Plástico

10 de junho de 2008

Biocidas – Mercado especializado em nichos investe no desenvolvimento de produtos amigáveis ao meio ambiente

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Publicado por: Renata Pachione
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    O mercado de biocidas para plástico se configura em nichos. Os fabricantes dessas especialidades químicas confirmam se tratar de um setor pouco dinâmico e marcado por pequenos volumes. A falta de informação a respeito dos benefícios do aditivo compromete o seu avanço, assim como a escassez de regulamentações sobre o seu uso. No entanto, nem por isso os produtos são desprovidos de qualidade ou deixam de estar em linha com as tendências apontadas por importantes segmentos, como o de preservantes para tintas. Essa postura se comprova com o desenvolvimento de moléculas mais amigáveis ambientalmente e de baixa toxicidade.

    Indicados para proteger os materiais da ação de microrganismos, os biocidas atuam em três frentes: contra as bactérias, os fungos e as algas. Por definição, essa especialidade química responde pelo tratamento microbiológico dos produtos, seja para inibir a formação dos microrganismos ou para eliminá-los. Por exemplo, os bacteriostáticos impedem a reprodução das bactérias, enquanto os bactericidas as matam. O raciocínio é o mesmo no caso dos fungos e das algas.

    Ação – O polímero em si não é suscetível à contaminação de bactérias, fungos nem algas, mas sim os componentes de sua formulação. Em outras palavras, é a composição da resina que traz consigo nutrientes capazes de alimentar as colônias de microrganismos, tais como plastificantes, modificadores de processo, moléculas suscetíveis a ataques enzimáticos, lubrificantes e enchimento de madeira.
    Edson Zicari, da divisão PC&B – Biocides – South Cone, da Rohm and Haas, explica o processo de contaminação. Segundo ele, os microrganismos buscam uma fonte de carbono no plastificante e em outros ingredientes da formulação. No caso, as moléculas mais fáceis de quebrar representam os melhores nutrientes para os microrganismos. “O comprimento da cadeia de carbono é um fator importante”, diz Zicari. Essa ruptura é executada por algumas enzimas sintetizadas por esses microrganismos e vão atuar diretamente nessas cadeias de carbono. Dessa forma, os aditivos de baixo peso molecular, particularmente os ésteres, são os mais atacados. Mas ele faz uma ressalva: “A vulnerabilidade dos plastificantes à base de ésteres depende diretamente de sua composição molecular.” Pode-se dizer que os aditivos mais suscetíveis são os lubrificantes à base de ésteres de ácidos graxos e óleos de soja epoxidados.

    Zicari aponta os poliuretanos (PUs) como a resina mais vulnerável ao ataque direto dos microrganismos, por causa da sua estrutura molecular menos resistente. No entanto, os biocidas também são muito utilizados em produtos flexíveis de policloreto de vinila (PVC), por causa, justamente, dos plastificantes e do óleo de soja epoxidado. Em algumas aplicações, como laminados, fios e cabos e mangueiras especiais, esses nutrientes podem alimentar as colônias de microrganismos.

    Os fabricantes de aditivos sabem exatamente com que tipo de contaminação estão lidando e qual a real necessidade de proteção. Em geral, os microrganismos não atacam os plásticos comerciais disponíveis no mercado, como polipropileno (PP), poliestireno (PS) e tereftalato de etileno (PET), entre outros, à exceção do PVC flexível e do PU. Em superfícies plásticas de calçados, por exemplo, o acúmulo de suor pode desencadear o desenvolvimento de trichophyton mentagrophites (fungo), que causa o pé-de-atleta; ou da staphilococcu aureus (bactéria), responsável pelo odor corporal; ou da micrococcus luteus (bactéria positiva), que provoca o conhecido chulé. Para Francisco Lopes, responsável pela New Business Plastic Additives, da Ciba Especialidades Químicas, no caso do PU, o desenvolvimento de microrganismos se dá após a degradação da molécula de PU por hidrólise.

    Impacto reduzido – Os avanços tecnológicos nesse segmento, assim como no mercado geral de biocidas, se referem ao desenvolvimento de produtos de menor impacto ambiental. Ou seja, entre as tendências mais protuberantes do setor está a solicitação de moléculas de baixa toxicidade e biodegradáveis, sem metais pesados e eficientes, com pouca liberação ao ambiente. “Não existe uma molécula que não apresente perda, mas busca-se que, uma vez liberada, ela se degrade rapidamente”, explica o gerente de mercado para a América Latina em preservação, higiene e biocidas da Rohm and Haas, Marcelo Junho. Alguns órgãos regulatórios estão por traz desse movimento, como BPD (Europa) e FDA (EUA).

    De acordo com Lopes, faltam normas para regulamentar o setor. Na sua opinião, a preocupação se restringe a produtos em contato com os alimentos. “O que mantém nossas esperanças é o fato de, cada vez mais, as empresas estarem tomando consciência da necessidade de usar produtos com menor risco ao usuário e seus funcionários”, diz.

    A Ciba possui em seu portfólio dois produtos orgânicos, o triclosan e o thiazol benzoimidazol. Os outros produtos são à base de prata e possuem aprovação para contato com alimentos tanto no Mercosul como nos Estados Unidos. Para Lopes, apesar de ser difícil um biocida que não tenha efeitos indesejáveis ao ser humano, dentro da companhia é quase um conceito desenvolver moléculas de menor risco ao ambiente e ao homem. Diversificada, a linha da Ciba apresenta bacteriostáticos, bactericidas e fungicidas. O Irgaguard B 100 é um produto orgânico (base no triclosan) capaz de impedir a reprodução das bactérias. Ele atua, sobretudo, nas bactérias gram-positivas, mas também se mostra ativo em um grande número de bactérias gram-negativas. A linha Irgaguard F 3000 completa o portfólio de orgânicos. De ação fungicida, é indicada contra fungos que, de forma geral, possuem alguma resistência aos produtos usados para combater as bactérias.


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