Plástico

27 de agosto de 2011

Bioplásticos – Plástico biodegradável em tempo recorde já é realidade

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Publicado por: Anelise Sanches de Roma
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    Este ano vai ficar na história e marcar a green economy italiana. Desde o início de 2011, o comércio varejista do país foi obrigado a substituir as tradicionais sacolas de plástico de polietileno oferecidas aos consumidores por outras feitas de tecidos, papel, ácido polilático ou produzidas com mater-bi, ou seja, os biopolímeros derivados do amido de milho.

    Segundo a associação agrícola Coldiretti, os italianos estão entre os maiores consumidores europeus de sacolas plásticas, com uma taxa média per capita de mais de 300 unidades por ano. No entanto, com a entrada em vigor da lei que proíbe a sua utilização e fabricação, o governo espera reduzir drasticamente a quantidade de resíduos plásticos dispersos no meio ambiente.

    A promulgação da lei que acompanhou a norma europeia EN13432 – favorecendo o uso de materiais ecológicos – suscitou aplausos e polêmicas.

    De um lado, há quem considere o apoio legislativo indispensável para sustentar o crescimento do emergente mercado de bioplásticos. Por outro lado, há quem acredite que a política a favor dos biopolímeros exigirá do mundo empresarial um grande esforço econômico. Segundo a associação Unionplast (Unione Nazionale Industrie Trasformatrici Materie Plastiche), a manobra do governo provocará pelo menos cinco mil demissões. A associação sustenta que a disponibilidade de biorresinas não é suficiente para a conversão de todas as indústrias italianas do ramo, que ainda enfrentam a fase de readaptação das próprias plantas industriais.

    A médio prazo, no entanto, as expectativas são positivas. Durante a última edição da Interpack, feira de embalagens realizada em maio na cidade de Düsseldorf, a associação European Bioplastics divulgou as previsões para o setor. Os dados, estimados pela universidade de Hannover, geraram otimismo. Em 2010, foram produzidas 700 mil toneladas de bioplásticos. Até 2015, a expectativa é superar 1,7 milhão de toneladas, confirmando os polímeros biodegradáveis como “a bola da vez”.

    Concorrência cada vez maior – Até agora, a Novamont era a empresa italiana líder no desenvolvimento de uma nova geração de produtos derivados de matérias-primas renováveis de origem agrícola. O chamado mater-bi foi criado por Catia Bastioli, química e diretora da Novamont que em 2007 recebeu o prêmio “Inventor europeu do ano”, e que, paradoxalmente, também foi alvo de críticas por utilizar produtos derivados da agricultura para fins não alimentares.

    Enquanto a fabricação de 200 mil toneladas de sacolas plásticas convencionais requer cerca de 430 mil toneladas de petróleo, calcula-se que com meio quilo de milho e um quilo de óleo de girassol seja possível produzir, aproximadamente, cem sacolas de compra biodegradáveis (bio-shoppers) capazes de se decompor em um prazo médio de três meses.

    A direção da empresa se defende das acusações afirmando que considera inútil o alarmismo sobre o uso de produtos agrícolas, já que há anos o amido de milho é empregado na indústria. No entanto, a concorrência se apressa em apresentar outras soluções para as empresas interessadas em plásticos biodegradáveis e compostáveis.

    A última novidade do setor também é italiana; um tipo de bioplástico econômico e 100% biodegradável, capaz de se decompor em apenas 40 dias em contato com a água.

    Plástico Moderno, Marco Astorri, Fundador da Bioon, Bioplásticos - Plástico biodegradável em tempo recorde já é realidade

    Astorri estimula o rápido crescimento das bactérias

    O mérito é de Marco Astorri e Guy Cicognani, fundadores da Bio-on, empresa localizada em Minerbio, na província de Bolonha, que até 2012 espera produzir biopolímeros naturais em larga escala, superando a cifra de 10 mil toneladas por ano.

    Depois de uma trajetória profissional que inclui uma etapa no setor eletrônico, desde 2007 os empreendedores de Minerbio têm investido no desenvolvimento de tecnologias para a produção industrial de PHAs, polímeros do tipo polihidroxialcanoatos.

    Os PHAs são poliésteres bacterianos com propriedades idênticas àquelas de termoplásticos e elastômeros biodegradáveis e que graças aos seus baixos custos de produção também são considerados um mercado promissor para a biotecnologia de polímeros.

    Plástico Moderno, Bioplásticos - Plástico biodegradável em tempo recorde já é realidade

    PHA da Bio-on é obtido por meio de fermentação

    Esses poliésteres completamente biodegradáveis em ambientes microbiologicamente ativos podem ser biossintetizados por bactérias como o Bacillus subtilis ou o Alcaligenes eutrophus, mas a síntese dos PHAs comporta o aperfeiçoamento de técnicas bioquímicas e moleculares.

    “Do ponto de vista comercial, o grande passo é desenvolver uma técnica capaz de estimular o rápido crescimento das bactérias e de produzir o PHA mais puro possível, além de intensificar o processo de extração dos biopolímeros”, comenta Astorri. Os sócios da Bio-on aceitaram o desafio e o resultado, depois de anos de pesquisas, é o chamado Minerv PHA SC, um PHA obtido por meio da fermentação.

    Os polímeros da família dos PHAs que sempre despertaram o interesse da indústria química são o homopolímero poli(3-hidroxibutirato) (PHB), o copolímero de poli(3-hidroxibutirato) e 3-hidroxivalerato (PHB/HV), copolímero de poli(3-hidroxibutirato) e 3-hidroxihexanoato (PHB/HHx), mas os custos para explorá-los comercialmente sempre foram elevados se comparados àqueles derivados do petróleo.

    Agora, no entanto, tudo indica que a Bio-on encontrou a “fórmula” certa, à base de açúcares e oxigênio, para estimular o rápido crescimento das bactérias, mas sem intoxicá-las.


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