Embalagens

12 de janeiro de 2012

ABIEF – Embalagens plásticas flexíveis: o crescimento continua

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Publicado por: Alfredo Schmitt
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    Apesar das oscilações de demanda enfrentadas em 2011, a indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis encerra o ano com capacidade para competir não apenas no mercado doméstico. Com investimentos constantes em atualização tecnológica e ajustes de competitividade, nosso setor poderá ter um importante potencial de exportador global.

    Do ponto de vista de maturidade empresarial, também evoluímos muito. A nova configuração da indústria petroquímica no Brasil e no mundo nos levou a vivenciar um novo cenário, mais desafiador, mas que precisa ser necessariamente

    * Alfredo Schmitt é empresário e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) e do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast).

    desbravado, entendido e de onde possamos encontrar uma espiral positiva de ações e de crescimento.

    Por estas e outras, fechamos 2011 com um crescimento praticamente igual ao crescimento do PIB nacional. Ou seja, com uma alta em volume e em faturamento ao redor de 3,2% sobre os números registrados em 2010, quando o setor processou 1,790 milhão de toneladas de resinas e faturou quase R$ 11 bilhões (contra R$ 8,8 bilhões em 2009). Os números de 2010 representam um aumento de 18,8% na produção e de 0,8% no preço médio em relação a 2009.

    Se formos mais específicos sobre esta produção, uma pesquisa realizada pela Maxiquim, com exclusividade para a Abief, detectou que a resina mais utilizada é o PEBDL (polietileno linear de baixa densidade), com 40% de participação, seguido pelo PEBD (polietileno de baixa densidade), com 24%. PP (polipropileno) e PEAD (polietileno de alta densidade) têm, cada um, participação de 18%. Em 2010 as embalagens flexíveis foram responsáveis pelo consumo de 79% de todo o PEBD produzido no país, 89% de todo o PEBDL, 33% de todo o PEAD e 22% de todo o PP. Em 2011 a participação ficou bem similar.

    Ao mapearmos o mercado de resinas nos países ABC (Argentina, Brasil e Chile), percebemos que a mesma situação de 2010 se repetiu em 2011: a existência de excedentes importantes de resinas na região que deverão ser absorvidos entre 2013 e 2014. Por isso, precisamos, com certa urgência, de novos projetos ou de projetos de ampliação para a utilização desta oferta de matérias-primas.

    Ainda entre os países ABC, o Chile é o que mais produz e exporta embalagens plásticas flexíveis, mas também é o que mais importa. Já a Argentina tem um mercado relevante, concentrado em uma região relativamente pequena, e que vem atraindo importantes investimentos.

    O Brasil continua sendo o maior mercado e sua produção per capita de embalagens plásticas flexíveis passou de 8,1 quilos/habitante em 2009 para 9,6 quilos/habitante em 2010. A indústria de alimentos ainda é o principal cliente do setor com um consumo de 565 mil toneladas de resinas. Na sequência vêm as aplicações industriais, com 370 mil toneladas; varejo, com 354 mil; bebidas, 120 mil; higiene pessoal e cosméticos, 74 mil; pet food, 60 mil; e limpeza doméstica, 40 mil.

    As análises da Abief mostram que a balança comercial do setor se manteve deficitária em 2011. Em valores, este déficit foi de US$ 335 milhões no período de janeiro a outubro, com estimativas de chegar a US$ 400 milhões até o final do ano. As importações de transformados flexíveis nesse período (janeiro a outubro), em comparação ao mesmo período de 2010, aumentaram 17,5%. Já as exportações, em igual período, cresceram 11%.

    Para reverter este quadro, a Abief tem acompanhado de perto as tendências de consumo, inclusive as internacionais, que, direta ou indiretamente, influenciam o consumidor local. Também precisamos considerar que no modelo econômico/industrial atual as empresas de bens de consumo estão cada vez maiores e mais poderosas e, portanto, exercendo cada vez mais pressão sobre os preços das embalagens. A solução da redução de espessura dos filmes, que vem sendo dada há alguns anos, está chegando ao seu limite.

    Precisamos desvendar inovações que mantenham a competitividade do setor. O conhecimento dos novos hábitos do consumidor, a adoção de políticas sustentáveis e a produção de embalagens funcionais e específicas para produtos de marca própria, por exemplo, poderão garantir o desenvolvimento saudável de nossas empresas. Sempre, é claro, oferecendo custos competitivos e compatíveis com a realidade do setor.

    Mas todas estas ações devem ser embasadas por produções limpas e embalagens recicláveis/reutilizáveis. Precisamos, mais do que nunca, estar atentos à relação de nossos produtos com o meio ambiente, respeitando as diretrizes da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos). Há muito a Abief defende o consumo responsável como a chave para a questão. Coletar produtos e embalagens, reciclá-los e transformá-los em produtos diferenciados já é possível e a indústria está pronta para desempenhar este papel na sociedade.

    E não falamos de desafios específicos da indústria de embalagens plásticas flexíveis. As pressões se estendem por toda a cadeia do plástico, que, mais do que nunca, precisa se unir e trabalhar em prol da valorização deste importante material. É preciso mostrar para a sociedade o real valor do plástico e de suas incontáveis aplicações, dentre elas, as embalagens.



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