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6 de abril de 2007

Brasilplast 2007 – Transformação – Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    A indústria de transformação de plásticos ocupará área significativa da Brasilplast expressando sentimentos contraditórios sobre o desempenho setorial. Empresas ligadas ao fornecimento de peças e partes para as poderosas montadoras de automóveis exibirão sorrisos largos ao lado da linha de produtos, ladeadas pelos produtores de artigos para embalagens. Nos demais casos, com poucas exceções, o sorriso será amarelo.

    Plástico Moderno, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações

    Plástico Moderno, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações

    Levantamento estatístico da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) estudou o setor em 2006 e o quadro final não é exatamente animador. “Nosso faturamento em reais encolheu 3,17% em relação a 2005, embora tenhamos aumentado a produção física em quase 11%, após converter mais de quatro milhões de toneladas de resinas”, disse Merheg Cachum, presidente da entidade.

    O dirigente espera dias melhores em 2007, muito dependente da manutenção do desempenho automobilístico que promete quebrar recorde de produção no País. “Ainda esperamos as reformas essenciais do País, como a tributária, e uma reorganização fiscal, para que o governo gaste menos e com mais eficiência os recursos arrecadados dos cidadãos e das empresas”, criticou Cachum. Do ponto de vista prático, a Abiplast entabulou diálogo com o novo Ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, para conhecer as diretrizes que pretende imprimir à frente da pasta. A convivência com o ministro anterior, o empresário Luiz Fernando Furlan, foi classificada como proveitosa e amigável por Cachum.

    Plástico Moderno, Merheg Cachum, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações

    Cachum: setor precisa de proteção contra chineses

    O desejo imediato do setor é a manutenção da equipe de apoio ao esforço exportador brasileiro, concentrada na agência Apex e na Camex, com destaque para Juan Quirós e Mário Mugnaini, cujos trabalhos têm rendido frutos. “O presidente Lula diz ser desenvolvimentista e o setor plástico quer colaborar”, afirmou.

    Ao mesmo tempo, o aumento das importações de produtos plásticos transformados representa ameaça real ao setor. “O governo precisa nos dar alguma proteção contra os produtos chineses que são produzidos em condições diferentes de mão-de-obra, impostos, subsídios e até de suprimento de matérias-primas”, defendeu. Além disso, ele recomenda verificar se os importados seguem as mesmas normas de qualidade exigidas da indústria brasileira, o que poderia configurar concorrência desleal. Os segmentos de brinquedos e de filmes plásticos impressos para embalagem sofrem concorrência severa dos similares chineses, reforçados pela taxa cambial.

    Questionado se o setor fez sua “lição de casa”, buscando atualizar métodos e adotar posturas empresariais mais competitivas, Cachum responde com o fato de muitas transformadoras nacionais terem investido pesado nos últimos anos para adquirir equipamentos e tecnologia para alcançar escala e qualidade mundiais. “Nossas exportações cresceram, mas poderiam ter sido ainda melhores não fossem os problemas estruturais brasileiros”, lamentou. Ele considerou também que o comércio internacional é via de mão dupla, ou seja, importações e exportações devem conviver. Mas o setor precisa seguir aumentando a capacidade de transformação e a qualidade.

    Sempre defendendo a unidade da cadeia produtiva, Cachum considerou positiva a compra do Grupo Ipiranga, grande produtor de polietilenos e polipropileno no Rio Grande do Sul, pela Braskem, com apoio da Petroquisa (ver texto na seção de resinas). “O efeito dessa concentração empresarial deve ser positivo na cadeia, por permitir reduções de custos que melhorem a competitividade de toda a cadeia do plástico”, afirmou. Além disso, o negócio evitou a transferência desses ativos ao controle de grupos estrangeiros, menos sensíveis às questões locais.

    Plástico Moderno, Wagner Delarovera, diretor do Programa Export Plastic, Brasilplast 2007 - Transformação - Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos conseguem crescer até nas exportações

    Delarovera: cadeia produtiva unida amplia exportação

    Exportação reforçada – A análise do comércio exterior do setor plástico não deve se limitar ao acompanhamento do saldo comercial. A recomendação vem de Wagner Delarovera, diretor do Programa Export Plastic, coordenado pelo Instituto Nacional do Plástico (INP), com apoio da Abiplast e da Abiquim, com participação da Apex e de todos os segmentos da cadeia produtiva, desde o petróleo até a transformação. Na sua análise, feita com base nas estatísticas da Abiplast e números oficiais da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), nos últimos dez anos, o saldo negativo do setor caiu em números brutos e, além disso, encolheu muito mais significativamente em relação ao fluxo do comércio setorial. Ou seja, embora a diferença entre exportações e importações ainda seja considerável, ela passou a representar apenas 15% do total transacionado. “Isso comprova o dinamismo comercial do setor”, explicou.

    O aumento do fluxo de comércio também evidencia a maior exposição do País ao mercado mundial. Isso incentiva a evolução tecnológica de toda a cadeia, com aumento gradual da qualidade dos produtos transformados, mesmo os vendidos no mercado interno.

    Os números também registram a evolução da competitividade setorial. “Desde 1996, as exportações brasileiras de plásticos cresceram quase quatro vezes mais que as importações, tanto em peso quanto em valor”, acrescentou Delarovera. Ele comparou o valor médio das exportações e importações ao longo do tempo e observou que o valor adicionado dos itens feitos no País tem melhorado. No ano 2000, a média das exportações foi de US$ 3.022/t, contra US$ 3.830/t do valor médio das importações, perfazendo uma diferença de 26,7% sobre o produto local. Em 2006, os valores foram, respectivamente, US$ 3.240/t e US$ 4 mil/t, reduzindo a distância para 23,5%. Isso, apesar do câmbio desfavorável, que gera menos dólares por real produzido.


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