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4 de abril de 2011

Brasilplast 2011 – Sopradoras – Fabricantes apostam na retomada do setor e preveem crescimento

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Publicado por: Patricia Rodrigues
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    De um lado, mais produtividade com menor consumo de energia e redução de mão de obra. Do outro, máquinas não tão novas, concorrência e dificuldades financeiras para investir em melhorias que garantam produtos mais competitivos.

    A realidade do mercado de sopradoras não difere do que acontece com a maioria das indústrias do país. Porém, às vésperas da 13ª Brasilplast, os poucos fornecedores do setor apontam uma crescente retomada dos negócios desde o final do ano passado e arriscam uma expectativa de crescimento de 10% a 15% em relação ao período anterior — condição excelente para quem compara com o cenário de 2009. “A última edição da feira foi um marco para a virada pós-crise mundial e o mercado de sopradoras reagiu”, avalia Newton Zanetti, diretor comercial da líder Pavan Zanetti, de Americana-SP, acreditando no potencial da feira neste ano para gerar grandes negócios.

    Para o diretor, essa reação está diretamente ligada ao programa de financiamento lançado pelo governo federal com juros iniciais a 4,5% ao ano, possibilitando grande movimentação para a renovação de equipamentos, em todos os setores, e alavancando bastante as vendas. “Houve grande procura pelo programa por parte das empresas em dia com os impostos federais e estaduais, a fim de obter acesso a esse tipo de financiamento.”

    Zanetti conta que a modalidade mais utilizada pelos clientes, a do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) por meio do Finame-PSI, começou oferecendo juros fixos de 4,5% ao ano, com carência de doze meses e até dez anos para pagar. “Hoje com taxa de 5,5%, deve subir para 6,5% para médias e pequenas empresas.” Sem citar números, o diretor comercial comemora recordes de vendas em 2010. “Não tivemos nada a reclamar até a data de hoje.”

    Plástico moderno, Hermes Lago, Diretor de comercialização, Brasilplast 2011 - Sopradoras - Fabricantes apostam na retomada do setor e preveem crescimento

    Lago: atribui boa fase do setor ao aumento do poder aquisitivo

    Há apenas três anos no segmento de sopro com a aquisição da JAC, a Romi, de Santa Bárbara d’Oeste-SP, também não se queixa. Segunda colocada em um mercado que gira entre 200 e 250 máquinas, conforme estimativas dos próprios fornecedores, a empresa concentra suas vendas em equipamentos com volume de sopro para até 5 litros, destinados principalmente a embalagens de cosméticos, produtos de limpeza e bebidas. “O aumento de poder aquisitivo favoreceu a ascensão de classes, impulsionando a venda de produtos finais cujos frascos estão diretamente ligados ao mercado de sopro”, comenta Hermes Lago, diretor de comercialização.

    Mesmo com a forte possibilidade de o governo conter a onda de consumo para driblar a inflação, a perspectiva para 2011 na Romi segue bastante otimista, com crescimento estimado em torno de 10%. “Os bons números devem continuar, pois o consumidor que entrou nesse mercado não deixará de comprar e isso aquece a venda de máquinas para esses nichos em expansão.”

    Apesar das constantes queixas dos clientes quanto ao acesso ao financiamento das máquinas, o diretor da Romi destaca a importância do programa do governo, fundamental para manter o setor na época da crise – e que deve ser estendido a partir de abril, com novas condições. “Foi um canal importante e extremamente positivo. Medimos os resultados não só em relação às vendas e à qualidade do produto final com as novas máquinas, mas também para a geração e manutenção de empregos.”

    Dificuldades e concorrência – O programa do governo garantiu maiores facilidades para a compra das máquinas nacionais, mas o mesmo não pode ser dito em relação às importadas. Hans Lüters, da Kal Internacional, de Bragança Paulista-SP, que representa a norte-americana Jomar no Brasil desde 1997, explica ser muito difícil para os clientes conseguirem esses benefícios. “Alguns bancos oferecem linhas de financiamento, mas as exigências são tantas e o processo é muito demorado. Chegamos a ter casos em que as regras dos bancos mudaram após três meses, inviabilizando o projeto do cliente”, desabafa. Mesmo assim, a empresa – que não compete com as grandes sopradoras – garante estar bem posicionada no mercado, atendendo nichos específicos, especialmente os frascos farmacêuticos e cosméticos de até 200 ml. No ano passado, a Kal Internacional registrou crescimento de 50% em relação a 2009 e a expectativa para este ano gira em torno de 25%.

    Para o empresário, o que mais pesou no último biênio foi a concorrência das máquinas asiáticas. “Apesar de custar a metade do preço, elas não garantem processo competitivo e seguro em grandes escalas, tendo produtividade abaixo de 90%, enquanto as nossas alcançam 98%”, compara. Segundo Lüters, clientes do Peru, da Colômbia e da Argentina que adquiriram esses exemplares em menos de dois anos acabaram voltando para as máquinas norte-americanas. “Problemas com reposição de peças e assistência técnica também não compensavam em relação ao investimento inicial.”

    Aliás, competir com o preço das máquinas asiáticas está entre as principais dificuldades enfrentadas pelo setor. Em geral, elas estão relacionadas aos altos custos de fabricação que encarecem os produtos nacionais em termos mundiais – especialmente se comparadas aos equipamentos chineses. “Tivemos aumento de custo de mão de obra bem acima da inflação. Embora tal fato tenha contribuído para o aumento do consumo, isso influencia bastante no preço do produto final”, explica Zanetti. “Com o dólar também baixo, as exportações que chegavam a 20% de nossa produção hoje mal atingem 5%, mesmo trabalhando bastante o cliente.”


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