Reciclagem

29 de maio de 2014

Biopolímeros: Tendências globais apontam forte crescimento e futuro auspicioso para os plásticos com menor pegada ecológica

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Plástico Moderno, Biopolímeros: Tendências globais apontam forte crescimento e futuro auspicioso para os plásticos com menor pegada ecológica
    A preferência cada vez mais acentuada dos consumidores por produtos sustentáveis promete conduzir a indústria do plástico na direção da classe dos biopolímeros – derivados ou não de fontes renováveis – e estimular seu desenvolvimento e expansão em novas aplicações, inclusive em bens duráveis. O bioplástico compreende um conceito abrangente e abarca várias famílias de produtos. Alguns obtidos de fonte renovável, mas não biodegradáveis, como os polietilenos verdes, polimerizados com eteno oriundo do etanol da cana-de-açúcar. Tais resinas carregam duas vantagens relevantes dentro do conceito de sustentabilidade: economizam recurso fóssil e contribuem para o tão propalado sequestro de carbono. Alguns polímeros reúnem as duas coisas, fonte renovável e biodegradabilidade, como os à base de amido e de ácido poliláctico. Outros, ainda, embora procedam de origem fóssil, embutem propriedades biodegradáveis, como algumas marcas comerciais.

    Pesquisas norte-americanas e europeias endossam um futuro promissor para os bioplásticos em âmbito mundial. E a petroquímica brasileira aparece em levantamento recente publicado pela consultoria norte-americana The Freedonia Group como provável maior produtora mundial de bioplásticos até 2022, com as suas resinas produzidas com matérias-primas derivadas de fontes renováveis. China e Tailândia também estão no páreo.

    No seu estudo World Bioplastics, a consultoria prevê um crescimento global da ordem de 19% ao ano, com uma demanda estimada em 950 mil toneladas, em 2017, considerando os plásticos baseados em insumos obtidos de fontes renováveis e os biodegradáveis. As projeções da European Bioplastics, associação representativa de mais de 70 empresas desse ramo de negócios na União Europeia, referem índices de crescimento para o setor acima de 20% ao ano.

    O levantamento do Freedonia Group avança até 2022 e prognostica que, embora ascendente, o mercado de bioplásticos deve representar menos de 1% da demanda global de resinas. Afinal, trata-se de um segmento ainda em fase embrionária de desenvolvimento e um avanço mais acentuado, com produções em altas escalas, depende de fatores como custos e desempenho, particularmente no caso dos plásticos biodegradáveis, comercializados a preços ainda salgados na comparação com as resinas convencionais.

    Despontam como favoritas na pesquisa americana as resinas produzidas com matérias-primas provenientes de fonte renovável, como o polietileno feito com eteno verde e o polipropileno baseado em um biopropeno. Para elas são esperados os ganhos mais rápidos de demanda.

    Entre os polímeros degradáveis, o estudo elege as resinas à base de amido e de ácido polilático (PLA) entre as mais requisitadas em 2017, somando acima de 60% da demanda. As primeiras tendem a avançar, ao redor do mundo, particularmente na fabricação de sacolas plásticas, em substituição aos polímeros convencionais. No caso do PLA, os estudos identificam maior desenvolvimento de resinas e compostos de desempenho para atender aplicações mais duráveis, entre as quais peças automotivas e eletrônicas.

    Plástico Moderno, Elias: carbono presente no plástico verde é proveniente da atmosfera

    Elias: carbono presente no plástico verde é proveniente da atmosfera

    Polietileno verde – Com o objetivo de alcançar a liderança mundial em química sustentável, a Braskem iniciou há quase quatro anos a produção do seu biopolietileno com eteno derivado do etanol da cana-de-açúcar, e conquistou diversas aplicações para o produto no país e fora dele. A capacidade instalada atual mantém as 200 mil toneladas anuais, com a disposição de 30 grades, incluindo resinas de PEAD, PEBDL e PEBD. As de baixa densidade incorporadas ao portfólio neste ano, desenhadas para atender aos mercados de coating (revestimentos), filmes e injeção.

    Essa ala de desenvolvimento da Braskem, segundo informa o diretor de químicos renováveis, Alexandre Elias, conta com uma equipe técnica específica para atender aos mercados interno e externo, com o papel de “entender as especificidades de aplicações em cada região e maximizar o seu conteúdo renovável, ou seja, o percentual de polietileno verde no produto, através do portfólio atual; além de oferecer apoio para solucionar aspectos técnicos, identificar oportunidades e ampliar o leque de aplicações do produto”. Os membros da equipe dispõem de dois Centros de Tecnologia e Inovação, um em Triunfo-RS e outro em Pittsburgh, nos Estados Unidos, para o desenvolvimento de novas resinas e atualização tecnológica do portfólio atual.

    Fruto desse trabalho, o PE verde conquistou diversas aplicações, entre as quais o diretor menciona embalagens de alimentos, de bebidas lácteas, de produtos de higiene e limpeza, de cosméticos e de PET food, além de sacolas, tapetes para automóveis, grama sintética, fios e cabos. “Diversas empresas globais, dos mais variados segmentos, utilizam o plástico verde”, relata.


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