Aditivos e Masterbatches

27 de agosto de 2015

AGC monta estrutura local para resinas, elastômeros e químicos

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    O braço químico do grupo AGC (de Asahi Glass Co.), de origem japonesa, veio ao Brasil para ficar. Montou estrutura local e iniciou operações comerciais no segundo semestre do ano passado, com o propósito de expandir mercados, como alternativa ao baixo crescimento anual japonês.

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    O período escolhido para essa entrada não foi o mais atraente, mas a empresa espera melhores resultados no futuro. “O desempenho do Brasil está abaixo do planejado por conta das dificuldades locais, que devem ser revertidas em um prazo mais longo”, comentou Daniel Hamaoui, gerente de desenvolvimento de mercados para químicos, da AGC Vidros do Brasil.

    Os planos dessa divisão de negócios da AGC são de saltar dos atuais US$ 2 milhões comercializados no país para US$ 10 milhões em um prazo de dois anos. Hamaoui entende ser factível essa meta, uma vez que a participação da companhia é muito pequena ainda, com largo campo para introduzir inovações, tanto no setor automotivo, quanto na exploração de petróleo e gás natural, dois dos mercados mais relevantes para a companhia.

    Ele explicou que o grupo industrial possui três grandes áreas de atuação: vidros (a principal), eletrônicos e displays, e de produtos químicos. Nesta última, podem ser destacados três divisões de negócios: produtos básicos, polóis (para poliuretanos) e fluorquímicos. “Para o Brasil e América Latina, estamos enfatizando os produtos fluorquímicos, como o PTFE e o ETFE, materiais de alta tecnologia, capazes de agregar vantagens aos produtos finais”, salientou.

    O carro-chefe atual para a região é o ETFE (copolímero de etileno e tetrafluoretileno, da família Fluon ETFE) funcionalizado, capaz de aderir naturalmente às poliamidas, com um grade específico para a produção de mangueiras para combustíveis de elevada resistência química, térmica e mecânica. “Esse ETFE apresenta elevada condutividade elétrica, importante para dispersar a eletricidade estática, e confere elevada barreira contra emissões de compostos orgânicos voláteis, admitindo coextrusão com poliamida 6.6”, detalhou Hamaoui. Nesse caso, uma extrusora comum para processamento de polietilenos pode ser empregada, porém seu cabeçote precisa receber um tratamento especial, pois é possível haver uma pequena formação de ácido fluorídrico nesse ponto do processo. A linha Fluon ETFE compreende os tipos 600, 700 e 800, com diferentes pontos de fusão, fluxo e resistência a temperatura, que pode chegar a 200ºC.

    “Já fornecemos grades específicos para alguns fabricantes de autopeças locais, especialmente os voltados para carros de maior qualidade, mas o potencial de mercado é bem maior”, considerou Hamaoui. Esses materiais proporcionam maior vida útil para as mangueiras, redução de emissões de VOC e de vazamentos, com evidente vantagem ambiental.

    A linha Fluon também compreende polímeros de PTFE e copolímeros de TFE com etileno e propileno (FEP) e perfuoralcóxi (PFA). Para todos os produtos da série, a AGC fornece concentrados de cor compatíveis.

    Com a linha Fluon, a AGC produz filmes de alto desempenho calandrados no Japão com espessuras entre 12 e 250 micrômetros. Materiais flexíveis e de excelente resistência térmica e química, esses filmes são usados, por exemplo, como revestimento frontal e posterior de células fotovoltaicas flexíveis ou não.

    Com o Fluon ETFE também é feita a membrana F-Clean, cujas propriedades antiaderente e autolimpante dispensam operação frequentes de limpeza, proporcionando vida útil mais longa para instalações como casas de vegetação (estufas), que também se tornam mais eficientes, pois esses filmes permite máxima transferência da luz incidente para o interior. “O F-Clean pode ser configurado para selecionar comprimentos de onda, gerando efeitos estéticos diferenciados, como a visão externa da Allianz Arena de Munique”, comentou.

    As resinas PFA podem ser moldadas por extrusão, injeção sopro ou transferência, dando origem a tubos, forros, recipientes e revestimentos de fios e cabos, oferecendo elevada resistência mecânica, química e à radiação UV.

    O uso de revestimentos fluorados em fios e cabos permite reduzir a espessura da camada, sem prejuízo do desempenho. “Isso significa redução de peso, fator muito importante na indústria aeronáutica e aeroespacial, nas quais são utilizados muitos quilômetros de fios por unidade”, comentou.

    A linha de elastômeros Aflas compreende copolímeros de TFE e propileno, sendo capaz de suportar temperaturas constantes de 200ºC, com resistência elevada a ácidos e álcalis fortes a quente, bem como aos solventes orgânicos. Oferece também isolamento elétrico e barreira contra permeação de gases. O Aflas é indicado para confeccionar juntas circulares e vedações, também para óleo automotivo, revestimentos de fios e cabos, e na produção de semicondutores. “A resistência do Aflas o coloca entre o Viton e o SuperViton, com preço acessível, pode suportar os gases ácidos encontrados na exploração de petróleo, uma grande mercado em potencial no Brasil”, afirmou.


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