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4 de abril de 2011

Brasilplast 2011 – Resinas – Cenário internacional pressiona o setor por novas estratégias

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Crise econômica global, turbulências políticas no Oriente Médio e desastre climático catastrófico na Ásia: ingredientes suficientes para elevar os preços das resinas commodities. A pressão política na região produtora de petróleo elevou para mais de cem dólares a cotação do barril de óleo. Mas, como disse um executivo da indústria do plástico, instabilidades de curto prazo acontecem com frequência, e o mercado já dribla com melhor habilidade essas quase rotinas.

    “É preciso analisar a questão a curto e longo prazo”, pondera João Luiz Zuñeda, diretor da Maxiquim Assessoria de Mercado, consultoria com forte atuação nos segmentos das commodities petroquímicas e resinas termoplásticas, entre outros assuntos do gênero. Na opinião dele, o atual cenário de pressão dos países ocidentais por um ambiente mais democrático no Oriente Médio exige uma reflexão mais aprofundada, pois os resultados dessas ações devem definir cenários de longo prazo. “Essa cruzada Ocidental vai pressionar no médio e longo prazo o preço do petróleo”, prevê.

    Plástico moderno, João Luiz Zuñeda, Diretor da Maxiquim Assessoria de Mercado, Brasilplast 2011 - Resinas - Cenário internacional pressiona o setor por novas estratégias

    Zuñeda: é preciso saber o que fazer com a riqueza do pré-sal

    Em meio às turbulências, a indústria química e petroquímica mundial discute a entrada em um novo ciclo de alta. No entender do diretor da empresa de consultoria, esse ciclo chegou, sim, e deve permanecer no mercado norte-americano, no qual o shale gas abre novas perspectivas para a indústria de polietilenos com matérias-primas a custos competitivos.

    É verdade que a indústria petroquímica mundial conseguiu readequar seus custos, com os preços dos insumos básicos mais elevados, e manter um bom pulso nos negócios. Mas ainda restam algumas dúvidas: por exemplo, se fora dos Estados Unidos não haveria apenas uma bolha nessa onda de alta. Zuñeda reconhece que o pior momento da indústria já passou, mas não acredita que o melhor já começou. “Acho que estamos em um momento de transição de um ciclo de baixa para um de alta”, opina.

    E o reflexo de toda essa movimentação no mercado brasileiro carrega junto questões relativas às riquezas do pré-sal. São decisões estratégicas e emergentes. “É fundamental investir na indústria química, que é o segundo maior déficit brasileiro”, aponta Zuñeda. O gás natural no Brasil é muito caro e há contratos extensivos até 2012 que impossibilitam redução nos preços. Por outro lado, há uma forte pressão para baixo nos preços do gás natural no mercado internacional. “É hora de pensar na indústria química e petroquímica brasileira, que precisará ter gás natural a preço competitivo; é uma questão de riscos e oportunidades”, sugere. É preciso regular o gás natural, definir investimentos. “Nós temos essa riqueza e precisamos saber o que fazer com ela.” No entender dele, é hora de tomada de decisões estratégicas de precificação.

    Essas considerações impactam de frente os projetos para a indústria brasileira de resinas. Afinal, qual será o novo paradigma da petroquímica nacional? Essas decisões definirão o caminho que levará o setor a manter a sua posição entre os cinco maiores do mundo.

    O momento também é dos mais propícios para a transformação brasileira entender o contexto global no qual se insere, aproveitando ótima oportunidade de se enfronhar nos acontecimentos mundiais relativos ao andamento do setor em uma conferência programada para o dia 10 de maio, durante a Brasilplast, e organizada em conjunto pela Abiplast e pela consultoria americana Chemical Market Associates, Inc. (CMAI): a Primeira Conferência Latino-Americana de Petroquímica e Plásticos (CLAPP). Cada vez mais analistas e transformadores brasileiros participam das reuniões promovidas pela entidade nos Estados Unidos, em Houston, Texas; e para quem não pôde, até então, marcar presença por lá, eis uma chance.

    Estar presente nesse evento pode representar uma oportunidade ímpar para o transformador brasileiro enxergar com outro olhar a cadeia do plástico, contextualizada mundialmente, e mesmo negociar com os fornecedores nacionais preços mais competitivos para as suas matérias-primas.

    O encontro promete uma análise das tendências dos mercados petroquímicos e de plásticos em nível global e suas influências sobre a indústria da América Latina. Os temas abrangem aspectos econômicos e de energia, preços, oferta, demanda e fluxos de comércio na região e em outras partes do mundo.

    Compasso acelerado – Com os números fechados do último trimestre, a Braskem, maior produtora das Américas de resinas termoplásticas, atingiu em 2010 um EBITDA (lucro antes de impostos, taxas, depreciações e amortizações) de R$ 4,1 bilhões, 27% superior ao de 2009. Em dólares, a alta é maior, 41%, e o montante, US$ 2,3 bilhões. Tiveram papel relevante nesse resultado, os ganhos com eficiência operacional da Quattor, o aumento médio das vendas no mercado doméstico e a recuperação dos preços internacionais de resinas termoplásticas e dos insumos básicos, por conta da melhoria no cenário econômico global.

    Plástico moderno, Brasilplast 2011 - Resinas - Cenário internacional pressiona o setor por novas estratégias

    Ainda são esperadas capturas de sinergia interessantes em 2011 (R$ 377 milhões em EBITDA anual) e em 2012 (R$ 495 milhões). O alcance dessas metas passa pela rota de buscar a melhor produtividade para cada grade de resina, combinando a malha produtiva Braskem/Quattor. Os estudos envolvem dedicação de reatores e plantas. “Teremos aumento na eficiência e produtividade, com redução de material fora de especificação, de grades redundantes e de custos”, explica o presidente Carlos Fadigas. Também faz parte dos planos otimizar a malha de distribuição e armazenagem.


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