Plástico

17 de janeiro de 2008

Abiplast – Transformação enfrenta uma das piores crises de sua história

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    Plástico Moderno, Merheg Cachum, presidente da Abiplast, Abiplast - Transformação enfrenta uma das piores crises de sua história

    Cachum: alternativa para recuperar a rentabilidade seria consolidar o setor

    Quem observa os resultados da indústria de transformação de material plástico em 2007 chega a uma conclusão inequívoca. A produção e o consumo no Brasil vão bem, obrigado. Mas a saúde financeira das empresas preocupa. Os dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) apontam que o consumo aparente de transformados plásticos no Brasil cresceu 7,1% em 2007, chegando a 4,9 milhões de toneladas. O faturamento do setor, no entanto, registrou uma queda de 7,5% no ano, limitando-se a R$ 37,54 bilhões. Em 2006, o número foi bem mais vistoso: R$ 40,59 bilhões. Como se não bastasse, o custo das resinas plásticas também subiu de maneira substancial no ano passado em decorrência, principalmente, da alta dos preços internacionais do petróleo. O preço do polipropileno (PP) teve um aumento médio de 21% no mercado brasileiro, segundo acompanhamento da Abiplast. Esse conjunto de dados não deixa dúvidas a Merheg Cachum, presidente da Abiplast: “Em 2007 houve uma queda brutal na margem de lucro das empresas do setor”, afirma o executivo.

    A questão é: O que pode devolver rentabilidade às empresas de artefatos plásticos? Cachum acredita que uma alternativa seria a consolidação. A indústria brasileira da transformação do plástico é bastante pulverizada, avalia-se que somam aproximadamente 8,8 mil empresas. E o perfil predominante é de unidades fabris de pequeno porte, 86,83% do total possuem até 49 funcionários. Já as médias empresas, com até 250 empregados, somam outros 11,49%. Além disso, muitas empresas são familiares e, na sua grande maioria, não são detentoras de processos produtivos modernos; na verdade, são empresas bastante defasadas em relação aos padrões das economias mais desenvolvidas. “O ideal seria que houvesse em torno de 2,5 mil indústrias de transformados plásticos no país”, diz Cachum.

    O presidente da Abiplast avalia que os transformadores plásticos estão sem margem de negociação. São pequenos, mas compram de gigantes, as petroquímicas, e comercializam sua produção, principalmente, com grandes compradores, como as indústrias automobilísticas e de construção civil, assim como negociam também com grandes varejistas. “Temos pressão de custos, mas não temos como repassar para os preços. Somos obrigados a reduzir a rentabilidade, mas isso tem um limite e já estamos perto dele”, afirma o executivo.

    O poder das petroquímicas – Cachum acredita que a necessidade de consolidação no setor de transformação se tornou ainda mais premente após o processo de reestruturação da indústria petroquímica ocorrido em 2007, cujo resultado foi a concentração dos negócios em duas grandes companhias, que estão nas mãos de três empresas: Petrobras, Braskem e Unipar. “Essas empresas ditam o mercado e os pequenos transformadores não possuem capacidade de negociar. Na verdade, a maioria nem tem acesso às petroquímicas, compram de revendedores”, diz o executivo.

    Na prática, Cachum teme que o poder de fogo das petroquímicas aumente ainda mais a diferença entre os preços das resinas plásticas no Brasil e os praticados no exterior. “Já temos casos onde a diferença do preço da tonelada da resina brasileira supera em até R$ 200,00 o preço da mesma resina no exterior”, afirma o presidente da Abiplast. “A questão é que nós, os transformadores, estamos perdendo competitividade. Precisamos de empresas fortes também na indústria de artefatos plásticos para poder negociar com as petroquímicas ou ter volume que viabilize ações de importação de matéria-prima”, diz Cachum.

    A perda de competitividade das transformadoras nacionais apontada por Cachum se evidencia na balança comercial do setor, que ficou negativa em US$ 569 milhões em 2007. As exportações até que cresceram, 2,7%, alcançando 332 mil toneladas e um faturamento de US$ 1,18 bilhão (12,5% de aumento).

    Mas é nas importações onde o impacto da maior competitividade dos fabricantes estrangeiros já se faz sentir com força. O volume de artefatos plásticos importados subiu 11,8%, bem acima do crescimento do consumo aparente (7,1%), passando de 352 toneladas importadas em 2006 para 393 toneladas em 2007. Já o valor financeiro das importações aumentou 24%, registrando US$ 1,75 bilhão.

    “Começamos a viver um cenário, principalmente no segmento de embalagens, onde o produtor brasileiro terá de disputar o mercado local com o estrangeiro, em especial o chinês. E tudo joga contra o fabricante nacional, que enfrenta um preço maior na matéria-prima, uma carga tributária alta e ainda um câmbio que favorece o produtor estrangeiro. Competir como?”, indaga Cachum. O executivo ainda faz uma previsão sombria. “Se o real se valorizar ainda mais diante do dólar, como prevêem alguns economistas, vai ser um desastre. As exportações vão se inviabilizar, as importações aumentar e muitos transformadores plásticos vão fechar.”

    Diante desse cenário, Cachum informa que a Abiplast tem realizado pleitos no Ministério da Fazenda para o setor ser incluído na política de apoio e compensação do câmbio que o governo federal anunciou para as indústrias calçadistas e têxteis. Além disso, a associação, na travessia do ano passado, iniciou negociações com o governo de São Paulo pleiteando sua inclusão na política de redução tributária estabelecida em 2007 para o setor petroquímico, que reduziu o ICMS das resinas de 18% para 12%. “É um benefício considerável, que apoiamos, mas faltou estender este apoio para quem mais precisa, a indústria de transformação. É isso que estamos reivindicando”, afirmou o dirigente, durante coletiva de imprensa no final do ano.


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