Aditivos e Masterbatches

27 de outubro de 2007

Aditivos nos brinquedos – Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado

Mais artigos por »
Publicado por: Renata Pachione
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado

    A  indústria de aditivos sofreu mudanças nos últimos anos. Impulsionado pelo avanço tecnológico dos polímeros e das máquinas de transformação do plástico, o setor se aprimorou. Porém as questões mercadológicas não foram as únicas responsáveis por esse avanço. Em prol da oferta de segurança, os fabricantes investiram e desenvolveram produtos mais técnicos e com melhor desempenho.

    O mercado de brinquedos plásticos foi fundamental nesse processo, pois é um dos mais exigentes no quesito segurança.

    Sério e profissional, o setor de brinquedos tem regras específicas e rigorosas quanto à toxicidade das matérias-primas. Dessa forma, tornou as novidades em relação às moléculas cada vez mais freqüentes e necessárias, o que agregou valor não somente aos aditivos, mas também à imagem das companhias.

    Não é de hoje que movimentos para oferecer brinquedos seguros permeiam o setor. Um exemplo é a tentativa de abolição de determinados plastificantes não-ftálicos das peças de policloreto de vinila (PVC) destinadas a crianças de até três anos. Mas o que um dia foi sugestão virou regra. Daqui a cerca de um mês, entrará em vigor nova portaria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) para ampliar a restrição do uso de plastificantes à base de ftalato em produtos direcionados a todas as faixas etárias.

    A porcentagem permitida será de 0,01% na formulação, segundo o diretor-presidente do Instituto para Certificação Expressa de Produtos (Icepex), Sergio Diogo. Ou seja, o índice tolerado chega a limites quase nulos. Para ele, o mercado de aditivos já se habituou às regras quanto aos ftalatos, portanto, a nova legislação somente irá formalizar uma prática da indústria. O reflexo se dará nas empresas de pequeno porte, que terão de buscar produtos mais técnicos e custear os ensaios de ftalato. “A medida só vai atingir as fabriquetas”, prevê Diogo.

    Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoPrevenção – A profilaxia tem sido parâmetro para as ações dos fabricantes de aditivos. As conseqüências dessa visão aparecem na abertura do mercado para novos desenvolvimentos. Wanderson Bueno de Almeida, regional technology manager plastics, da Cognis Oleochemicals Brasil, resume a postura atual do setor: “Não tenho dados que comprovem com 100% de certeza a toxicidade dos ftalatos. Mas se existe algum indício de que um produto pode causar algum prejuízo à saúde, principalmente, de crianças, o mesmo deve ser evitado.”

    O sinal amarelo em relação à periculosidade do ftalato também foi suficiente para a Lanxess reformular seu portfólio. Até o final do ano, a companhia terá eliminado de sua produção toda a linha de plastificante à base de ftalato. Apesar dos produtos serem antigos e terem mercados cativos, a empresa optou por seguir a tendência européia. Alejandro Gesswein, gerente de marketing da área de Functional Chemicals (FCC) da Lanxess, explica que o Risk Assessments mudou a etiquetação dos produtos químicos na Europa. Dessa forma, um derivado de ftalato pode continuar sendo comercializado, porém carrega consigo a inscrição na embalagem de que se trata de um produto perigoso.

    “No Brasil, esse aviso ainda não tem a devida importância, mas na Europa isso é muito relevante”, aponta a representante técnica de vendas da FCC da Lanxess, Roberta Maturana. A decisão, em certa medida, traduz ainda o objetivo da companhia de concentrar seus esforços nas especialidades. “Estamos saindo das commodities”, anuncia Gesswein.

    Plástico Moderno, Sergio Diogo, diretor-presidente do Instituto para Certificação Expressa de Produtos (Icepex), Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregado

    Diogo: novas regras irão formalizar prática do setor

    Por conta disso, a empresa investiu na reformulação do seu tradicional plastificante Mesamoll. O produto existe há 25 anos, no entanto, sua molécula precisou passar por melhorias técnicas para ampliar sua aplicação. O resultado se observa no surgimento do Mesamoll II, o substituto direto dos plastificantes ftálicos. Para coroar o lançamento, no início deste ano, o aditivo recebeu a aprovação do FDA Americano (US Food and Drug Administration). Esse plastificante universal éster fenil-alquilsulfônico é compatível com PVC e poliuretano (PU) e pode entrar em contato com alimentos de base aquosa, além de atender às exigências de algumas especialidades, como brinquedos.

    De acordo com o fabricante, o plastificante apresenta propriedades de gelificação mais rápida do que similares comuns a temperaturas de processamento mais baixas. A vantagem está na diminuição dos tempos de produção e processamento. A Lanxess também destaca a resistência à saponificação e as características de selagem com calor, entre outros pontos positivos. “É um monomérico com característica de polimérico”, ressalta Roberta. Ela explica que a molécula das duas versões do Mesamoll é a mesma, a diferença se refere ao grau de pureza maior e na menor volatilidade da segunda.

    Plástico Moderno, Aditivos nos brinquedos - Para intensificar a segurança, setor aprimora moléculas e fabrica produtos mais técnicos e de alto valor agregadoComo é possível imaginar, o aditivo é mais caro do que um ftalato. No entanto, para a Lanxess, essa característica não se manifesta como uma barreira.

    A companhia aposta no aumento da demanda de produtos para aplicações mais nobres, além de se basear no fato de que clientes multinacionais pautam suas ações nas recomendações das matrizes. Sendo assim, tenderiam a exigir tanto o Mesamoll II como outros produtos afins. Apesar de não mencionar volumes, a empresa prevê aumento de sua capacidade produtiva para atender à demanda do produto.

    Além dos brinquedos, esse éster fenil-alquilsulfônico pode ser aplicado na produção de luvas, filmes para colchões de água, selantes e compostos moldados para o setor da construção, bóias de piscinas e botas de borracha.


    Página 1 de 41234

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *