Plástico

13 de maio de 2009

Brasilplast 2009 – Commodities – Arrefecimento da crise aliviou os fabricantes, com exposições focadas em sustentabilidade

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Fruto da consolidação da petroquímica nacional, o redesenho da indústria brasileira de resinas commodities conferiu novos contornos aos corredores da Brasilplast. Resultantes do processo de integração, os grupos Quattor e Braskem estamparam sua imponência em estandes gigantes, os maiores da feira, proporcionais à sua posição no mercado. Talvez por conta da “marolinha”, notou-se a ausência de empresas renomadas do setor, como a produtora de poliestireno Innova (de Triunfo-RS), entre outras. Instalada quase ao lado de sua concorrente, a Quattor debutou nesta feira. Animado com a tendência de recuperação das vendas, fortalecida em março e abril, segundo seu testemunho, Vítor Mallmann, presidente da empresa e também do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp), comemorou as manifestações e receptividade dos clientes em seu estande. Sua percepção é a de que o movimento de realização de estoque está se encerrando, favorecendo a retomada da demanda, com sinais positivos de uma normalização. Maio deve ser um bom divisor de águas e as expectativas são de retomada das vendas ao patamar pré-crise.
    A feira serviu de palco para a Quattor reforçar a linha de nanocompósitos de polipropileno, herdada da extinta Suzano

    Plástico Moderno,  Vítor Mallmann, presidente da empresa e também do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp), Commodities - Arrefecimento da crise aliviou os fabricantes, com exposições focadas em sustentabilidade

    Mallmann: demanda sinaliza normalização

    Petroquímica, com foco em novos desenvolvimentos, em fase de projeto piloto. Os produtos nanoestruturados envolvem opções de compostos de PP com maior resistência ao risco, antimicrobianos Ainda falta consolidar o desenvolvimento do processo, mas a patente já foi depositada e ele aposta que obterá um propeno de menor custo em relação às rotas convencionais.

    O presidente da Quattor ressaltou que a tecnologia, desenvolvida em conjunto com um grupo de pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é inédita em âmbito mundial e sua expectativa é de consolidá-la no final de 2010, quando os planos contemplam uma operação em escala piloto. O local da produção, porém, ainda não foi definido.

    Do processo produtivo do biodiesel resulta como subproduto a glicerina, na proporção média de um quilo para cada dez quilos de biodiesel. A demanda atual brasileira de glicerina, da ordem de 30 mil toneladas anuais, é abastecida principalmente pelas indústrias de sabão (também geradoras da glicerina como subproduto). Porém, com a previsão da utilização do B5 (adição obrigatória de 5% de biodiesel no diesel petroquímico) para meados de 2010, o país deverá gerar da ordem de 260 mil toneladas de glicerina como subproduto de uma fabricação anual estimada de 2,5 bilhões de litros de biodiesel. A produção do propeno verde contribuiria, assim, para resolver uma questão ambiental, visto que não há mercado para tal nível de excedente de glicerina.

    A tecnologia patenteada pela Quattor se baseia em um sistema catalítico capaz de promover uma reação que transforma seletivamente a glicerina em propeno. Esse biopropeno servirá de insumo para a produção de polipropileno verde, que dispõe das mesmas propriedades do polímero sintetizado com o propeno oriundo da nafta.

    A Braskem está igualmente investindo em pesquisas e desenvolvimento de um propeno de fonte renovável, a fim de fabricar também polipropileno verde. O projeto deve absorver monta da ordem de R$ 8,25 milhões, prevista para aplicação nos próximos três anos, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp, detentora de 50%) e parceria com a área de biotecnologia da Universidade de Campinas (Unicamp). A tecnologia se encontra em teste em escala piloto.

    Diferentemente das edições passadas da Brasilplast, a Braskem antecipou os diversos lançamentos – novos produtos ou aplicações –, planejados para a feira (ver PM nº 414, abril de 2009, página 102), frutos do Programa de Inovação Braskem (PIB). Desde a sua criação, há cinco anos, o projeto respondeu por 100% dos lançamentos da empresa, um total de 120 novos produtos.

    A fabricante ainda aproveitou o clima da feira para divulgar seu balanço do primeiro trimestre do ano. A boa notícia foi que os resultados mostraram aumento das exportações e também uma recuperação nas vendas no mercado doméstico, observada em março. A má, que essa reação foi insuficiente para compensar o cenário adverso de janeiro e fevereiro, de acordo com o presidente da Braskem, Bernardo Gradin. Por conta, principalmente, da queda dos preços das resinas no mercado doméstico e da redução nos volumes no primeiro bimestre, a receita líquida encolheu 24% no primeiro trimestre de 2009, em comparação com os últimos três meses de 2008, com um resultado de R$ 3,2 bilhões. “Apesar do trimestre difícil, março e abril foram meses mais regulares”, comentou. Os segmentos de embalagens, bens de consumo, higiene pessoal e limpeza se destacaram entre os de melhor desempenho.


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