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4 de abril de 2011

Brasilplast 2011 – Ferramentaria – Custo elevado da feira deixa muitos fabricantes de fora

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Já virou tradição. As ferramentarias brasileiras participam como expositoras da Brasilplast de forma muito discreta. O número de presentes entre as empresas do ramo na exposição talvez possa ser contado nos dedos das mãos. Os motivos alegados para a ausência desta vez são os mesmos apresentados pelos representantes do setor nas edições anteriores da feira. O mercado é pulverizado, formado em sua grande maioria por empresas de pequeno porte. Não são muitas as dispostas ou em condições de pagar o preço “salgado” cobrado para instalar um estande.

    Colabora com o cenário, o fato de as ferramentarias não fabricarem produtos em série. A divulgação da marca delas na exposição se resume a ações institucionais, ao contrário das empresas que aproveitam a oportunidade para divulgar lançamentos. A estratégia dos participantes é tentar convencer clientes e possíveis compradores sobre a excelência dos serviços prestados. Em tempo: mesmo as interessadas em fazer parte da exposição nem sempre conseguem. Quem não garante presença com muita antecedência sofre, enfrenta missão árdua. A procura por espaços é maior do que a oferta e muitas empresas, mesmo as de outros nichos de negócios, não raro, amargam o “castigo” de ficar na fila de espera.

    Uma curiosidade: não é de hoje que os fabricantes nacionais de matrizes reclamam da forte concorrência promovida pelas empresas asiáticas. Em relação à Brasilplast, as representantes de orientais, com incentivo ou não dos governos dos seus países de origem, têm adotado comportamento diferente das brasileiras. Elas veem com maior entusiasmo a oportunidade de aumentar sua participação no mercado com a ajuda da feira e estão ocupando espaço crescente no Anhembi nas últimas edições do evento. Neste ano, o fato deve se repetir.

    O atual momento do mercado é positivo. No ano passado, a despeito das queixas resultantes da concorrência internacional, as vendas foram empurradas pelo bom momento da economia. Nos primeiros meses de 2011, prevalece o otimismo. Uma notícia sem nenhuma ligação com o evento do Anhembi fortaleceu o bom humor das empresas brasileiras. A Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações (CSFM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) firmou acordo, depois de exaustivas negociações com o governo federal, para o aumento da alíquota de importação dos moldes de 14% para 30%. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de fevereiro e a alteração entrou em vigor no dia 1º de março. Com a medida, todos garantem ter aumentado a competitividade das matrizes made in Brasil.

    Os ferramenteiros podem não comparecer de forma marcante como pessoas jurídicas, mas marcam presença na condição de visitantes. Esse é o motivo pelo qual os especialistas em vários produtos usados na confecção de moldes costumam montar estandes no evento. Podemos citar, por exemplo, os fornecedores de porta-moldes, câmaras quentes e acessórios como pinos, buchas e colunas, entre outros. Também montam estandes os fabricantes e distribuidores do aço usado na confecção das matrizes.

    Plástico moderno, Eduardo Cunha, Diretor executivo, Brasilplast 2011 - Ferramentaria - Custo elevado da feira deixa muitos fabricantes de fora

    Cunha apostou pesado em aprimoramento tecnológico

    “Batendo o ponto” – Apesar da pouca representatividade do segmento, alguns nomes de expressão no meio costumam “bater o ponto” na exposição. Uma dessas empresas é a Moltec, fundada em 1971 e uma das mais conhecidas ferramentarias brasileiras. É especializada em matrizes para injeção e sopro. “Nessa Brasilplast queremos mostrar para o mercado nossos avanços tecnológicos. Fizemos investimentos pesados na aquisição de máquinas de usinagem, como equipamentos de furação profunda, e também de metrologia”, resume Eduardo Cunha, diretor executivo.

    A tática a ser adotada na Brasilplast tem por objetivo, de maneira particular, a confraternização com clientes e amigos. “Durante a feira é difícil concluir negócios, embora isso acabe acontecendo vez por outra”, explica. A prioridade será divulgar os serviços oferecidos para a realização de projetos voltados para a fabricação de moldes de pré-formas para embalagens de PET. “Fixamos posição, estamos bem consolidados nesse segmento”, justifica. A Moltec também vai reforçar a divulgação de outros diferenciais. Entre eles, destaque para a excelência da equipe de projetistas e dos equipamentos de usinagem instalados em seu parque fabril. A utilização dos programas 3D para projetar moldes de sopro, especialidade da casa, é apontada como fato raro no mercado.

    Em relação ao atual momento do mercado, Cunha demonstra satisfação. “O ano de 2010 foi excelente”, informa. O início de 2011, apesar das vendas terem se retraído um pouco em relação ao mesmo período do ano passado, não decepciona. “O momento atual está atendendo às nossas expectativas.” O aumento do imposto para os importados reforça a boa impressão. “Não enfrentamos apenas os moldes chineses. Com a crise econômica mundial, fabricantes da Europa e dos Estados Unidos também passaram a ficar de olho no nosso mercado e a medida nos ajuda a sermos mais competitivos”, diz.

    “Nós consideramos as feiras como investimento. Para a maioria das ferramentarias, elas são vistas como despesas”, avalia Edson Hertenstein, diretor comercial da Herten, para explicar a participação tímida do segmento. O que atrapalha a presença de um número maior de empresas do gênero na exposição é o custo alto para a obtenção do espaço. “Muitos preferem investir em feiras regionais, como as realizadas em Joinville [SC] e Caxias do Sul [RS]”, diz.


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