Ferramentaria Moderna

21 de março de 2009

Aços especiais – Ferramentarias devem orientar compras em aspectos técnicos

Mais artigos por »
Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Algumas peças plásticas são produzidas aos milhares, em ciclos muito curtos e em moldes com muitas cavidades. Outras têm grande porte, são fabricadas em pequena escala e ciclos bem maiores. E há ainda aquelas que precisam ter aparência diferenciada, impecável. A diversidade existente no mundo da transformação por injeção é imensa. Qualquer que seja o projeto, no entanto, ele precisa partir de um princípio comum. Para se obter resultados dentro do esperado, o transformador tem de contar com moldes de qualidade.

    Os projetistas tomam muitas decisões para idealizar uma boa ferramenta. Uma delas é selecionar o aço a ser utilizado. Não é tarefa tão simples. Os fabricantes de aços contam com formulações bastante variadas, aptas para aplicações em moldes que vão trabalhar em diferentes condições, desde as mais amenas até as de rigor extremo. Nesse mercado, dois aços apontados como commodities são os mais utilizados. O P20 é o líder na procura. Por suas características, está presente na grande maioria dos moldes fabricados no Brasil. Com propriedades inferiores, o 1045 é recomendado para moldes pouco sofisticados, usado em matrizes voltadas para produções de número reduzido de peças plásticas. No mercado, os ferramenteiros também encontram formulações diferenciadas, algumas muito sofisticadas.

    Entre os fabricantes nacionais de aços, podem ser destacados Villares Metals e Gerdau. Entre os internacionais, os nomes Böhler, Uddeholm e Schmolz-Bickenbach estão entre os citados com frequência pelos ferramenteiros de ponta. Nos casos da Böhler e da Uddeholm vale uma explicação. Apesar de pertencer ao mesmo grupo, o Böhler-Uddeholm, e de no Brasil contar com escritórios próprios de representação no mesmo prédio, as duas marcas atuam de forma independente.

    A disputa entre fornecedores de aços nacionais e importadores é bastante acirrada. Até o ano passado, com o dólar bastante desvalorizado, os produtores brasileiros encontravam sérias dificuldades para conquistar a atenção dos compradores. Além disso, entre os importados são encontrados aços com características nem sempre disponíveis entre os nacionais. A briga esquenta entre os aços mais usados.

    Plástico Moderno, Roberto Capelletti, gerente nacional de vendas da Böhler, Aços especiais - Ferramentarias devem orientar compras em aspectos técnicos

    Capelletti: escolha deve ser feita pelo custo / benefício

    Não existem dados oficiais, mas se estima que os importados detenham em torno de 60% do mercado. Este ano, com a valorização do real, existe a possibilidade do produto nacional se tornar mais competitivo. Por outro lado, o resfriamento da economia provocado pela crise pode vir a atrapalhar as vendas. Fazer previsões sobre o desenrolar dos negócios nos próximos meses é exercício dos mais difíceis. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer.

    Um aspecto interessante desse mercado é o dos clientes fazerem encomendas pensando no futuro. Um caso exemplar ocorre com as montadoras. No final do ano passado, as vendas de veículos despencaram. Mas as encomendas de aço para matrizes feitas pelo setor não sofreram tanta influência por conta desta queda. A indústria automobilística é muito competitiva, sempre está lançando novos modelos ou renovando os antigos, e investir em matrizes voltadas para a produção de peças que no futuro vão integrar os carros é obrigação que incentiva a venda da matéria-prima das ferramentas.

    Seleção – As escolhas dos aços mais adequados a ser utilizados nos moldes dependem de algumas variáveis. A tentação inicial de quem compra é sempre escolher o de menor preço. Mas essa atitude pode representar prejuízos no futuro. Para os especialistas, a escolha sempre deve ser feita baseada em critérios muito técnicos. Eles argumentam que o custo do aço na fabricação da ferramenta, em média, representa em torno de 15% a 30%. O restante é dividido entre as etapas de projeto, usinagem das peças que vão compor a ferramenta e sua montagem. É uma porcentagem baixa, que não justifica equívocos em nome da economia.

    Plástico Moderno, Paulo Sergio Perez, gerente do centro de distribuição da Villares Metals, Aços especiais - Ferramentarias devem orientar compras em aspectos técnicos

    Perez: os moldes “esbeltos” geram ciclos mais rápidos

    “Infelizmente, com a crise mundial, muitas empresas têm como primeira opção o preço do material”, lamenta Douglas Silva, gerente-geral de vendas e marketing da Schmolz-Bickenbach. Roberto Capelletti, gerente nacional de vendas da Böhler é enfático. “Em cada projeto, a escolha deve sempre recair para o aço que apresentar maior custo/benefício”, defende.

    Uma tendência de mercado pode ajudar a explicar esse raciocínio. O ferramenteiro nem sempre precisa usar aços nobres para obter a ferramenta de seus sonhos. Uma matéria-prima melhor, no entanto, traz vantagens que devem ser levadas em consideração. Ela permite, por exemplo, a usinagem de placas menos espessas. Dessa forma, se obtém ferramenta mais leve e de menor dimensão, que permite a redução do tempo de resfriamento da peça durante a sua fabricação. Em outras palavras, diminui a duração do ciclo de injeção e o retorno do investimento feito com o aço pode ocorrer de forma rápida com a menor utilização das injetoras. “Os moldes ‘esbeltos’ são uma tendência, são cada vez mais fabricados”, informa Paulo Sergio Perez, gerente do centro de distribuição da Villares Metals.

    Outro fator a influir na seleção é o número de peças a ser fabricadas. São diferentes, por exemplo, os casos de para-choques, produzidos em menor escala, e dos potes de margarina, injetados aos milhares. Os moldes dos para-choques, apesar de apresentar grandes dimensões, nem sempre necessitam de aços tão resistentes, pois as ferramentas costumam ter vida útil maior do que a do produto. “No mercado automobilístico são constantes as alterações no design desta peça feitas por questões de estilo. Em curto espaço de tempo, o molde passa a ser utilizado apenas para a fabricação de peças de reposição”, diz Giiovani Verdi Cappucio assessor técnico do centro de distribuição da Villares Metals. Já no caso dos potes, são indicados aços mais resistentes, pois os moldes são muito exigidos.


    Página 1 de 3123

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *