Plástico

30 de novembro de 2008

ABS – Em ritmo de crescimento no mercado brasileiro, a resina só está disponível via importação

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    O mercado brasileiro da resina termoplástica ABS (terpolímero acrilonitrila-butadieno-estireno) sofreu transformações radicais. Há onze anos, o transformador dispunha de dois produtores locais – a Cia. de Polímeros da Bahia (CPB) e a fluminense Nitriflex – capazes de suprir a quase totalidade da demanda doméstica. Hoje, os fabricantes de peças moldadas com ABS dependem de importações.

    Com a justificativa de que precisava acompanhar de perto seus clientes da área automotiva e da de eletroeletrônicos da região, atividades líderes no processo de globalização, a Bayer acionou a transfiguração. Primeiro assumiu o controle da empresa baiana, em 1997. No ano seguinte, abarcou também toda a carteira de clientes e negócios da Nitriflex. Só não levou a fábrica, mas o contrato impôs à empresa brasileira retirar-se do mercado por sete anos.

    Expirado o prazo, a Nitriflex até ensaiou uma retomada da produção da resina, mas sucumbiu à pressão da concorrência asiática, mesmo motivo que levou a Lanxess (empresa constituída como braço do grupo alemão Bayer, encarregada dos negócios de produtos químicos e parte da área de polímeros) a, em 2006, fechar a fábrica de ABS em Camaçari, considerada de alto custo, baixa rentabilidade e sem escala competitiva, e concentrar o foco nas especialidades, de maior valor agregado. O desfecho levou à total dependência brasileira de importações.

    Plástico Moderno, Andrés Fleischhauer, gerente-comercial da América Latina, ABS - Em ritmo de crescimento no mercado brasileiro, a resina só está disponível via importação

    Fleischhauer exibe autopeça de ABS em substituição ao PP

    A decisão da Lanxess de seguir os preceitos da Bayer e se concentrar em mercados considerados mais rentáveis provocou uma nova reestruturação e a venda de 51% dos negócios de ABS para o grupo inglês Ineos. A parceria resultou na criação da Ineos ABS, uma joint venture com data marcada para acabar: 30 de setembro de 2009, quando a Ineos assumirá o seu controle total, adquirindo da Lanxess os 49% restantes.

    O grupo inglês dispõe de uma capacidade produtiva da ordem de 670 mil toneladas anuais de ABS e participação no mercado mundial de cerca de 8%, atrás da Chi-Mei e da LG. De acordo com dados da Ineos, essas produtoras asiáticas detêm 17% e 12%, nessa ordem.

    “O foco da Lanxess em polímeros, hoje, são as borrachas, por isso o ABS deixa de ser prioritário”, informou o gerente-comercial da América Latina, Andrés Fleischhauer. Não à toa, no final do ano passado, o grupo alemão adquiriu o controle da brasileira Petroflex, a maior produtora de borrachas sintéticas da América Latina (ver PM 400, fevereiro de 2008, página 70). O gerente ressalta que os negócios das poliamidas e do polibutileno tereftalato, especialidades distantes da cobiça asiática, permanecem com a empresa.

    No desfecho dos negócios, a Lanxess assumiu a distribuição da Ineos com exclusividade no país. Quando ainda operava a fábrica em Camaçari e a concorrência chinesa era menos intensa, a empresa chegou a abastecer 25% do mercado. Hoje, detém fatia da ordem de 15% a 17% do mercado brasileiro de ABS.

    Carros aceleram os negócios – Apesar da demanda baixa, inferior a 60 mil toneladas anuais, a evolução do mercado brasileiro segue na contramão do europeu, marcado pela estagnação, e do americano, retraído, com boas perspectivas para os fornecedores locais. “O consumo brasileiro de ABS deve crescer acima do mercado internacional graças ao desempenho excepcional da indústria automotiva e ao bom momento da economia nacional, o que não está ocorrendo no mercado externo”, avaliou Fleischhauer. Segundo estimativas dele, o consumo doméstico de ABS deve crescer entre 6% e 8% neste ano, puxado pela atuação das montadoras, e fechar 2008 com demanda da ordem de 56 mil toneladas.

    Material amorfo com propriedades que o posicionam na escala intermediária entre as resinas commodities e as de engenharia, o ABS ganhou escala produtiva, impulsionada pela crescente demanda asiática, região que também concentra alto volume de produção.

    Plástico Moderno, Andréas Kripzak, diretor da divisão de estirênicos para a América do Sul da Basf, ABS - Em ritmo de crescimento no mercado brasileiro, a resina só está disponível via importação

    Kripzak: setores eletroeletrônico e automotivo puxam os negócios

    Os principais fabricantes do terpolímero se situam na Ásia, Europa e América do Norte, mas a influência dos asiáticos é grande globalmente. “Afinal, eles possuem a maior capacidade produtiva”, ponderou Andréas Kripzak, diretor da divisão de estirênicos para a América do Sul da Basf. A produção asiática se situa na casa dos milhões de toneladas anuais. Quando ativa, a capacidade instalada brasileira era inferior a 50 mil toneladas anuais.

    No passado, o ABS chegou a perder espaço para o polipropileno e outros materiais, mas com a crescente exigência do mercado recuperou o fôlego. Nos últimos anos, a demanda mundial tem crescido em torno de 5%, puxada principalmente pelas indústrias automotiva e de eletroeletrônicos, na avaliação de Kripzak.

    Nos automóveis, o ABS compõe as grades frontais, as carcaças de retrovisores e faróis, frisos, o acabamento interior, o painel, e outros componentes pequenos internos do carro, entre diversos usos. Além disso, a resina beneficia com suas propriedades aplicações nas telecomunicações e nos eletrodomésticos. Carcaças de telefone, caixas de TVs e monitores para computador constituem exemplos desses empregos.

    No ponto de vista de Kripzak, o ABS continua competitivo mesmo diante de polímeros de custos menores. “Hoje também vemos casos de aplicações de outras resinas migrando para o ABS”, assegurou. Fleischhauer assina em baixo e dá um exemplo: a grade frontal da nova linha Gol, da Volkswagen, é toda feita de ABS, em substituição ao polipropileno. “É 100% ABS da Lanxess, com características de boa fluidez e proteção ultravioleta”, ressaltou.


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