Economia

22 de março de 2010

Aços para moldes – Fornecedores querem vender fórmulas com maior valor agregado

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    O bom desempenho da economia esperado para 2010 anima os fornecedores de aços para moldes de injeção. O otimismo se deve em especial à expectativa de lançamentos de novos modelos de produtos nos quais se encontram muitas peças de plástico. São os casos, por exemplo, dos automóveis e eletrodomésticos.

    A melhora deve ajudar a recuperar as vendas, no ano passado em baixa. Um resumo ajuda a entender o que ocorreu em 2009. O ano começou com previsões sombrias, abalado pela crise econômica mundial. As vendas da indústria despencaram nos primeiros meses. No segundo semestre houve recuperação, os negócios passaram a crescer de forma consistente para fornecedores de muitos produtos. A melhora, no entanto, não favoreceu as empresas envolvidas com a produção de matrizes. O fantasma da recessão assombrou as empresas e adiou lançamentos. Não houve grande interesse pela aquisição de moldes novos.

    O mercado de aços é marcado pela acirrada disputa entre fornecedores nacionais e importadores. Os nacionais, de acordo com estimativas de especialistas, detêm participação de 65% das vendas. A importação de moldes prontos, em especial dos feitos na China, incomoda a todos os representantes do setor, pois reduz o número de encomendas das ferramentarias nacionais. O dólar fraco ajuda os importadores. Por outro lado, a oscilação da moeda ocorrida no momento mais agudo da crise favoreceu os fabricantes locais.

    Todos os fornecedores, independentemente de serem brasileiros ou não, têm uma preocupação em comum: comercializar produtos com maior valor agregado. Para justificar essa iniciativa, defendem ligas com características como usinabilidade acima da média, melhor possibilidade de acabamento e elevada capacidade de condutividade térmica. De acordo com as empresas do ramo, o preço inicial desses aços pode ser maior, mas eles proporcionam relação custo/benefício bastante vantajosa.

    Com uma matéria-prima mais nobre, por exemplo, podem ser fabricadas placas com menor espessura. Dessa forma, se obtêm ferramentas mais leves e de menor dimensão, com a vantagem de poderem ser resfriadas em ciclos menores quando em operação nas injetoras. Também é reduzido o tempo de usinagem dos componentes dos moldes, operação feita com mão de obra especializada e em equipamentos de preço elevado.

    Além disso, todos argumentam que o custo do aço na fabricação da ferramenta representa, em média, em torno de 15% a 20%. O restante é dividido entre as operações de projeto, fabricação das peças e a operação de montagem. Para os fornecedores, trata-se de porcentagem reduzida, que não justifica erros em nome de aparente economia na seleção do material.

    A dureza é a propriedade mais importante a ser levada em conta no processo de seleção do aço. A matéria-prima pode ser dividida em quatro grandes grupos. Na escala de dureza até 30 HRC, encontram-se os aços de resistência menor, como o 1045. Eles compõem ferramentas para a confecção de peças cujas exigências das linhas de produção são menos rigorosas. Entre 30 e 34 HRC, encontram-se os P20, usados na grande maioria dos moldes nacionais. Na faixa entre 38 e 42 HRC são encontrados aços de maior resistência, voltados para matrizes que precisam suportar a abrasividade dos plásticos de engenharia ou dos compósitos enriquecidos com cargas. Acima de 42 HRC, encontram-se os aços chamados especiais, voltados para aplicações em que se exige resistência extrema.

    Quanto maior a dureza, maior a polibilidade do aço. Elevados índices de polimento permitem a obtenção de peças com aparência impecável, como os faróis e lanternas dos automóveis. Moldes com sistemas de resfriamento que usam quantidades de água abundantes ou que trabalham com resinas corrosivas exigem aços inoxidáveis. São os casos dos voltados para a produção de grandes volumes de peças de paredes finas, como potes de embalagens, por exemplo. Outra propriedade cobrada em determinados casos é a soldabilidade, útil em ferramentas nas quais são realizadas operações de solda durante sua construção.

    Linha diversificada – A Villares Metals, fabricante líder entre os fornecedores nacionais, conta com linha bastante diversificada. Um dos destaques da empresa é o aço VP 100, cujo lançamento oficial se deu durante a última edição da Brasilplast, em 2009. A matéria-prima compete com as ligas 1045 e também com o P20 no mercado de moldes menores. “O VP 100 conta com propriedades mecânicas muito homogêneas, uniformidade de dureza. Permite ótima soldabilidade, apresenta superior condutividade térmica e maior facilidade de usinagem por eletroerosão”, garante Giovani Verdi Cappucio, assessor técnico do centro de distribuição.

    O aço mais vendido da Villares Metals é o VP20ISO, com dureza na faixa entre 30 e 34 HRC. “O processo de fabricação tornou o nosso P20 mais fácil de ser usinado do que os concorrentes”, diz Cappucio. De acordo com ele, os convencionais desgastam o flanco de uma ferramenta de usinagem durante o processo de corte em de 17 a 18 minutos. O da empresa eleva esse tempo para 26 minutos. “Temos um ganho de 77% no volume removido por ferramenta. É um número significativo em especial nos moldes de grandes dimensões, em que são comuns blocos de 18 a 20 toneladas serem desbastados até chegarem à metade de seu peso”, explica.


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