Aditivos e Masterbatches

2 de maio de 2011

Brasilplast 2011 – Aditivos – Plastificante Ftálico perde mercado

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Publicado por: Renata Pachione
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    As novidades desta edição da Brasilplast para o mercado de aditivos foram diversas e se diluíram neste vasto universo de produtos. No entanto, os plastificantes mereceram um capítulo à parte. O segmento foi escolhido para integrar a conferência promovida paralelamente à feira, no Holiday Inn Park Anhembi, entre os dias 10 e 11 de maio. Roberta Maturana, gerente regional de vendas da Lanxess, na área Functional Chemicals, apresentou o tema “Mercado global de plastificantes” e destacou os desenvolvimentos livres de ftalatos, as tendências e os desafios do setor.

    Trata-se de um mercado de 6 milhões de toneladas/ano, dos quais as fórmulas base ftalato representam a maior fatia: 87% do total. Seu crescimento está atrelado ao do PVC flexível, pois a resina representa até 90% da demanda global de plastificantes. A capacidade instalada na América Latina é de 200 mil toneladas, enquanto o consumo na região gira em torno de 260 mil toneladas. “No Brasil, por exemplo, se importa muito plastificante”, comentou Roberta.

    A China tem se destacado no cenário global. Com produção de 1,5 milhão de toneladas e consumo de 1,8 milhão de toneladas, o país apresentou um aumento drástico nas vendas dos últimos anos. “Esse incremento se baseou no sólido desempenho do mercado chinês de PVC flexível”, disse. De acordo com ela, os fabricantes desse país construíram uma grande capacidade de produção para sustentar o crescimento do mercado doméstico e das exportações. O problema está no tipo de produto: são plastificantes de fins gerais, como o octil ftalato (DOP), também denominado di-2-etilhexil ftalato (DEHP), e di-isononil ftalato (DINP). Ela explicou o porquê: o Oriente não concentra a maior parte da fabricação de plastificantes isentos de ftalatos, pois é no Ocidente que a regulamentação conta com certa rigidez.

    Mesmo assim, segundo Roberta, o consumo de determinados produtos, entre os quais se destaca o DOP, sofreu uma queda significativa no mundo. “Todos os plastificantes ftálicos estão perdendo participação de mercado de forma contínua”, afirmou. Em 2001, os plastificantes livres de ftalato representavam 10% do consumo global, hoje é de 17%.

    Plástico Moderno, Brasilplast 2011 - Aditivos - Plastificante Ftálico perde mercado

    O mercado norte-americano lidera essa corrida. A previsão é de que em 2013 o país tenha promovido a substituição de 29% dos plastificantes ftálicos para os isentos de ftalato. Nesse mesmo quesito, espera-se que a Europa apresente números da ordem de 19%. Na América Latina, as expectativas são bem mais modestas, apontam para 8% do total. A base, no entanto, é fraca. Segundo os dados mais recentes (de 2008), na região, apenas 3% desses aditivos são livres de ftalato. “Os números são modestos, mas vejo como uma tendência o avanço do consumo”, observou Roberta. A título de comparação, esses percentuais nos Estados Unidos e na Europa são de 27% e 16%, respectivamente.

    São muitos os desafios da indústria para os próximos anos. Na opinião de Roberta, falta uma ampla capacidade para atender ao desejo do mercado de promover a substituição dos ftalatos em tempo hábil e, muitas vezes, grandes unidades industriais não podem ser convertidas com facilidade para a fabricação de outras moléculas.

    Outra questão se refere ao acesso amplo ao fornecimento de matérias-primas de baixo custo (componente álcool ou ácido), além do fato de grande parte das formulações padrão de PVC ser baseada em plastificantes ftálicos. Ou seja, para produzir aditivos alternativos, o industrial precisa de um tempo para a adaptação de suas formulações, já que passará a utilizar outras moléculas com diferente interação com a resina base.

    Apesar desse cenário, Roberta aposta na mudança estrutural do mercado, com o aumento do consumo dos plastificantes livres de ftalato. “A substituição continuará e será mais rápida”, sentenciou. A favor dessa previsão estão as restrições regulatórias, que limitarão cada vez mais o uso de muitos plastificantes usados tradicionalmente, e os muitos players na indústria que estão estabelecendo como estratégia a formulação de alternativas aos plastificantes base ftalato.

    Nesse último quesito, ela incluiu a Lanxess. Como não poderia ser diferente, Roberta aproveitou a ocasião para divulgar os desenvolvimentos da companhia alemã, como o Unimoll AGF, um plastificante monomérico para a produção de filmes estiráveis de PVC. A molécula é indicada para produtos que estarão em contato com alimentos e conta com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Lanxess passou a se concentrar na produção de alternativas ao ftalato em 2006; no portfólio constam também marcas já conhecidas como Mesamoll, Ultramol e Adimol. Não por acaso, no ano passado, a companhia anunciou aumento de 40% na capacidade produtiva do Mesamoll.

    Para Roberta, os prognósticos são positivos. A tendência é de os preços desses plastificantes alternativos serem mais competitivos e obviamente seu consumo avançar. “Ainda somos mais caros, mas estamos aumentando a capacidade produtiva e temos planos de verticalização, o que reduzirá os custos”, concluiu.

     

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