Aditivos e Masterbatches

22 de outubro de 2011

Aditivos – Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado

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Publicado por: Renata Pachione
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    Os fabricantes de aditivos para plásticos têm traçado novas estratégias para garantir competitividade. Com margens apertadas, algumas empresas buscam se fortalecer com fusões, enquanto outras focam áreas de alto valor agregado. Caracterizado por poucos produtores locais, o setor se vê às voltas com o avanço da indústria asiática, sobretudo entre os produtos commodities, e a consolidação de tendências já anunciadas no passado, como a de associar maior eficiência das moléculas às práticas sustentáveis e seguras. De qualquer maneira, o Brasil é a bola da vez no cenário mundial e palco de eventos esportivos importantes. Os investimentos estão vindo de todas as partes e reforçam as apostas de empresas globais no setor químico brasileiro.

    A norte-americana Eastman Chemical Company endossou esse movimento. No dia primeiro de setembro, a empresa anunciou a aquisição da Scandiflex do Brasil. O negócio de plastificantes dessa tradicional fabricante paulista, com planta em Mauá, passou a integrar o segmento de Produtos Químicos e Intermediários da Eastman (PCI). Os valores alusivos à transação são mantidos em sigilo pela companhia, mas dá para se ter uma ideia do seu tamanho com base no faturamento da Scandiflex no ano passado: de 54 milhões de dólares. Fundada em 1965, a planta de Mauá tem capacidade instalada de 20 mil toneladas/ano e produz linhas de plastificantes poliméricos e monoméricos, incluindo ftalatos, adipatos, citratos, maleatos, sebacatos, azelatos e trimelitatos.

    “Os clientes da Scandiflex são muito diversificados. Vamos transformar a empresa numa plataforma de negócios e aproveitar a estrutura de distribuição da Eastman para crescer”, explica Pedro Fortes, diretor-geral da Eastman no Mercosul. Mas o interesse da companhia não se restringe ao perfil do comprador da fabricante brasileira, e sim embute uma pretensão maior: a de ser líder no mercado de plastificantes livres de ftalato. A saber: em Mauá, a fabricação desse tipo de aditivo é de mais de 50% do total.

    Plástico Moderno, Pedro Fortes, Diretor-geral da Eastman no Mercosul, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado

    Fortes investe em segmentos com potencial de crescimento

    Essa, aliás, não foi a primeira incursão da Eastman no segmento de aditivos. Mais conhecida no mercado de plásticos por conta dos polímeros PET e dos copoliésteres, a empresa adquiriu a petroquímica norte-americana Sterling Chemicals, em agosto deste ano. O acordo de US$ 100 milhões incluiu uma unidade produtiva de plastificantes e ácido acético, localizada no Texas, EUA. A Genovique Specialties Corporation, produtora global de plastificantes especiais, ácido benzoico e benzoato de sódio, também foi comprada pela Eastman. As negociações foram concluídas em maio de 2010 e englobaram duas fábricas, uma na Estônia, e a outra nos Estados Unidos, além de uma joint venture na China.

    Todas essas aquisições representam, segundo Fortes, uma redefinição estratégica da empresa a fim de concentrar seus esforços em mercados considerados promissores. “Achamos melhor buscar segmentos com mais perspectivas de crescimento”, ressalta.

    Mais segurança – Essa percepção tem um porquê e não é isolada. Os especialistas do mercado de aditivos há algum tempo veem uma maior abertura da indústria a produtos que não sejam à base de metais pesados ou de substâncias suspeitas de serem prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Até por isso os fabricantes de plastificantes apostam, cada vez mais, no aumento do consumo dos aditivos livres de ftalatos. Apesar de ainda se caracterizar por volumes incipientes, a sua participação no mercado cresce em âmbito global e até mesmo por aqui. “Trata-se de um mercado em formação, que começou a se ampliar em meados de 2000, e que agora está em franca expansão”, comenta Roberta Maturana, gerente regional da Lanxess, na área de vendas Latam Sul – BU Functional Chemicals.

    O mercado de plastificantes no mundo é de 6 milhões de toneladas/ano, das quais as fórmulas base ftalato representam a maior fatia: 87% do total. Na América Latina, a capacidade instalada do aditivo é de 200 mil toneladas, enquanto o consumo na região gira em torno de 260 mil toneladas. Desse total, a parcela dos ftálicos chega quase à totalidade: 97% (dado de 2008); e, segundo estimativas divulgadas pela Lanxess, em 2013 esse índice cairá para 92%. “A taxa de crescimento do segmento de aditivos livres de ftalato tem sido maior do que a de outras áreas nas quais atuamos na nossa unidade de negócios”, informa Roberta.

    Plástico Moderno, Roberta Maturana, Gerente regional da Lanxess, Aditivos - Indústria busca competitividade em setores de alto valor agregado

    Roberta: foco na criação de fórmulas eficientes e seguras

    Os números, é bem verdade, ainda não empolgam muito, mas de alguma maneira representam avanços, pelo menos no que diz respeito ao perfil do comprador: novos mercados estão surgindo e a demanda de setores como o de brinquedos e o de alimentos está mais consistente, por causa, sobretudo, das normas regulatórias cada vez mais rígidas e abrangentes. “Ao longo do tempo, esse movimento se ampliará para outras áreas”, diagnostica Roberta. Isso já está acontecendo, pois indústrias como a de calçados e a automotiva despontam como consumidores desse tipo de plastificante, engordando as vendas dos fabricantes.

    Ok, moléculas com características especiais, antes preteridas pelos clientes, vêm conquistando seu espaço, mas ainda esbarram no custo. Ou melhor, na falta de escala, pois a velha lei de mercado também se aplica aqui: o volume escasso torna o produto pouco competitivo perante o alto consumo de moléculas mais tradicionais como o dioctil ftalato (DOP), também denominado di-2-etilhexil ftalato (DEHP), e di-isononil ftalato (DINP). No entanto, esse cenário tende a mudar. Investir no portfólio de novos plastificantes tem sido o foco de importantes players do setor. Esse é o caso da Lanxess, que há bastante tempo se dedica às suas marcas Mesamoll, Unimoll, Adimoll e Ultramoll – todos aditivos livres de ftalatos.


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