Plástico

12 de março de 2007

Câmara quente – Sistemas mais precisos e com custos menores avançam sobre a injeção tradicional com galhos

Mais artigos por »
Publicado por: Simone Ferro
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Plástico Moderno, Câmara quente - Sistemas mais precisos e com custos menores avançam sobre a injeção tradicional com galhos

    O promissor mercado nacional de câmara quente ganhou alguns aliados para crescer. A consolidação do polietileno tereftalato (PET) nas embalagens de bebidas não carbonatadas, higiene e limpeza, cosméticos e molhos, entre outros, impulsionou as vendas, em especial, dos sistemas valvulados. O avanço tecnológico dos insumos, tais como o aço e outras ligas metálicas, e o aperfeiçoamento do processo produtivo, com a modernização dos centros de usinagem, também ajudam a injeção sem canais a ganhar espaço e credibilidade no Brasil.

    Redução de custo e melhoria da qualidade são os benefícios diretos dessa evolução. “Muitos transformadores preferiam injetar com galhos por achar que a câmara quente tinha custo elevado e traria mais dores de cabeça. Hoje os sistemas estão cada vez mais precisos e confiáveis”, diz Luís Antonio Pavezzi, gerente de vendas da HDB, de Cotia-SP, representante exclusivo da alemã Ewikon. “Sem boa usinagem e materiais adequados não se obtém um sistema eficiente”, complementa.
    São pequenas batalhas para quem enfrenta uma verdadeira guerra para provar a eficiência da injeção sem canais sobre o processo convencional de moldagem. O que, a bem da verdade, nem sempre ocorre. Escala e características técnicas do produto final determinam a melhor opção. E essa escolha deve ser muito bem fundamentada, para que o alto custo do investimento dê o retorno desejado e não a temida enxaqueca.

    Embora as vendas de câmaras quentes tenham aumentado nos últimos anos, assim como o uso dos bicos valvulados, os fabricantes do setor afirmam que a demanda nacional ainda está aquém do esperado. “Há muito espaço para crescer”, diz o diretor de engenharia da Delkron, de Mairiporã-SP, Ney Kaiser.

    Fabricante brasileira de câmara quente, a Delkron lançou o primeiro sistema nacional em 1988, quando a indústria automotiva era a principal usuária. “Hoje a injeção sem canais está disseminada em todos os segmentos”, afirma o diretor.
    No campo dos valvulados, o PET, assim como aplicações e resinas técnicas, desponta como importante alavanca. “Os sistemas de alta tecnologia usam o bico valvulado a fim de baixar os ciclos e melhorar a qualidade da pré-forma e da garrafa”, diz o diretor-geral da Husky do Brasil, de Jundiaí-SP, Fabio Seabra.
    De acordo com ele, as expectativas para 2007 continuam favoráveis devido à substituição de embalagens e à necessidade de novos formatos de gargalo, que demandarão desenvolvimentos, ou pelo menos grandes conversões.

    Seabra confirma ainda a tendência de substituição da lata, do vidro e do cartão pelo PET, nos segmentos de sucos, leites e chás, entre outros. “A demanda de PET está mais forte nos mercados de água e óleo comestível. Na área de refrigerantes não houve grandes investimentos.”

    No Brasil, a Husky fabrica os sistemas de câmara quente (manifolds, hot half e porta-moldes), além de garantir a assistência técnica (reparar, reconstruir e manter) aos moldes de PET que equipam as injetoras da empresa. “Oferecemos sistemas de câmaras quentes de 1 a 128 bicos. No caso de molde de pré-formas de PET, de 2 a 216 cavidades.”

    A partir de maio, entram no mercado os controladores de temperatura também nacionais. “Ficaremos ainda mais competitivos.” As exportações da unidade brasileira seguem para Argentina, Chile, Paraguai e Colômbia, e representam 10% do faturamento. Recentemente, a empresa investiu em um centro de usinagem de 5 eixos.

    Tecnologia de ponta – Na avaliação de Pavezzi, da HDB, a precisão na usinagem e o surgimento de aços com excelente condução térmica e resistência à abrasão ampliaram a eficiência das ponteiras, antes responsáveis pelos maiores índices de vazamentos. Favoreceu ainda a redução de custo e facilitou a manutenção.
    Os bicos valvulados pegaram carona nessa evolução e também começam a ganhar mais mercado. Os sistemas valvulados evitam a purga da resina no interior das cavidades, e possibilitam ainda o preenchimento seqüencial com mais de um ponto de injeção ou a moldagem de peças com massas diferentes em um mesmo molde.
    Com isso, melhoram o acabamento superficial de peças de paredes grossas que necessitam de bico de injeção superior a 3 mm. A válvula evita a passagem do ar antes da injeção. “A entrada de ar pode provocar o aparecimento de bolhas e manchas”, diz Kaiser.

    Por questões de custo, a injeção de um pequeno canal residual é um subterfúgio para melhorar o acabamento do produto final sem usar o bico valvulado, em torno de 50% mais caro que o convencional. A marca do gate fica no canal que vai ser descartado.

    Primeiro é injetado o canal residual, que vai conter a marca do gate, e depois a peça. “Trata-se de um recurso paliativo que gera resíduo e o conseqüente desperdício de material e aumento de ciclo.” Na avaliação de Kaiser, os transformadores tendem a abandonar essa alternativa e partir para os sistemas valvulados quando o custo for compensador.

    Por isso, para conquistar esses e outros usuários, os fabricantes de câmaras quentes têm investido no barateamento de seus sistemas. De acordo com Kaiser, a Delkron já registrou o avanço nas vendas de sistemas valvulados. “Os convencionais representam a maior parcela do faturamento, pois também atendem à maioria das aplicações.”

    Parte desse desempenho se deve ao lançamento da linha sem mangueiras, em 2005. Os sistemas valvulados têm cilindros de acionamento pneumático e o ar comprimido circula em mangueiras. No sistema da Delkron, o ar circula internamente nos cilindros. “Essa tecnologia aumentou a eficiência, reduziu a manutenção e permitiu a ampliação do número de cavidades por área útil, pois tornou o sistema mais compacto.”


    Página 1 de 41234

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *