Borracha

17 de janeiro de 2008

ABTB – Indústria da borracha procura inibir avanço da concorrência internacional

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Publicado por: Rose de Moraes
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    Plástico Moderno, Marcelo Eduardo da Silva, eleito recentemente presidente da ABTB, ABTB - Indústria da borracha procura inibir avanço da concorrência internacional

    Silva: mercado brasileiro deve ser mais competitivo

    A indústria brasileira da borracha deverá impor maior resistência aos seus competidores externos em 2008. Essa é a principal expectativa do empresariado local e das lideranças do setor para o ano que se inicia, antes que grandes concorrentes resolvam se instalar definitivamente no Brasil, mudando a composição e o panorama do mercado. Incentivados pelo câmbio, os níveis das importações em alguns segmentos de manufatura da borracha preocuparam os observadores brasileiros em 2007. Em alguns casos, como na indústria calçadista, as importações apresentaram crescimento acumulado avassalador na soma dos últimos anos, enquanto as exportações estão sendo cada vez mais prejudicadas financeiramente pelo dólar em baixa.

    “O Brasil deve se tornar mais eficiente na concorrência internacional, alinhar-se mais às tendências e às necessidades dos clientes e defender posições de mercado já conquistadas”, afirmou Marcelo Eduardo da Silva, eleito recentemente presidente da ABTB, a Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha, para o biênio 2008-2009. Nas duas últimas gestões, Silva ocupou a vice-presidência e trabalhou ao lado de Luis Tormento – agora vice – que dirigiu a entidade nos três últimos mandatos, período no qual pôde disseminar novas idéias, condutas, conceitos e técnicas aos associados em diálogos mais informais, mas também cursos, palestras e seminários. Durante sua gestão, Tormento também promoveu intercâmbios técnicos com importantes entidades mundiais congêneres, estimulou o caráter associativo da entidade e ainda cuidou de projetá-la mais internacionalmente. “Já estava na hora de passar o bastão”, brincou o atual vice.

    Como empresário experiente e de visão, Tormento considera que a China continua representando uma das principais ameaças à produção brasileira da borracha. Competindo há vários anos na área de manufaturados destinados às indústrias de calçados e de automóveis, o “dragão” chinês também está mostrando suas garras em disputas de mercado no setor das principais matérias-primas empregadas na indústria da borracha.

    De uso intensivo e indispensável, algumas commodities, como aceleradores, negros-de-fumo e antioxidantes, incluindo ainda máquinas e equipamentos voltados ao processamento das borrachas, são a bola da vez a sofrer o ataque dos importados. “Na medida do possível, muitos fabricantes nacionais tentam redirecionar a produção, mudar o foco e/ou incrementar as linhas de maior rentabilidade para poder enfrentar situações adversas, de elevada concorrência chinesa e pouco retorno nos investimentos já realizados”, considerou o atual presidente da ABTB.

    “Felizmente, as autoridades e o governo chinês estão pressionando as empresas chinesas a reduzirem a emissão de poluentes, principalmente o gás carbônico (CO²), o que deverá implicar investimentos para o maior controle sobre a emissão de gases, e resultar em aumento de custos de produção e, conseqüentemente, na elevação de preços dos produtos chineses, tornando-os mais compatíveis com os nossos custos locais”, espera Tormento.

    Silva analisa, porém, cenários distintos nos principais setores de consumo de borrachas, alguns deles promissores, outros nem tanto. A indústria de artefatos, envolvendo autopeças e afins, segundo Silva, deverá fechar o ano de 2007 com crescimento superior a 12%. A tendência para 2008 é manter o nível de expansão na faixa dos 10%. Esse segmento, no entanto, representa apenas 15% do consumo brasileiro de borracha.

    Já na indústria calçadista as preocupações alcançam níveis mais dramáticos. “A indústria brasileira de calçados não está apenas preocupada com as exportações, prejudicadas pelo comportamento do dólar no mercado interno, mas também com as importações, principalmente da China, que crescem desmesuradamente, incentivadas pelo câmbio”, considerou Silva. Números levantados por ele na Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) revelam que as importações nesse setor poderão alcançar US$ 223 milhões em 2007. E, se assim de fato ocorrer, terão crescido 58% em relação a 2006. Para 2008, as estimativas para esse segmento ainda são mais desfavoráveis. O montante estimado de importações alcançaria US$ 335 milhões, o que representaria mais um avanço de 21% dos importados. “Caso essas previsões sejam confirmadas, o Brasil deverá registrar um aumento acumulado de 598% nas importações de calçados e componentes entre 2003 e 2008, alcançando a fatia de participação dos importados no consumo interno de 8% em relação ao total a ser produzido em 2008”, acrescentou o presidente da ABTB.

    Assim, degrau a degrau abaixo, os 796 milhões de pares de calçados fabricados pela indústria nacional em 2006 sofreriam redução para 764 milhões de pares em 2007. Em 2008, a situação se agravaria ainda mais. Segundo alertam os especialistas, os níveis de redução poderiam chegar a 733 milhões de pares de calçados, trazendo conseqüências desastrosas não só econômicas, como sociais, penalizando o empresariado e os trabalhadores do setor pela gradual redução dos níveis de emprego. Diferentemente de outros setores que, apesar de produzir cada vez menos, conseguem faturar cada vez mais, as vendas no setor de calçados, que somaram R$ 17,2 bilhões em 2006, deverão fechar o ano de 2007 com um resultado de R$ 17 bilhões, podendo cair para R$ 16,8 bilhões em 2008. Assim, o número de empregos, calculado em 272 mil em 2006, deverá diminuir em 19 mil postos, reduzindo-se a 253 mil em 2007. Também pode despencar mais em 2008, passando para 238 mil postos.


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