Aditivos e Masterbatches

6 de abril de 2007

Aditivos – Expositores do setor estão otimistas para a realização da feira, mas negócio anda pressionado por aumentos de custos em todo o planeta

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    O mercado de aditivos para plásticos do Brasil tem sotaque estrangeiro. Os produtores locais são poucos e em número decrescente, e a transformação se abastece com produtos importados pelas grandes multinacionais do setor. Com volumes relevantes de consumo de algumas das principais commodities do negócio, mas com vendas freqüentemente iniciantes em especialidades estabelecidas na Europa e nos Estados Unidos, a demanda nacional, senão de toda a América Latina, é suprida com aperto nas margens, preços baixos e muita ginga para manter a rentabilidade das vendas na região.

    Elo da cadeia petroquímica, a produção mundial de aditivos foi afetada pela elevação nas cotações do óleo cru. Além disso, como a China tem desequilibrado o balanço mundial de oferta e demanda de todas as matérias-primas industriais, muitos produtores foram pressionados também por reajustes de até três dígitos nos preços dos metais.

    Para atenuar o problema entre os aditivos mais comuns, como estabilizadores térmicos e antioxidantes, a indústria global está migrando para a Ásia, onde os enormes volumes de produção tornam muito atraentes tanto a atuação local quanto a exportação. Mas, nas especialidades, notadamente em diversos sucedâneos com apelo ecológico, europeus e norte-americanos não prescindem do controle e produção no próprio quintal, e nessa estratégia pode residir mais um fator de pressão de custos, notadamente, a energia elétrica.

    No quadro com essas cores, o crescimento da demanda por resinas termoplásticas no Brasil em 2006, um pouco ofuscado pela base ruim de comparação, de 2005, colaborou pouco para acelerar o ritmo das vendas de aditivos. Quem não andou de lado cresceu ganhando fatias de mercado, sob o desafio de muita labuta para manter a rentabilidade.

    Brasilplast: euforia, precaução ou histeria? – O grande encontro nacional do plástico começará exatos dois meses após a polícia militar baiana comparecer às portas da fábrica da Ciba Specialty Chemicals, em Camaçari-BA (no idioma ainda oficial, Ciba Especialidades Químicas), para acompanhar trabalhadores demitidos em decorrência do encerramento da produção de antioxidantes. Pouco alentador do ponto de vista da competitividade do parque produtivo nacional, o fato não deve repercutir no clima de moderado otimismo dos fornecedores de aditivos presentes na feira. A competição feroz está na regra do jogo, todos sabem, e a maior parte dos expositores irá mostrar as táticas para continuar crescendo em 2007. Não se fala em retração ou apenas manter volumes e faturamento. Das estratégias mais visíveis no corpo a corpo da Brasilplast, os visitantes conhecerão novos produtos, mas no ritmo do que significa ser novo nessa cadeia – dois ou três anos é tempo suficiente apenas para refinar uma mesma tecnologia e expandir linhas existentes de produtos, recordar quem andava meio esquecido em um vasto portfólio, ou reforçar o marketing do que era novo na edição anterior do evento.

    Plástico Moderno, Fábio Sanches, coordenador do negócio de plásticos no segmento de Químicos de Desempenho, Aditivos - Expositores do setor estão otimistas para a realização da feira, mas negócio anda pressionado por aumentos de custos em todo o planeta

    Sanches: meta de crescer 25% ao ano até 2013

    É o caso da Basf, que em 2005 apresentava uma postura mais agressiva em sua linha de aditivos para a proteção a raios ultravioleta. Desde o ano anterior a empresa alemã investia na família de produtos para ganhar mercado, e o sucesso na empreitada explica por que os antiUV continuam sendo o destaque da Brasilplast no segmento de aditivos. Entre 2005 e 2006, o negócio da Basf cresceu 140% na América do Sul. Globalmente, tem crescido em torno de 20% a 25% ao ano, e essa taxa é uma meta a ser perseguida até 2013, segundo Fábio Sanches, coordenador do negócio de plásticos no segmento de Químicos de Desempenho. Comparada à fatia da líder de mercado, a Ciba (que sai da produção local, mas não do fornecimento), a da concorrente germânica ainda é pequena, o que explica o crescimento no Cone Sul com tamanha volúpia.

    O segmento de proteção para poliolefinas é o principal vetor do sucesso decantado por Sanches (o de embalagens de ráfia, em menor escala, é outro), pois conta com grande volume e clientes de grande porte, entre eles fornecedores de PP carregado para a indústria automotiva brasileira, uma das papa-recordes de produção nos últimos anos.
    A competição também pode ficar mais acirrada na aditivação de PVC, PBT, ABS, SAN, e PC, pois o coordenador confia no desempenho do antiUV da Basf para esses polímeros. Na ráfia, uma amina estericamente bloqueada (HALS) oligomérica foi empregada para atacar o problema que os produtores costumam ter com arraste de água. Os aditivos usuais migram para a superfície do polímero e alteram sua polaridade. As poliolefinas são bastante apolares, hidrofóbicas, e acabam se tornando mais hidrofílicas, arrastando água, e se a velocidade da linha de produção não é diminuída, pode haver conseqüências indesejáveis na etapa de secagem. O aditivo da Basf, que migra em menor velocidade, propicia maior produtividade, e conquistou espaço no mercado e na Brasilplast, onde serão realçados produtos com velocidade de migração reduzida, para PP, PS e ABS, com aprovação do órgão norte-americano de fiscalização de produtos farmacêuticos e alimentos, o FDA.

    Sanches também reconhece a dificuldade para deslocar concorrentes tradicionais e bem estabelecidos no mercado do País. O aditivo UV é um produto de confiança, pois não pode ser testado por métodos que forneçam resultados exatos e imediatos. É preciso estudar seu desempenho por ensaios de envelhecimento acelerado, e eles não reproduzem a realidade amiúde. “E não se estabelece confiança do dia para noite”, acrescenta Sanches.


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