Economia

10 de novembro de 2011

Abimaq – Parabéns Brasil! Já são mais de R$ 2 trilhões gastos somente com o pagamento de juros da dívida pública

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Publicado por: Luiz Aubert Neto
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    Plástico Moderno, Abimaq - Parabéns Brasil! Já são mais de R$ 2 trilhões gastos somente com o pagamento de juros da dívida públicaÉ isso! Nos últimos 17 anos (oito de governo FHC, oito de governo Lula e 1º ano de governo Dilma) o Brasil já gastou cerca de R$ 2,04 trilhões somente com o pagamento de juros da dívida pública (valor histórico e sem correção). Alguém já tentou imaginar o que representa dois trilhões de alguma coisa?  A título de ilustração, em toda a Via Láctea existem cerca de 300 bilhões de estrelas. Imagine, então, o que pode significar dois trilhões, neste caso, de reais.

    Trata-se da maior transferência de renda da história do capitalismo mundial para um único setor da economia, o financeiro. Essa política econômica que a sociedade pouco consegue perceber está fazendo o Brasil sangrar, está nos tirando a possibilidade de construir um país verdadeiramente desenvolvido, que cuida do seu povo, que gera renda e distribui riquezas.

    É ponto pacífico que só se constrói um país rico e desenvolvido quando os investimentos em três setores são tratados como prioridades: educação, saúde e ciência e tecnologia.  Para se ter uma ideia, neste mesmo período (últimos 17 anos), enquanto o país gastou cerca de R$ 2,04 trilhões com o pagamento de juros da dívida, foram investidos ínfimos R$ 315 bilhões em educação, R$ 540 bilhões em saúde e saneamento e R$ 42 bilhões em ciência e tecnologia, ou seja, o investimento total nos três setores que deveriam ser tratados como prioridade foi de apenas R$ 897 bilhões, menos de 45% do que foi gasto com o pagamento de juros da dívida pública no mesmo período.

    Os indicadores sociais e de competitividade não mentem e refletem muito bem o resultado desta brutal transferência de renda. Em recente estudo publicado pelo Fórum Econômico Mundial, que analisou 136 países, a posição do Brasil no ranking de indicadores sociais e de competitividade (conforme tabela abaixo) é de arrebentar.Plástico Moderno, Abimaq - Parabéns Brasil! Já são mais de R$ 2 trilhões gastos somente com o pagamento de juros da dívida pública

    As consequências dessa política econômica perniciosa não poderiam ser outras, pois, além de um sistema educacional e de saúde falidos, outros números chocam. Para se ter uma ideia, 36 milhões de pessoas no Brasil não têm acesso à água potável; 86 milhões de pessoas não têm esgoto coletado e 126 milhões de pessoas não têm acesso ao serviço de tratamento de esgoto. E para resolver o problema de saneamento no Brasil seriam necessários investimentos de apenas R$ 296 bilhões até o ano de 2015, muito pouco se comparado, por exemplo, aos cerca de R$ 250 bilhões que o Brasil gasta em apenas um ano com o pagamento de juros da dívida pública.

    Também a taxa de investimento do Brasil (Formação Bruta de Capital Fixo) é pífia. O país investe, em média, cerca de 17% do PIB. A nossa taxa de investimento é menor do que a média da América Latina, que investe 20% do PIB. Para o PIB brasileiro crescer cerca de 4,5% ao ano, o que não é nenhum esplendor em termos de crescimento, seria necessária uma taxa de investimento de 23%. A título de exemplo, a Rússia, a Índia e a China (RIC) têm uma taxa média de investimento de 34% do PIB, sendo que a China, sozinha, investe cerca de 48%.

    Para o setor produtivo, esse coquetel de câmbio valorizado, juros altos, custo Brasil e alta carga tributária é letal e faz com que o país caminhe para um processo de desindustrialização e reprimarização da economia, voltando aos tempos de Brasil Colônia.
    Os números são assustadores. O déficit da balança comercial da indústria de transformação, em 2011, será superior a US$ 100 bilhões. Somente o setor de máquinas e equipamentos terá um déficit de US$ 21 bilhões. Isso representa a geração de milhares de empregos no exterior e a desestruturação de um setor que desenvolve tecnologia e inovação, que produz bens de alto valor agregado, cuja mão de obra empregada exige qualificação e, portanto, paga bons salários.

    A taxa Selic e suas consequências são o maior câncer que temos no Brasil e tudo o que foi escrito acima é basicamente o resultado dessa política voltada para os vampiros do mercado financeiro (e seus defensores), que se beneficiam do sangue do Brasil que produz.



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