricos. Elas apresentam desempenho igual ao das europeias”, orgulha-se.

    Um novo modelo será lançado na Feiplastic. “Será uma máquina para o mercado de perfis e tubos. Não posso adiantar nada ainda, mas teremos boas notícias”, diz Miotto. Uma novidade recente da empresa foi um equipamento indicado para laboratórios e escolas de ensino superior. Trata-se da extrusora 3 por 1, voltada para a produção de grânulos, tubetes ou fitas. “Ela é monorrosca, tem um único motor e sistema de troca de ferramentas rápido”, explica.

    Bola na rede – Em 2012, a Bausano, empresa de origem italiana com fábrica no Brasil há doze anos, com atuação no segmento de tubos e perfis, esteve longe de atingir sua meta de vendas. Seu desempenho é similar ao da maioria dos demais fornecedores. No primeiro semestre, sofreu com retração dos negócios em torno dos 30%. Depois do anúncio da queda dos juros, os negócios se recuperaram. “O mercado está reagindo, mas não vamos atingir o desempenho de 2011, que foi um ano excelente”, informa Chrystalino Branco Filho, diretor comercial.

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    Extrusora construída no país tem a mesma tecnologia das italianas

    Para o próximo ano a expectativa é positiva. “Estamos passando para a Itália uma previsão otimista”, diz. O futebol tem parcela significativa nesse sentimento. “Com a aproximação da Copa do Mundo acredito na realização de várias obras.” A melhora no ambiente da construção civil será muito bem-vinda. Explica-se: a venda de extrusoras para perfis usados nesse setor representa metade das vendas da empresa.


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