Máquinas e Equipamentos

2 de junho de 2011

Brasilplast 2011 – Moldes – Presença de ferramenteiros é escassa

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    O mercado brasileiro de ferramentarias é bastante pulverizado. Não existem estatísticas corretas, mas estima-se a existência de centenas dessas empresas espalhadas pelo país. Diante desse cenário, quem esteve presente na Brasilplast ficou decepcionado ao encontrar poucos representantes do setor entre os expositores.

    A justificativa para a ausência, na opinião dos profissionais do setor, encontra-se no fato de a grande maioria dessas empresas serem de pequeno porte. Falta fôlego financeiro para uma participação mais expressiva em um evento no qual o espaço disponível é caro. Importantes empresas do ramo, no entanto, com capacidade de tal tipo de investimento, não compareceram.

    Os moldes não são produtos de prateleira. Seus projetos, muitas vezes, são produzidos a quatro mãos entre os ferramenteiros e seus clientes. Em uma feira como a Brasilplast, o mais importante é manter bom relacionamento com clientes ativos e realizar contatos que no futuro possam gerar bons negócios. Nessa edição, houve uma novidade. A Moltec, conhecida ferramentaria instalada na capital paulista, levou um molde pronto para vender durante a exposição.

    Não é de hoje que os ferramenteiros nacionais reclamam da concorrência asiática – em especial da chinesa. Não à toa, os empresários brasileiros do ramo comemoram uma vitória importante, obtida recentemente. Depois de muitas negociações, representantes do setor conseguiram do governo federal o aumento da alíquota de importação dos moldes de 14% para 30%. A medida entrou em vigor no dia primeiro de março.

    A nova taxa não desanimou os fabricantes de moldes da região oriental. Eles compareceram em bom número no Anhembi, na maioria dos casos em estandes minúsculos. Tiveram problemas de comunicação, é verdade. Os expositores daqueles países não falam o idioma português e tampouco contavam com tradutores. Eles se mostraram avessos a entrevistas para a imprensa. Mas marcaram presença, e certamente fizeram vários contatos com transformadores brasileiros interessados em adquirir matrizes.

    Para os empresários de ferramentarias que passearam na mostra na condição de visitantes, havia bastante coisa para ver. Fabricantes de importantes componentes, como porta-moldes e câmaras quentes, entre outros acessórios, mostraram lançamentos. Também estiveram por lá fornecedores de matérias-primas.

    Plástico Moderno, Eduardo Cunha, Diretor executivo, Brasilplast 2011 - Moldes - Presença de ferramenteiros é escassa

    Cunha: participar do evento foi positivo e pode render negócios

    “Gatos pingados” – Entre as poucas ferramentarias nacionais presentes, a Moltec inovou. Como fez nas últimas edições da feira, a empresa, especializada em matrizes para injeção e sopro, priorizou o evento para realizar ações de caráter institucional. Falou aos visitantes sobre os fortes investimentos feitos recentemente na aquisição de máquinas de usinagem e priorizou a divulgação de seus projetos voltados para a fabricação de moldes para todas as etapas de embalagens PET. Foi dada especial atenção ao seu know-how com moldes voltados para a produção de tampas fliptop dotados com sistema in mold close, pelo qual as tampas são extraídas fechadas.

    Para o mercado do PET, veio o anúncio inédito. A empresa levou um molde pronto, de 24 cavidades, voltado para a produção de pré-formas de garrafas de água mineral. “É a primeira vez que trazemos um molde para ser vendido em uma exposição”, informou o diretor executivo Eduardo Cunha. O resultado da iniciativa foi considerado positivo. “Não vendemos o molde, mas fizemos tratativas que podem resultar na efetivação do negócio”, revelou. O atual momento do mercado é considerado positivo. “O ano de 2010 foi excelente e o início de 2011, apesar de pequena retração, está atendendo às nossas expectativas.”

    Plástico Moderno, João Guilherme Godinho, Gerente de vendas, Brasilplast 2011 - Moldes - Presença de ferramenteiros é escassa

    Godinho anunciou a compra de duas máquinas injetoras, por conta da expansão do mercado na Região Nordeste

    A Moldit, ferramentaria tradicional em Portugal, tem fábrica em Camaçari-BA desde 2004. A chegada ao Brasil se deu para aproveitar o início do funcionamento da fábrica da Ford na Bahia. A empresa, especializada em moldes de grande porte, de seis toneladas para cima,  hoje, se transformou em uma das principais ferramentarias da Região Nordeste. “O mercado na região está em expansão”, informou João Guilherme Godinho, gerente de vendas. Um dos nichos de mercado que avançam por lá é o de móveis de plástico. “A Tramontina instalou uma fábrica em Pernambuco e a Ibap, no Ceará.” A indústria automobilística é outro exemplo. “A Fiat está instalando mais uma fábrica em Pernambuco”, contou.

    Essa expansão do mercado gerou investimentos, divulgados durante a realização da feira. “Compramos duas injetoras KraussMaffei, que estarão em funcionamento até o final do ano. Uma tem 600 toneladas de força de fechamento e a outra 1.300”, revelou. O objetivo é realizar operações de tryout dos moldes fabricados e também injetar peças para terceiros. Em tempo: a empresa conta com escritório de venda em Santo André-SP, voltado para explorar a região mais industrializada do país.

    Plástico Moderno, Edson Hertenstein, Diretor comercial, Brasilplast 2011 - Moldes - Presença de ferramenteiros é escassa

    Hertenstein: expor no evento melhora imagem da ferramentaria

    A Herten é a ferramentaria mais antiga de Joinville-SC. Está há trinta anos no mercado. É especializada na produção de moldes de injeção de plástico e alumínio. Boa parte dos serviços prestados é voltada para a produção de matrizes de peças técnicas. Os transformadores ligados às indústrias automobilísticas, de linha branca e de peças de ciclo rápido estão entre os principais clientes.

    A empresa é habitué da Brasilplast. Edson Hertenstein, diretor comercial, definiu a presença na feira como um investimento importante para a imagem da ferramentaria. O dirigente acredita que o evento é uma excelente oportunidade para manter contatos descontraídos com os clientes ativos e alinhavar conversas promissoras. “No nosso segmento, para fazer um orçamento demoramos de dois a três dias. É difícil fechar negócio na feira, a não ser quando há alguma negociação prévia”, disse. Em relação à presença tímida da concorrência, ele tem uma explicação simples: “Muitos colegas não vêm porque acham o custo do estande elevado, olham a exposição como um gasto”, analisou.


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