Plástico

11 de dezembro de 2010

Cargas Minerais – Negócios em alta favorecem investimentos em produtos de maior valor agregado

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Agregar valor. A expressão, motivo de desejo para empresários de todos os setores, soa como música aos ouvidos dos fornecedores de cargas minerais para plásticos. Empresas do ramo prometem ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de fórmulas com maior teor tecnológico. O interesse dos fornecedores nacionais em investir tem um aliado: o atual momento da economia. As vendas estão aquecidas, os negócios cresceram em índices muito satisfatórios em 2010.

    O otimismo para os próximos anos é significativo. O sentimento é reforçado pela realização de dois grandes eventos no país nos próximos anos, a Copa do Mundo e a Olimpíada. Graças a eles, são esperadas muitas obras capazes de esquentar ainda mais a demanda. A fase aquecida da construção civil e da indústria de bens duráveis também anima. A se confirmarem as expectativas, o fôlego financeiro do setor ganhará reforço importante. A perspectiva é tão boa que alguns empresários demonstram preocupação com um possível desabastecimento por falta de oferta necessária de cargas minerais nos próximos anos.

    Em paralelo, o grande desafio é convencer o mercado das vantagens proporcionadas por aditivos mais sofisticados. A tarefa não é tão fácil. No Brasil, as cargas têm forte histórico de commodities, ainda são vistas por boa parte dos usuários como forma barata de “engordar” o peso das matérias-primas, substituir parte da resina a fim de reduzir custos da linha de produção. Os compradores muitas vezes se pautam apenas nos preços na hora de fazer as encomendas. Os valores praticados são quase sempre modestos. A incorporação dos minerais, no entanto, pode oferecer muito mais vantagens. Conforme o caso, eles permitem o aumento do desempenho mecânico das peças e maior resistência às chamas ou a ambientes químicos agressivos, entre outras características.

    Vale a pena uma ressalva: o esforço em busca de produtos mais sofisticados começa a encontrar reconhecimento entre os clientes ligados aos segmentos de tecnologia de ponta, como transformadores de autopeças, componentes para a indústria de eletroeletrônicos ou de alguns produtos para a construção civil. Por falta de oferta de fórmulas nacionais, essas empresas muitas vezes são obrigadas a importar. Isso a despeito do Brasil contar com jazidas de qualidade em várias regiões. Não por acaso, empresas internacionais muitas vezes compram nossos minérios, os beneficiam no exterior e depois os comercializam por aqui.

    O atraso dos produtos nacionais se encontra tanto nos processos de extração quanto nos de beneficiamento. De acordo com especialistas, na faixa de produtos com reduzido valor agregado, muitas vezes os gastos com o frete são o principal componente dos custos. Isso porque com frequência as jazidas se encontram distantes dos grandes centros consumidores. Pequenos cuidados tomados pelos fornecedores são bem-vindos. Fornecer os minérios embalados em pallets, por exemplo, combate desperdícios e é visto com bons olhos para quem não pensa apenas no preço na hora de adquirir produtos. Oferecer os minérios em grãos de tamanhos regulares é outra providência capaz de diferenciar um fornecedor, por exemplo, entre clientes mais sofisticados.

    Entre os minerais usados pelos transformadores de plástico, podemos citar o carbonato de cálcio (calcita) e o talco entre os mais procurados. A calcita tem como principal mercado a transformação do PVC, embora também seja incorporada ao polipropileno e polietileno. No caso do polietileno, seu uso é restrito a filmes – atua como agente anti-blocking. O polipropileno é o filão mais apetitoso para os fornecedores de talco. Outros mercados para a carga são os da transformação de PEBD e PEAD, PVC, PS e PA. O talco, além de aumentar a rigidez da resina, é eficiente no aumento da temperatura de deflexão térmica, entre outras características. Também ganham destaque alumina hidratada, mica, caulim, entre outros.

    Necessidade – A questão de sofisticação das cargas minerais é uma necessidade, mas não necessariamente uma tendência. A indústria brasileira de transformação precisa compreender as vantagens de utilizar produtos com maior valor agregado. O país também não pode ser tão dependente quanto hoje de importações de produtos de alto desempenho. A opinião é de Ricardo Aurélio da Costa, assessor técnico da Itatex, empresa localizada em Campinas-SP e especializada em soluções tecnológicas em aditivos e cargas minerais para termoplásticos, tintas e revestimentos, elastômeros e produtos farmacêuticos e agrícolas.

    Plástico Moderno, Ricardo Aurélio da Costa, Assessor técnico da Itatex, Cargas Minerais - Negócios em alta favorecem investimentos em produtos de maior valor agregado

    Costa conclama o setor a sair do comodismo

    “Não podemos nos acomodar em ser fornecedores de commodities, isso é muito preocupante”, afirma. Para o especialista, um aspecto pode “dar um empurrão” para os fabricantes nacionais mudarem de atitude. Os clientes de ponta estão procurando por materiais com características diferenciadas. “Nesse cenário, a Itatex tem um comportamento sui generis. Toda a vida, a empresa sempre investiu em tecnologia. Tem a preocupação constante de nacionalizar produtos importados”, garante. A estratégia vem assegurando o crescimento constante da empresa. “Não queremos competir com os fornecedores de minerais, queremos vender produtos com valor agregado”, explica.

    Quando o assunto é alta tecnologia, um dos campos apontados como promissor pelo consultor é o da nanotecnologia. “No exterior já temos alguns nanocompósitos no mercado, com especificação agregada. Aqui no Brasil surgiram algumas coisas, feitas pela Braskem”, informa. As experiências nacionais são quase todas feitas com a adição em resinas de argilas organofílicas importadas. Não por acaso, a nacionalização dessas argilas foi um feito recente da Itatex. A empresa lançou três versões comerciais para a produção de nanocompósitos de poliolefinas e termofixos (resinas epóxi, poliéster e fenólicas).


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