Compósitos

10 de janeiro de 2011

Abmaco – Aquecimento das vendas sustenta otimismo do setor

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Publicado por: Gilmar Lima
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    A indústria brasileira de materiais compósitos faturou R$ 2,53 bilhões em 2010, receita 13% superior à registrada em 2009. Em termos de volume, o Brasil consumiu 213 mil toneladas, ou 16,3% a mais do que no exercício anterior. Esses números foram levantados pela Maxiquim, empresa contratada pela Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco) para fazer monitoramentos trimestrais de desempenho.

    O aquecimento generalizado da economia foi o principal responsável pelo resultado positivo. Ainda não temos os números que identificam a participação de cada segmento de mercado – são consolidados somente no final de cada ano. Mas, conforme sinaliza toda a cadeia produtiva do material, não faltaram projetos em 2010 nos redutos que mais consomem os compósitos: construção civil, geração de energia eólica e transportes.

    A título de ilustração, a construção civil respondeu por 41% do total de compósitos (183 mil toneladas) transformados no Brasil em 2009. Energia eólica ficou em segundo lugar, com 36%. Para se ter uma ideia, um dos fabricantes locais de pás processou nada menos do que 30 mil toneladas no ano passado. Já as montadoras, sobretudo as que fabricam ônibus, caminhões e veículos agrícolas, tiveram participação de 11%.

    Sob o ponto de vista do faturamento, contudo, o setor de transportes ficou em primeiro lugar em 2009, com 31%, sucedido por energia (27%) e construção civil (16%). Isso se deve ao maior valor agregado das peças usadas em veículos – para-choques, tetos e capôs, por exemplo – bem como das pás eólicas, em contraste às caixas-d’água, telhas e banheiras, principais representantes dos compósitos nas lojas de material de construção.Plástico Moderno, Gilmar Lima, Presidente da Abmaco e diretor-geral da MVC Soluções em Plásticos, Abmaco - Aquecimento das vendas sustenta otimismo do setor

    Para 2011, trabalhamos com uma expectativa de crescimento da receita acima de 14%. Em volume, um acréscimo ao redor de 16%. São números factíveis desde que o setor mantenha o foco em mercados-chave, como o de transportes, e amplie a sua presença nos demais. Como? Reforçando as vantagens que apenas os materiais compósitos são capazes de oferecer: baixo peso, extrema resistência e versatilidade, para ficar em apenas três itens de uma lista gigantesca de benefícios.

    A respeito do novo governo, a perspectiva é boa. Todavia, vale a pena ressaltar que ainda não se sabe até que ponto a administração federal terá condições de realizar os investimentos necessários para garantir as esperadas taxas de crescimento. Para que o país evolua, deve-se reduzir intensamente os gastos com o aparato estatal e priorizar investimentos em áreas cruciais, como infraestrutura, habitação e saneamento básico.

    De maneira geral, as projeções da Abmaco para 2011 são otimistas, mas teremos que enfrentar alguns desafios, e o principal deles é a capacidade – e, principalmente, a velocidade – da nossa indústria de desenvolver produtos e soluções de forma contínua. Essa questão passa pela carência de mão de obra especializada no processamento dos compósitos, problema que vem sendo enfrentado diariamente pela Abmaco e pelo Centro Tecnológico de Compósitos (Cetecom).

    Além de dezenas de cursos, seminários, workshops e do lançamento do livro que fechou a trilogia “Compósitos”, trabalhamos neste ano com a Universidade de Caxias do Sul (UCS) para criar o primeiro curso de pós-graduação em compósitos do país. Essa medida será replicada em 2011 em todas as regiões do Brasil – os contatos com outros centros de ensino já estão adiantados. Em paralelo, a Abmaco continuará desenvolvendo programas de qualidade, marketing e gestão para auxiliar as empresas a se profissionalizarem e, assim, terem condições de enfrentar o mercado global.

    Plástico Moderno, Abmaco - Aquecimento das vendas sustenta otimismo do setor

    A propósito dos programas setoriais, em novembro concluímos a primeira fase do Programa Abmaco de Qualidade (PAQ) Telhas. Em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), organismo independente contratado pela Abmaco para efetuar as análises de conformidade em relação à norma, qualificamos oito transformadores. Eles receberam o Selo de Qualidade Abmaco, instrumento que ajudará revendedores e clientes finais a selecionarem de maneira mais criteriosa os seus fornecedores de telhas.

    Também no sentido de aumentar a representatividade dos compósitos, iniciamos as atividades para a fundação, em 2011, da Associação Latino-Americana de Materiais Compósitos (Almaco). Por representar o maior mercado de compósitos da região, a Abmaco foi apontada como a escolha natural para liderar a constituição da Almaco, cuja sede será em São Paulo.

    A Almaco terá missão e diretrizes centrais, mas cada associação local manterá a autonomia para lidar com as questões relativas ao seu país. Com a nova entidade, conseguiremos mapear plenamente o mercado, o que deve pavimentar o caminho para o surgimento de diversas oportunidades de associações, fusões e vendas diretas. E, perante o resto do mundo, contaremos com uma associação muito mais forte para brigar pelos nossos interesses. Em suma, a Almaco será fundamental para garantir o crescimento sustentável do mercado latino-americano de compósitos.

    Sob o ponto de vista das tendências tecnológicas, apostamos na contínua ascensão dos processos mais automatizados, na esteira da popularização das tecnologias de RTM Light, infusão, prensagem a quente (SMC e LPMC), pultrusão e enrolamento filamentar. Também devem ganhar mais espaço matérias-primas especiais, que possibilitam a eliminação de determinadas etapas, caso da preparação para pintura e a própria pintura. Destaque igualmente a elementos que ajudam a reduzir o peso do laminado, melhoram o acabamento, diminuem o desperdício e, principalmente, sejam oriundos de fontes renováveis.

    Por sinal, adequar toda a cadeia à questão da sustentabilidade é uma das principais preocupações da Abmaco. O nosso Programa Nacional de Reciclagem, atividade que tocamos em parceria com o IPT, já entrou na fase de estudos das partículas que dão forma aos resíduos, incluindo aí as etapas de tratamentos térmico e químico. Ou seja, avançamos bastante e, em 2011, teremos a definição de quais caminhos seguiremos em relação à reciclagem dos resíduos de compósitos.



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