Plástico

10 de janeiro de 2011

Abief – Valorização do plástico persiste como meta do ano

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Publicado por: Alfredo Schmitt
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    No final de 2009 previmos que a indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis cresceria cerca de 5% em tonelagem e em faturamento em 2010. Felizmente nos equivocamos e, com muita satisfação, fechamos o ano com um crescimento ao redor dos 8%. De fato, os dados não foram totalmente consolidados, mas se forem diferentes, serão para melhor.

    As previsões tiveram como base a pesquisa exclusiva que a Maxiquim realizou para a Abief durante o ano. Assim, além de celebrar o crescimento, devemos comemorar uma nova fase de desenvolvimento, após um período de ruptura na evolução do faturamento de nossa indústria quando, em 2009, tivemos uma redução, tanto em faturamento quanto em tonelagem, ao redor dos 5,5% por conta da crise.Plástico Moderno, Alfredo Schmitt, Presidente da Abief, Abief - Valorização do plástico persiste como meta do ano

    Historicamente, o setor cresce uma e meia a duas vezes a variação do PIB, o que não ocorreu no ano passado. Em 2006 foram R$ 8,63 bilhões; em 2007, R$ 9,37 bilhões; e em 2008, R$ 10,31 bilhões. Entre os mercados atendidos, alimentos e varejo aparecem nos primeiros lugares, respectivamente com 31% e 22% de participação. Na sequência vêm aplicações industriais (19%), bebidas (6%), higiene pessoal e cosméticos (4%), pet food (2%) e limpeza doméstica (2%); os 14% restantes estão pulverizados em outras categorias.

    Em termos de exportação, o Brasil ainda é um país tímido. Na América do Sul, o Chile, por exemplo, é o país que mais produz e exporta embalagens plásticas flexíveis, mas também é o que mais importa. Já a Argentina tem um mercado relevante, concentrado em uma região relativamente pequena, e que vem atraindo importantes investimentos. Mas o Brasil é o maior mercado, embora seja o que menos produz e consome na proporção da população e o que menos exporta na relação com a produção local.

    Mas não é porque desfrutamos de uma situação favorável em 2010 e de um mercado privilegiado que podemos nos descuidar das tendências. De modo geral, os convertedores estão atentos às novas estruturas, fruto de nanotecnologia, e aos materiais oriundos de fontes renováveis. Na K 2010, estes, aliás, foram as vedetes.

    Os materiais “verdes” e os apelos ambientais, divididos em materiais biodegradáveis e de fonte renovável, podiam ser vistos em praticamente todos os estandes. Desde inovações conhecidas por nós brasileiros, como o polietileno e o polipropileno verde da Braskem, passando pelo PHBH, um biopoliéster produzido com micro-organismos gerados do óleo de plantas, e pelo PHA (polihidroxialcanonato) ou um biocopoliéster semicristalino que se decompõe em 180 dias sob a ação de micro-organismos.

    Ainda em termos ambientais, vimos em 2010 o avanço da reciclagem com recuperação energética, um tema que está ganhando corpo dentro da cadeia produtiva do plástico. Avançamos nos estudos sobre esta opção e começamos a avaliar formas de financiamento para implantar usinas de reciclagem energética de plásticos a exemplo das que existem no Japão e na Alemanha.

    Outra novidade que não podemos deixar de citar no cenário de 2010, e que certamente ganhará ainda mais importância em 2011, são as embalagens stand-up pouch (SUP). Dados da Mintel mostram que em 2007 foram 4.390 lançamentos nesta embalagem em todo o mundo; em 2008, 4.464; em 2009, 5.626; e em 2010, cerca de 6.369, o equivalente a 2,2% dos lançamentos mundiais.

    Vimos empresas como Natura, Basf (Glasurit) e Bombril (Ecobril) adotando esta embalagem em lançamentos ou em extensões de linha. Mas fica claro que o seu caminho para deslanchar no país reside no conceito de refil. Também não podemos esquecer a tecnologia retort, que coloca os SUPs em um patamar diferenciado e oferece inúmeras possibilidades de aplicação no mercado de alimentos prontos para o consumo.

    Em relação às máquinas, o Brasil não deve seguir um caminho muito diferente do verificado no resto do mundo e validado na K 2010. O foco continuará nos equipamentos com menor consumo de energia e com ciclos mais rápidos. Vemos surgir roscas para extrusão para filmes cada vez mais finos, com até cinco camadas, e com saída superior a 1.000 kg/hora.

    Outra área que teremos que intensificar nossa atuação em 2011, digo como entidade e como empresa, é a defesa do plástico perante o consumidor final. Em 2010 sofremos inúmeros ataques, personificados na figura da sacola plástica, mas que de fato prejudicam a imagem do plástico como um todo.

    Entendemos que se a indústria não se posicionar adequadamente, abriremos uma porta para que restrições ainda piores interfiram na sociedade e nas atividades empresariais. Para isso, propomos uma postura mais pró-ativa do setor em relação à questão ambiental. Não precisamos nos defender, mas educar o consumidor final e mudar a opinião pública, criando uma nova cultura sobre o descarte adequado dos resíduos plásticos, inclusive das embalagens que de fato têm uma participação ínfima no lixo sólido urbano.

    Esta pró-atividade deve ser incorporada por todos os envolvidos na cadeia do plástico – desde a Petrobras, passando pelos fornecedores de matérias-primas (especialmente resinas), fabricantes de embalagem e varejo.

    Como base para este trabalho, a Abief apoia o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, encabeçado pela Plastivida, e o SustenPlast, do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast), que busca, justamente, contribuir para uma mudança cultural sobre o uso, descarte correto e reciclabilidade do plástico e a consequente valorização de toda a cadeia produtiva.


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