Plástico

11 de dezembro de 2010

Câmara quente – Mercado incorpora em seus desenvolvimentos tecnologia de ponta

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Publicado por: Renata Pachione
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    Os fabricantes de sistemas de câmaras quentes acompanharam a evolução do mercado da transformação de plásticos por injeção e incorporaram recursos de ponta em seus desenvolvimentos. O consumo deixou de ser restrito a um tipo específico de comprador e se abriu para novas tecnologias, favorecendo a consolidação de soluções criativas e funcionais. A demanda está aquecida, mas nem por isso o cenário inspira plena calmaria. A forte penetração dos produtos chineses no país incomoda e, de alguma forma, anuncia mudanças, reforçando a necessidade de a indústria nacional ser mais competitiva com processos eficientes e otimizados.

    Muito já se falou das vantagens das câmaras quentes ante os sistemas convencionais de canal frio, o que torna os seus benefícios velhos conhecidos de todo o mercado. E, neste momento, diminuir os gastos com matéria-prima e encurtar os ciclos de produção não é meramente uma questão de escolha; a não ser para peças de reduzido valor agregado e em aplicações de baixo volume de produção, nas quais o canal frio ainda tem a preferência.

    O consumo está longe do ideal, no entanto, é visível o avanço da penetração desse tipo de tecnologia no mercado nacional. “Em alguns setores como o de embalagens, de utilidade doméstica e de linha branca, o número de moldes com câmara quente ultrapassa o dos que não possuem o equipamento”, aponta Ney Kaiser, diretor de engenharia da Delkron.

    No passado, as vendas eram predominantemente relacionadas ao segmento automotivo, mas hoje o cenário está pulverizado e passou a ser desenhado de acordo com as circunstâncias. Em outras palavras, qualquer indústria que precisa de altas produções e requer aumento da qualidade dos produtos moldados se torna, por definição, um comprador em potencial dos sistemas. Aliás, neste momento em particular, as empresas do ramo de cosmética e de embalagem têm sido as principais alavancas do setor.

    Para alguns fabricantes, o cliente fica desarmado perante o aumento da produtividade gerado pelas câmaras quentes. “O que levava dias para produzir, pode ser realizado em horas”, exemplifica Luciano Cavalcanti, vendedor da Fator. Ok, a implantação do equipamento pode dobrar o valor do molde, como informa Luís Antonio Pavezzi, gerente-geral da HDB Representações. No entanto, aí entra o peso da tal relação custo/benefício. Bom, pelo menos em teoria, pois no âmbito comercial, por mais que a demanda esteja aquecida, a adesão ainda esbarra no preço. “Existem algumas restrições sobre o uso de câmaras quentes sobretudo na questão do retorno do investimento, mas a tecnologia é reconhecida como o caminho a seguir”, prevê Fabiano Nunes, gerente de área de câmaras quentes da Husky.

    Mais benefícios – Sob os holofotes da sustentabilidade, os equipamentos também contribuem positivamente. A ausência de galhos por si só garante economia. “A vantagem principal hoje é a retirada do produto final da máquina sem o retrabalho”, argumenta Ricardo Ulrich, gerente-geral da Thermoplay Brasil Sistemas de Injeção. Além disso, eliminando o galho, o processamento da matéria-prima passa a ser somente do produto, portanto, não será fabricado o refugo para a reciclagem e não se gasta energia na rosca para gerar temperatura e fluidificar o plástico para formar o galho, conforme explica Pavezzi. Kaiser endossa o coro com outra questão: muitas resinas recicladas podem ser transformadas com sistemas de câmaras quentes, com ótimos resultados, incluindo o polietileno tereftalato (PET).

    Plástico Moderno, Fabiano Nunes, Gerente da área de câmaras quentes da Husky, Câmara quente - Mercado incorpora em seus desenvolvimentos tecnologia de ponta

    Nunes: projetos priorizam a redução do impacto ambiental

    A eficiência energética dos processos, aliás, permeia boa parte dos novos desenvolvimentos.  A Fator apresentou um sistema para stack-mold com 32 cavidades; em cada sistema são 8 mil watts de potência, e controlador de temperatura com nove zonas. “Comparando com um sistema convencional, teríamos 16 mil watts e um controlador de 34 zonas”, comenta Antonio Cavalcanti, diretor da Fator.

    A Husky se propõe a manter uma política permanente de redução dos impactos no meio ambiente e evitar custos adicionais em todos os seus desenvolvimentos. Segundo Nunes, para cada projeto, há um estudo detalhado, que combina a eficiência térmica das câmaras quentes com uma grande redução de potência das resistências. “Por exemplo, os manifolds são projetados de forma que as resistências sejam posicionadas nas regiões onde seja necessário para manter o equilíbrio térmico do manifold e não prejudicar o fluxo da material fundido que corre pelo manifold”, explica o gerente.

    Os novos modelos da Delkron adotam um sistema encapsulado, com o qual o consumo de energia cai em 30%, se comparado a outros produtos do mercado. A fabricante faz uso de um princípio de conservação de calor semelhante ao das garrafas térmicas. “Há a preservação do calor irradiado, e também daquele transmitido por convecção do ar interno ao molde, e daquele drenado por condução”, explica Kaiser. Não por acaso, a Thermoplay destaca em seu portfólio resistências utilizadas nos bicos que promovem uma economia de cerca de 60% no processo de injeção. “São confeccionados com materiais nobres e uma perfeita adequação do elemento resistivo, possibilitando que o aproveitamento do calor seja absorvido pelo corpo do bico e não pela matriz”, conta  Ulrich.

    Novo perfil – O setor é marcado pelo dinamismo, sobretudo porque precisa acompanhar o desenvolvimento constante da indústria do plástico. “Os moldes estão cada vez mais complexos e exigem um bom projeto de câmara quente”, comenta Michael Rollmann, gerente-geral da Incoe International do Brasil. Ao contrário de alguns anos, os clientes injetam no mesmo molde peças diferentes com materiais e cores diversas. Além disso, os prazos cada vez menores incitam os fabricantes de câmaras quentes a investir em tecnologia e em máquinas específicas para cada tipo de produto. Em suma, a venda taylor made chegou para ficar.


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