Economia

10 de novembro de 2011

Abiplast – Efeitos da crise mundial na indústria do plástico

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Publicado por: Jose Ricardo R. Coelho
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    Plástico Moderno, José RIcardo Roriz Coelho, Presidente da Abiplast, Abiplast - Efeitos da crise mundial na indústria do plásticoPor mais que o Brasil esteja imune a essa crise internacional, haverá consequências para a nossa economia. Como o plástico, na forma final de numerosos produtos ou na condição de componente, está presente em praticamente todos os segmentos da indústria de transformação e na construção civil, ele também será afetado. Primeiramente, teremos dificuldade de exportar, não só pela baixa competitividade endêmica do Brasil, como também pela retração dos mercados externos.

    Portanto, as desventuras fiscais dos Estados Unidos e da Europa, responsáveis pelo prenúncio de nova crise, são fatores agravantes da perda de competitividade já verificada na economia brasileira, em especial no âmbito da indústria de transformação. Para se ter ideia de como estamos perdendo espaço no comércio exterior, o déficit da balança comercial do plástico transformado cresceu 40,69% no acumulado do primeiro semestre de 2011, em relação a igual período do ano passado, saltando de US$ 720,50 milhões para US$ 1,013 bilhão.

    Recente estudo da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) demonstra os fatores que têm reduzido a competitividade de nossa manufatura. As dificuldades começam no custo do dinheiro para investimento e capital de giro, em razão da elevada Selic e do spread bancário.

    Outro problema é o preço das matérias-primas. Invariavelmente, pagamos mais caro por ela do que os estrangeiros, que colocam no nosso mercado os produtos transformados a preços finais que praticamente inviabilizam a sua produção pelas empresas brasileiras. A equação não tem contrapartida, pois quando indústrias nacionais tentam comprar no exterior as matérias-primas, estas ingressam no país com valores até 40% maiores do que na China, por exemplo, por causa dos altos custos incidentes. Nossos impostos de importação de resinas são os mais altos do mundo. Há, ainda, o antidumping, aplicado há mais de 15 anos.

    A energia elétrica também subtrai competitividade da indústria brasileira de transformação. Temos uma das tarifas mais caras do mundo para o setor, atrás apenas do Reino Unido e da Itália, e somos os campeões mundiais de tributos e encargos (ICMS E PIS/Cofins), que representam 34% do preço total. Somam-se a isso os encargos trabalhistas, com impacto relevante no preço dos produtos industriais. Somente a contribuição patronal do setor à Previdência Social, que representa 23% do total do país, corresponde a 2,6% dos preços.

    Como se não bastasse, a carga tributária, elevadíssima, não condiz com a renda per capita dos brasileiros. Para haver coerência, deveria ser de 21,5% do PIB e não de aproximadamente 35%. A indústria de transformação é o setor que mais contribui para a arrecadação de tributos: 37,4% do total, de 2005 a 2009. Há, ainda, o fator agravante da burocracia, que custa R$ 20 bilhões para os brasileiros, num complexo emaranhado de 85 tributos, com normas complicadas e ambíguas. Somente a Receita Federal cria uma nova regra a cada 26 minutos!

    Além do exagero dos impostos, há o impacto negativo provocado pelo descasamento entre prazos de recolhimento e recebimento das vendas e o custo financeiro para a indústria nacional. Os principais tributos federais e o ICMS recolhidos pelo setor somaram, em 2007, R$ 265,7 bilhões, que consumiram 19% do capital de giro do setor (69% maior do que a parcela direcionada aos salários). Os tributos são recolhidos em diferentes datas. Na média, o prazo para o recolhimento é de 30 dias após o fato gerador.

    O ciclo de produção do setor é de 73 dias. Nesse período, porém, pagam-se salários e insumos e os impostos e encargos sobre eles incidentes, criando-se um fluxo significativo de despesas sem receitas. O descasamento médio entre o recolhimento de tributos e o recebimento de vendas é de 49 dias. Cerca de 90% dos impostos recolhidos pelo setor (ou R$ 249,5 bilhões) são realizados sob esse descompasso.

    Plástico Moderno, Abiplast - Efeitos da crise mundial na indústria do plástico

    A perda de competitividade da indústria de transformação precisa ser revertida, sob pena de o Brasil parar de crescer. As nações de renda per capita semelhante à nossa que apresentaram maior incremento do PIB entre 1998 e 2008 (acima de 4% ao ano) foram as que tiveram maior expansão do valor agregado da manufatura (média anual de 7,1%). A correlação evidencia o significado do setor para o país e suscita um alerta quanto às crescentes consequências negativas dos graves obstáculos que ele vem enfrentando. Nesse sentido, parecem alentadoras algumas sinalizações dadas pelo governo de Dilma Rousseff, que tem acenado com medidas voltadas a mitigar a falta de competitividade, e pelas autoridades monetárias, com a tímida, mas bem-vinda, redução da taxa básica de juros na última reunião do Copom.



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